"Um olhar sobre a vida aos 80 anos"

Por Maya Santana

O livro mais recente lançado pelo ex-presidente


No fundo estamos condenados ao mistério. As pessoas dizem, eu gostaria de sobreviver além da minha materialidade… Eu não acredito que vá sobreviver, mas , pelo menos na memória dos outros, você sobrevive.
Vivi intensamente isso com a perda da Ruth. Olhando para trás, é claro que ela estava com um problema grave de saúde. Apesar disso fizemos uma viagem longa e fascinante à China. É como se o problema não existisse. A gente sabe que um dia vai morrer e no entanto vive como se fosse eterno.
Depois da morte de Ruth e, mais recentemente, de outros amigos, como Juarez Brandão Lopes e Paulo Renato, eu me habituei a conversar com os que morreram. Não estou delirando. Os mortos queridos estão vivos dentro da gente. A memória que temos deles é real.

Com dona Ruth, a quem presta reverência


À medida que vamos ficando mais velhos, convivemos cada vez mais com a memória. Conversamos com os mortos. Por intermédio da Ruth, passei a lembrar mais dos outros que morreram, dos meus pais, meus avós. Os que morreram e nos foram queridos continuam a nos influenciar. O que não há mais é o contrário. Não podemos mais influenciá-los.
Eu não penso na morte. Sei que ela vem. Já senti a morte de perto. Não em mim. Senti a morte de perto nos meus. E procuro conviver com ela através da memória. Os que se foram continuam na minha memória e eu converso com eles. Minha mãe, meu pai, minha avó, minha mulher, meu irmão, meus amigos que se foram são meus referentes íntimos. Tudo isso constitui uma comunidade – posso usar a palavra – espiritual, que transcende o dia a dia.
Então, a morte existe, ela é parte da vida, é angustiante, não se sabe nunca quando ela vai ocorrer. Eu só peço que ela seja indolor. Não sei se será Ninguém sabe como e quando vai morrer. Pessoalmente, tenho mais medo do sofrimento que leva à morte do que da morte propriamente dita.

O livro mais recente lançado pelo ex-presidente


Se não é possível ter a pretensão utópica de sobreviver como pessoa física, é possível ter a aspiração de viver na memória, começando por conviver com a memória dos que se foram. Isso tem alguma materialidade? Nenhuma. Isso é científico? Não é. Mas é uma maneira de você acalmar sua angústia existencial. Leia mais em zelmar.blogspot.com.br


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0 Comentários

Jornalista Maria Cavalcanti 8 de março de 2013 - 13:46

Vade retro!

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Jornalista Maria Cavalcanti 18 de fevereiro de 2013 - 12:16

Em tempo: nos primeiros dezoito meses de presidente da república, Fernando Henrique Cardoso viajou dezoito vezes ao exterior, com dinheiro de impostos pagos pelo Povo do Brasil.

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Jornalista Maria Cavalcanti 17 de fevereiro de 2013 - 21:43

Absolutamente perverso Fernando Henrique Cardoso criou o mais perverso imposto do mundo: CPMF [contribuição provisória sobre movimentação financeira], e fez do brasileiro o único trabalhador do mundo obrigado a pagar imposto para sacar o salário no banco. Observe: recebimento de salário é movimentação salarial; não movimentação financeira. O brasileiro no entanto, abaixou a cabeça, calou a boca e pagou, acreditando na mentira de Fernando Henrique Cardoso: CPMF destinava-se a salvar vidas nos hospitais públicos do Brasil. Anos depois foi que se soube que genocida Fernando Henrique Cardoso desviou todo o dinheiro da CPMF, até o último centavo. E nem um real foi usado para salvar vidas em hospital nenhum do Brasil, porque Fernando Henrique Cardoso não deixou.

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Jornalista Maria Cavalcanti 14 de fevereiro de 2013 - 12:06

Ler Fernando Henrique Cardoso é suicídio mental.

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Jornalista Maria Cavalcanti 25 de janeiro de 2013 - 23:35

Malandro de luxo! Adultero mentiroso, mentia todo dia para a mae dos filhos dele. Em assim sendo, para quem mais nao mentiria?

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ana maria 2 de dezembro de 2012 - 13:17

Li o livro e recomendo a todos que leiam. FHC fala de temas diíceis de uma maneira muito clara, como a Primavera Árabe, os Estados Unidos no atual cenário internacional, o capitalismo da China. Realmente FHC é o grande intelectual do Brasil. Além do mais, é elegante e bonito. Adoraria dar uma paquerada nele!

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