Um espetáculo as ruas floridas do Rio de Janeiro

Por Maya Santana
Leblon: esquina das Avenidas Afrânio de Melo Franco e Ataulfo de Paiva

Leblon: esquina da Afrânio de Melo Franco e Ataulfo de Paiva

Quem sai às ruas de alguns bairros do Rio de Janeiro, como Ipanema e Leblon, não tem como não notar a abundância de orquídeas, belas e coloridas, florescendo no tronco das árvores. Estão lá, como um prenúncio da primavera, que chega daqui a pouco mais de um mês. Muitas delas foram plantadas ali pelos porteiros de prédios residenciais. Os moradores compram a planta com flor e, quando a flor se vai, entregam para os porteiros, os grandes guardiões desses autênticos jardins suspensos.

Normalmente, são os porteiros de prédios residenciais que cuidam delas

Normalmente, são os porteiros dos prédios que cuidam delas

As flores estão tão bonitas e chamativas que, há poucos dias , o jornal O Globo publicou estas fotos maravilhosas, explicando que “as orquídeas florescem em todas as épocas do ano, o que facilita a sua proliferação.” Já li que é um tipo de planta que exige cuidados e paciência. Por terem essa beleza que é só delas e multiplicarem sua beleza em milhares de espécies, é cada dia maior o número de admiradores, gente que acaba se tornando colecionadora.

Essa espécie foi fotografada numa das ruas de Ipanema

Essa espécie foi fotografada numa das ruas de Ipanema

A orquídea é vista como uma planta muito especial. Veja essa homenagem de Carlos Drummond de Andrade fez ao escritor Rubem Braga (os dois moradores do Rio), em “Nasce uma Orquídea”, texto publicado no Jornal do Brasil, em 1970: “Entre as desesperanças da hora, e à falta de melhores notícias, venho informar-lhes que nasceu uma orquídea. Nasceu, isto é, foi batizada. Seu nome de batismo é o do cronista Rubem Braga. A partir deste ano, há uma orquídea com o nome do Braga, ou, se preferem, o Braga virou orquídea.

Mesmo com a poluição que vem da passagem constante de veículos, elas se mantêm lindas

Mesmo com poluição da passagem constante de veículos, se mantêm lindas

Physosiphon Bragae Ruschi tem raízes esbranquiçadas, como Braga tem a cabeleira; seu caule primário é recoberto de bainhas agudas, como agudas são as observações que o Braga faz sobre a vida, os homens, as mulheres e as coisas. Suas flores são comumente geminadas, raramente solitárias. Aí parece haver uma contradição com a natureza do Braga, que combina solidão e geminação, mas, pensando bem, ele é um solitário orquidáceo comunicante, raramente desligado de outra flor.

Não há como não se encantar com esses presentes da natureza

Não há como não se encantar com esses presentes da natureza

Augusto Ruschi, sábio admirável, percebeu claramente a relação Braga-terra ao dedicar ao capitão a orquídea vermelho-púrpura. Não é todo mundo que merece virar nome de flor. A maioria merece justamente o contrário. No caso do Braga, se a orquídea souber, deve ficar satisfeita.”


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3 Comentários

Antonio f reis 20 de agosto de 2014 - 01:53

Que lindo Maya, Que bela ideia…………

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lisa santana 19 de agosto de 2014 - 17:37

Maya, adorei as orquídeas e Déa, que poema lindo!!!
E será mesmo que os a jornais também não foram feito para a alegria? Que pena!
Aliás, que horror!

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Déa Januzzi 19 de agosto de 2014 - 16:33

Maya, lembrei-me de um texto do escritor e jornalista Roberto Drummond, autor de Hilda Furacão que trata exatamente desse assunto, que você tocou. Veja que belo:

AS FLORES DO AMANHECER, DE ROBERTO DRUMMOND

“Jornal não foi feito para a alegria.
Se nasce uma flor em El Salvador, nunca saberemos dela, porque de
lá só nos chega o número de mortos do último atentado: a flor de El
Salvador é uma flor de sangue.
E se Bob Dylan fez uma nova canção em Nova Iorque.
E se o arroz floriu no Camboja.
E se um menino-Deus nasceu no ABC paulista.
E se alguém foi irmão com alguém na Baixada Fluminense.
E se um judeu abraçou um árabe em qualquer parte do mundo e foi
por ele também abraçado.
E se etc., etc., etc., etc. acontecer, não ficaremos sabendo, porque o
jornal está muito ocupado com a tempestade de neve ou a greve em Nova
Iorque, está muito ocupado com a morte no Camboja, muito ocupado com a
última greve no ABC paulista, muito ocupado com as matanças do
Esquadrão da Morte na Baixada Fluminense, muito ocupado com os
conflitos no Afeganistão, no Camboja, no Líbano, muito ocupado com a
última bomba em Israel, muito ocupado com os reféns de Teerã ou de
Bogotá, muito ocupado com os homens do mundo tentando fabricar uma
flor de pólvora.
Mas tem que ser assim: o jornal não foi feito para a alegria.”
(DRUMMOND, Roberto. As meninas de Minas de 1980: as flores do

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