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Transtorno bipolar atinge mais de quatro milhões de brasileiros

Por Maya Santana
Cássia Kiss: radicalmente contra qualquer tipo de cirurgia plástica

Com transtornos psíquicos, a atriz Cássia Kis, 58, chegou a ser diagnosticada bipolar

A bipolaridade é uma doença que atinge cerca de 4,2 milhões de brasileiros. Ela é caracterizada pela alternância entre depressão e euforia (mania, como dizem os médicos) e sua banalização é muito perigosa, pois é a que mais mata por suicídio: cerca de 15% dos pacientes. Em pessoas bipolares, o risco de apresentar comportamento suicida é 28 vezes maior do que no resto da população. A expectativa de vida de homens bipolares é 13 anos menor e das mulheres, 12 anos menor do que da população em geral, segundo estudo feito na Dinamarca. Chamada de psicose maníaco depressiva (PMD), termo considerado estigmatizante, a patologia ganhou o nome transtorno bipolar nos anos 1980.

A psiquiatra e psicanalista Sandra Maria Melo Carvalhais, coordenadora do curso de psiquiatria da Faculdade Ipemed de Ciências Médicas, em Belo Horizonte, ressalta que é muito comum dizer que uma pessoa “tem bipolaridade” por apresentar humor variável, demonstrando estado de tristeza em alguns momentos e, em outros, humor elevado, sem haver motivos aparentes para a mudança. Entretanto, isso pode ser uma variação de humor normal, que ocorre com qualquer pessoa no dia a dia. “Não existe uma causa definida. Sabemos que há predisposição hereditária, vulnerabilidade e fatores que influenciam numa crise: eventos estressantes da vida ou estresse prolongado (conflitos interpessoais, perdas, mudanças que exigem muita adaptação) e o uso de substâncias psicoativas”, diz Sandra.

Segundo ela, é possível se referir à bipolaridade quando essas alterações se tornam mais intensas, repetitivas, interferem e comprometem a vida da pessoa de forma mais significativa. Nesse caso, trata-se do transtorno afetivo (do humor) bipolar que se caracteriza por episódios nos quais o humor e o nível de atividade do sujeito estão profundamente perturbados. A bipolaridade é um transtorno psiquiátrico que se caracteriza, grosso modo, pela manifestação de episódios depressivos, hipomaníacos e/ou maníacos ao longo da vida de um indivíduo.

“Segundo o DSM-5, a última edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria, os episódios são variados e os mais comuns são transtorno bipolar (TAB) tipo I, tipo II, tipo misto e transtorno ciclotímico. E ainda, com características próprias, há outros transtornos: o relacionado ou induzido por substância/medicamento, o relacionado devido a outra condição médica, o transtorno relacionado especificado e o transtorno relacionado não especificado”, explica o psiquiatra Adriano Simões Coelho.

Depressão é diferente
No tipo I, o paciente apresenta os episódios de mania alternados com as fases depressivas, não necessariamente em uma sequência, em que uma sucede à outra. E as fases depressivas costumam ser mais frequentes. No tipo II, há episódios depressivos alternados com fases de hipomania, quando os sintomas não são tão intensos. “Depressão é diferente de tristeza, esta uma reação normal a estímulos negativos. A depressão costuma ser mais duradoura e intensa, a pessoa não reage a estímulos positivos, causa prejuízos funcionais e não é necessário ter um fator causal. Muitas vezes, a vida do indivíduo está completamente organizada e sem problemas e ele encontra-se deprimido. Ele pode ter sintomas como cansaço, falta de energia, lentificação psicomotora, alterações do sono e do apetite”, esclarece Simões Coelho.

Nos casos de bipolaridade em geral, podem ocorrer alterações do humor diversas vezes em um único dia, algumas vezes por semana, por ano ou demorar anos entre cada oscilação. “Alguns pacientes apresentam também a mistura de sintomas, como ficar sem energia, mas com pensamentos acelerados; ou ter agitação, mas está deprimido, podendo se encaixar nos estados mistos”, diz o psiquiatra, esclarecendo que “o ciclotímico seria um quadro em que o paciente alterna hipomania com sintomas depressivos leves e muitas vezes interpretados como temperamento ou características de personalidade, tendo como marca essencial a cronicidade: pelo menos dois anos e sintomas presentes na maioria dos dias”. Segundo Adriano, há risco elevado de uma pessoa com transtorno ciclotímico desenvolver TAB tipo I ou tipo II posteriormente. Clique aqui para ler mais.

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