Último debate pode ajudar em voto mais maduro

Por Maya Santana
São 7 os candidatos que participarão do debate desta noite

Em sentido horário: Dilma, Aécio, Marina, Fidelix, Eduardo Jorge, Luciana e o Pastor

Isabel Perez

Longe do tom publicitário dos programas eleitorais, que costumam emoldurar os candidatos com a aura da perfeição, os debates diretos entre os que disputam o voto representam uma rara oportunidade de vê-los em sua real dimensão – com defeitos, equívocos e também virtudes. Hoje à noite, na TV Globo, acontece o tradicional debate da eleição presidencial às vésperas da votação marcada para este domingo.

Será, na prática, a última oportunidade, antes do primeiro turno, de comparar ideias e propostas daqueles que pretendem governar o país pelos próximos quatro anos. Vale a pena o sacrifício de enfrentar o horário tardio do debate para conhecer um pouco mais do perfil daqueles que querem o nosso voto. Os sinais de exaustão pela intensa campanha já são visíveis em todos – candidatos e eleitores. No início desta semana, no Jornal Nacional, foi possível flagrar esses traços nos três principais candidatos à Presidência da República: Dilma Rousseff, do PT, Marina Silva, do PSB, e Aécio Neves, do PSDB.

Em meio àquelas caminhadas em que os candidatos gostam de se cercar de populares aflitos para tirar fotos ou simplesmente tocá-los, com o objetivo de transmitir a imagem de que são próximos ao povo, Aécio levou as duas mãos ao rosto e disfarçou um bocejo, que só pôde ser captado por um descuido do tucano. No mesmo dia, Dilma apareceu em frente às câmeras, após um tour de force semelhante, com as olheiras marcadas e praticamente sem voz. Marina, que já inspira fragilidade com sua figura magra, tenta preservar as últimas energias para que sua aparição na noite de hoje resgate o encantamento inicial.

A corrida presidencial deste ano foi marcada por uma tragédia – a morte de Eduardo Campos – e pelas reviravoltas nos índices de intenção de voto captados pelos institutos de pesquisa. A julgar pelos mais recentes dados divulgados, a única afirmação possível é que tudo está em aberto. Os cenários traçados pelas pesquisas comportam tanto uma vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno, embora menos provável, até a ascensão de Aécio Neves ao segundo turno, o que deixaria Marina Silva fora de uma disputa em que figurou como favorita para a vitória final. A rigor, ambos estão praticamente empatados na preferência do eleitor.

Os que acompanharam mais de perto os desdobramentos da campanha podem ter percebido que os humores do mercado financeiro variaram de acordo com a maior ou menor dose de favoritismo de Dilma Rousseff. O universo representado pelo vaivém das bolsas de valores e das cotações do dólar não vê a atual presidente da República com bons olhos e procura com ansiedade indícios de que ela poderá ser derrotada na tentativa de reeleição para o cargo. Os números das pesquisas eleitorais não autorizam essa perspectiva até agora, o que justifica os resultados negativos captados pelos indicadores de mercado.

E nós, eleitores, em meio a tudo isso? Está em nossas mãos fazer valer as prioridades que conferimos a temas como saúde, educação e segurança. Assim como depende do nosso voto contar com nomes que possam renovar o significado da política brasileira, a começar pelo seu principal palco, o Congresso Nacional. Aquela velha máxima de que os brasileiros se esquecem em quem votaram para o parlamento pouco tempo depois das eleições bem que poderia ser enterrada de vez para que pudéssemos acompanhar os parlamentares eleitos e cobrar as promessas de uma atuação com dignidade e independência.

Também não custa imaginar que podemos evoluir como eleitores de uma das maiores democracias do planeta. O início de tudo seria uma avaliação mais objetiva e racional das propostas dos candidatos, tentando nos manter a salvo das manipulações, da agressividade e da visão excessivamente apaixonada, características que costumam predominar entre nós. Os três candidatos que estão no páreo têm trajetórias conhecidas, o que já nos fornece boas pistas para avaliar o que podem fazer mais à frente.

É claro que não se defende uma atitude de frieza ou indiferença no mar revolto da política. Mas sim uma postura de maturidade para entender mais a fundo as alternativas que temos e para escolher de forma consequente os nomes mais indicados para a dura missão de fazer com que o Brasil avance do ponto de vista econômico, social, político e cultural. O debate de hoje à noite pode ser uma boa ferramenta para nos ajudar a caminhar nessa direção.


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1 Comentários

Antonio f reis 3 de outubro de 2014 - 00:55

Bom acabei de ver o debate.. que acho. ????? unnnnn depois de 27 anos fora do brasil…. Aecio acho eu ??????

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