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Um baile em que todas as debutantes já passaram dos 60 anos

Por Maya Santana

Muita ansiedade antes de entrar no salão para dançar a valsa

Maya Santana, 50emais

Cada um com seus sonhos. O dessas 48 mulheres, todas com mais de 60 anos, era voltar à adolescência, participando de um baile de debutantes, aquele que as jovens participam quando chegam aos 15 anos. Com direito a vestido de gala, maquiagem caprichada, cabelos trabalhados e valsa, elas fizeram daquele momento uma grande celebração, se esbaldaram, mostrando que a idade, pelo menos naquela noite, era apenas um número.

Leia o artigo de Cristiane Bazílio para o Zero Hora:

Casa cheia, mesas decoradas com flores, velas e porta-retratos, palco montado para receber a banda e público à espera das grandes protagonistas da festa. Enquanto isso, nos bastidores, Cesarina Ribeiro Paim é uma das 48 debutantes que aguardam pelo tão esperado momento de pisar no salão e dançar a valsa. Vestida como uma princesa, com um longo de cetim nas cores azul e branco, bordado com pérola, e uma coroa nos cabelos, ela está pronta para viver o seu grande sonho e é rápida na resposta ao ser questionada sobre a sua idade:

— Hoje, tenho 15 anos! — diz, radiante, a aposentada do bairro Tristeza, em Porto Alegre, que, na verdade, tem 74 anos.

Assim como ela, outras 47 idosas participaram do baile de debutantes da terceira idade realizado nesta sexta-feira (27), no Clube dos Namorados, na Capital, pela Associação Nacional dos Aposentados e Pensionistas da Previdência Social (ANAPPS), que ofereceu às senhoras associadas uma grande festa, com tudo que qualquer menina de 15 anos sonha: traje de gala, cabelo, maquiagem, fotos, além de um mês inteiro com uma intensa programação de eventos, como aulas de etiqueta e passeio de barco. Tudo sem nenhum custo para as debutantes.

— Toda menina sonha com uma festa assim, mas eu não pude ter porque minha família não tinha condições financeiras. É uma emoção enorme viver tudo isso a essa altura da minha vida — disse Cesarina, muito aplaudida pela mãe, dona Antoninha, 86 anos, e por um tio, de 97 anos, que foram às lágrimas quando ela pisou na pista.

A alegria deu o tom da noite

A mesma emoção acometeu Terezinha Salete Rodrigues da Silva, 68 anos, do Jardim Leopoldina. Vaidosa e frequentadora assídua de bailes, enquanto se arrumava, pedia para a maquiadora caprichar nos cílios e no delineador nos olhos:

— Tem que caprichar! Não tenho nem uma foto dos meus 15 anos para saber como eu era naquela época, quem dirá ter tido uma festa assim.

Mãe de sete filhos — cinco deles entre os convidados — e avó de nada menos do que 22 netos, Elaine Ornelas da Silva, 66 anos, do Partenon, era das mais animadas da tarde.

— Não pude dar festa de 15 anos para nenhuma das meninas, assim como eu não tive na juventude. Eles estão realizando esse sonho junto comigo, a festa é deles também — disse ela, que ainda gabava-se do seu talento na dança:

— Sei dançar tudo, até funk! A valsa vai ser fácil. Clique aqui para ler mais.

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