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Três décadas após a sua morte, Elis vai virar marca

Por Maya Santana

João Marcello Bôscoli, filho mais velho da cantora

João Marcello Bôscoli, filho mais velho da cantora

O primeiro filho de Elis Regina – com Ronaldo Bôscoli -, João Marcello, quer transformar o nome da cantora em marca. É um tipo de campanha para que Elis não seja esquecida e continue a ser conhecida pelas novas gerações. Para os que possam criticá-lo pela jogada comercial, ele explica que o alvo de tudo que pretende fazer até 2015, quando a cantora completaria 70 anos, é perpetuar o nome Elis e renovar o público dela. “Peça a um jovem, hoje, para cantar uma música de Elizeth Cardoso ou Nara Leão. Foram grandes cantoras, mas suas imagens não foram trabalhadas. Elvis Presley está grande também porque um dia sua imagem foi parar no pôster, no calendário, o baralho”, argumenta ele. Concordo plenamente com o projeto. Elis Regina merece a imortalidade.

Leia o artigo de Júlio Maria para o Estadão:

Elis Regina está viva. Canta ‘Bala com Bala’ com uma voz de brilho mais intenso do que na gravação original de 1972. O baixo de Luizão Maia vai mais à frente, deixando evidente o suingue criado com o piano de Cesar Camargo Mariano. A bateria de Paulo Braga em ‘Nada Será Como Antes’ fica mais tensa e revigorada enquanto ’20 Anos Blue’ tem a marcação espaçosa do mesmo baixo gordo de Luizão trocada agora por uma condução discreta. A ideia é valorizar a voz de Elis logo na entrada, facilitando o trabalho das partes do cérebro que lidam com a emoção.

Elis Regina está viva na mesa de som de Carlos Freitas, um dos engenheiros de masterização mais respeitados em atividade. É em seu estúdio, o Classic Master, em Pinheiros, que o áudio de uma canção de Elis pode desafiar os deuses da Física e sair melhor do que entrou. ‘Elis’, o álbum de 1972, o primeiro com arranjos de Cesar Camargo Mariano, um dos repertórios mais alucinantes reunidos em disco, está sendo preparado para ser relançado no Dia das Mães com um áudio novo, remasterizado em novas tecnologias também para ser vendido faixa a faixa, pela internet.

A história tem peso. Foi neste disco que Cesar Mariano, além de iniciar uma relação conjugal com Elis, começaria a desenvolver uma linguagem com o baixo de Luizão e a bateria de Paulinho que faria história e escola. “A linha do tempo da música brasileira tem este acompanhamento criado por Cesar como um marco”, disse o pianista e professor de música Paulo Braga, homônimo ao baterista. É o disco de ‘Bala com Bala’, ‘Casa no Campo’, ‘Nada Será Como Antes’, ’20 Anos Blue’, ‘Águas de Março’, ‘Mucuripe’, ‘Atrás da Porta’, ‘Cais’, ‘Me Deixa em Paz’, ‘Vida de Bailarina’.

A apuração técnica da discografia de Elis, relançada em séries recentes mas não remasterizadas, é exigência de João Marcello Bôscoli, filho mais velho da cantora. Além do álbum, há outras iniciativas para 2015, quando Elis faria 70 anos, no dia 17 de março. João promete retomar a exposição de 2012 em outro formato, sob o nome ‘Elis 70’, com material inédito. “Vamos mostrar, por exemplo, áudio e vídeo gravados por ela no mundo todo, descobrimos coisas que ainda não foram divulgadas.” Dentre elas, um show que a cantora fez no Japão, registrado pela emissora de televisão NHK em 1979, logo depois de sua passagem pelo Festival de Montreux, na Suíça.

João Marcello tinha 12 anos quando Elis morreu, em 1982. Desde então, assumiu o posto de herdeiro guardião de uma obra que lança com estratégia para que, como diz, “as notícias sobre Elis nunca terminem.”

Elis fotografada em 1979. Ela faria 70 anos em 2015

Elis fotografada em 1979. Ela faria 70 anos em 2015

Sua maior novidade para 2015, contudo, é uso oficial da imagem de Elis, o início dos trabalhos sobre a “marca” Elis Regina.
Por meio da empresa de licenciamentos da qual é sócio, a BandUp!, João, que já tem permissão exclusiva para desenvolver no Brasil lojas digitais de artistas como Beatles, Elvis Presley, Miles Davis, Madonna, Ray Charles e mais 130 marcas, anuncia que, agora, vai fazer o mesmo pela mãe. “Quero que as pessoas que forem à exposição, por exemplo, possam levar Elis para casa.” A face da cantora estará em mais de 250 artigos, como caneca, camiseta, moletom, boné, almofada, capas de caderno, fones de ouvido e partituras. Ele negocia com duas grandes empresas de acessórios musicais para lançar, em breve, um microfone com a assinatura de Elis Regina.

O empresário diz que o alvo é a perpetuação do nome de Elis e a renovação de seu público. “Elvis Presley está grande também porque, um dia, sua imagem foi parar no pôster, no calendário, no baralho. Queria muito que ações como essa inspirassem outras famílias de artistas brasileiros importantes a cuidar de suas imagens.”

Questionado se não se preocupa com a patrulha moral apontando-o como um herdeiro a capitalizar sobre a memória de um ídolo, ele diz: “Eu não sou um milionário para criar uma fundação, preciso de uma máquina que se auto-sustente. Claro que dá algum dinheiro, mas o foco é a perpetuação do nome. Peça para um jovem cantar hoje uma música de Elizeth Cardoso ou de Nara Leão. São grandes cantoras, mas suas imagens não foram trabalhadas. E digo mais: torço para que os herdeiros façam esse trabalho com seus antepassados. Se preferirem delegar isso, eu posso fazer.” As vendas dos produtos oficiais da maior cantora do País serão feitos na loja Elisregina.com também a partir do Dia das Mães.

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4 Comentários

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Ednaldo 12 de novembro de 2014 - 10:05

Sem esquecer que Elis será enredo na campeã Vai-Vai em 2015! Simplesmente Elis!

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ana maria 16 de abril de 2014 - 21:48

Elvis não virou marca, por q Elis não pode? Não vejo nada errado no lucro, desde que honesto. É a mãe dele, um ícone da MPB.

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Toninho Reis 16 de abril de 2014 - 14:37

Concordo plenamente , demorou, Elis forever sem duvida,… quanta saudade dessa mulher………….. bjs

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Josélia 16 de abril de 2014 - 00:42

Minha Estrela de primeira grandeza, Elis Regina, adoro. Amei a ideia, Parabéns!!!

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