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Um relato dos mais interessantes da jornalista Ruth Aquino sobre os benefícios da maconha medicinal, cujo cultivo será, finalmente, pesquisado no Brasil, por decisão da Anvisa.
“Troquei um remédio tarja preta por uma planta. É um processo. Funcionou comigo. Sou grata à maconha medicinal,” escreve a jornalista, explicando a razão de se entusiasmar com a autorização da Anvisa: ” Pode parecer pouco, mas é inédita pelo alcance nacional. E reduz o preconceito.”
A questão é que a legalização do uso terapêutico da Cannabis sativa continua muito atrasada no Brasil, que tem registrados 672 mil pacientes fazendo uso de óleos e fármacos à base da planta.
“O crescimento é exponencial. E espontâneo. Cada vez mais médicos receitam,” informa Ruth.
Leia o artigo completo publicado por O Globo:
Mais um passo oficial bem-vindo. O Brasil continua atrasado na legalização do uso terapêutico da Cannabis sativa. Mas me entusiasma a notícia de que a Anvisa autorizou a Embrapa (Empresa brasileira de pesquisa agropecuária) a pesquisar o cultivo da planta. Pode parecer pouco, mas é inédita pelo alcance nacional. E reduz o preconceito.
Sou usuária do óleo de Cannabis. Já assumi publicamente que troquei Rivotril por gotas do fitoterápico. Para dormir. Troquei um remédio tarja preta por uma planta. É um processo. Funcionou comigo. Sou grata à maconha medicinal. Disse “usuária” de propósito, como se vivesse na clandestinidade. Não digo que sou “usuária de vinho tinto”, embora as uvas fermentadas também beneficiem minha saúde.
É urgente reduzir nossa dependência da importação de produtos caríssimos, nem sempre controlados o suficiente para favorecer a mim ou a você. O Brasil pode se tornar um dos maiores produtores do mundo.
Mas o maior avanço dessa decisão é dar um basta à hipocrisia que prejudica centenas de milhares de pacientes. “É a ciência quem deve guiar o país”, diz Thiago Lopes Campos, um dos diretores da Anvisa. “Essa autorização permite que o Brasil produza conhecimento próprio e cumpra seu dever com a saúde pública”. Espero que sim.
Aplaudo. Porque há apenas seis anos o governo Bolsonaro ameaçava fechar a Anvisa caso fosse aprovado o plantio de Cannabis para síndromes como epilepsia, depressão, fibromialgia, ansiedade, Parkinson, dores crônicas, esclerose múltipla e doenças raras.
Horrível imaginar que corremos o risco de o Brasil voltar a ter um governo negacionista, que ignore por motivos falsamente ideológicos as virtudes do canabidiol.
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A ignorância trava tudo. Nem todo mundo sabe que a planta da Cannabis é diferente, conforme o clima e a geografia. O teor de THC no Brasil é mais alto do que nos países de clima temperado. Não adianta regulamentar cultivo aqui tendo como referência a Holanda, por exemplo.
“Essa decisão de agora deve ser celebrada”, diz o advogado Emilio Figueiredo. “Mas os pacientes que cultivam o próprio remédio ainda dependem de habeas corpus para evitar criminalização. As associações de pacientes continuam a depender de ações judiciais, já que na Anvisa não há caminho para fazer um pedido administrativo para cultivar Cannabis”. Quanta burrocracia (sic).
“Eu precisei vencer em casa barreiras para atenuar, com o óleo, minhas dores da fibromialgia”, diz Zonta. “Tento obter apoio para experimentar na universidade as amostras da Acanna, mas meu objetivo é contribuir para que um dia o SUS forneça o óleo aos desfavorecidos”.
Eu sigo como uma entre os 672 mil pacientes no Brasil que usam óleos e fármacos à base de Cannabis. O crescimento é exponencial. E espontâneo. Cada vez mais médicos receitam.
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Comecei com óleo full spectrum. Com CBD, THC e todos os canabinoides na proporção da planta. Hoje, tomo um óleo CBD+. Funciona melhor comigo. Viajo com meu frasco na mochila e, se alguém perguntar, respondo: “Tomo seis gotas toda noite. E isso me faz bem”.





