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Um pouco da história de uma jornalista pioneira

Por Maya Santana

Sandra tinha 23 anos quando foi ser correspondente da Globo em Londres

Sandra tinha 23 anos quando foi ser correspondente da TV Globo em Londres

Depoimento da jornalista Sandra Passarinho colhido pela jornalista Ana Maria Cavalcanti:

Todo dia ao acordar cuido dos meus dois gatos: limpar xixi, cocô,  trocar os potinhos de ração e água, e brincar com eles.Eles reclamam se não recebem carinho, e tem que ser na hora que desejam! Passei a ser mais feliz quando descobri os gatos. Eles me ensinam a ser gente. Sabem mais de mim do que eu  deles.

Tenho quase 65 anos. Trabalho hoje como repórter do jeito que sempre trabalhei, pra lá e pra cá, com horários enrolados (para a maioria das pessoas). Faço o que há para ser feito, reportagens do cotidiano ou especiais. Tem uma diferença agora: não faço mais plantão em finais de semana,  só em circunstâncias especiais, como Natal ou Ano Novo, em que a toda a equipe se reveza. É um ganho em qualidade de vida ter finais de semana livres, sem dúvida. E a essa altura do campeonato, com tanto tempo de estrada,  acho que eu mereço, não é?

Ao centro, com a diretoria do Jornal Nacional

Ao centro, com a diretoria do Jornal Nacional

A profissão me encontrou, eu não a procurei. Apenas entrei pela porta que se abria quando era bem jovem, aos 19 anos, e fui em frente. Eu não tinha medo de nada, tudo era novo. Sempre fui uma pessoa curiosa. Repórter tem que ter curiosidade visceral, caso contrário não dá certo.  Aos 23 anos, fui enviada como correspondente da TV Globo para a Europa. Era um trabalhão danado. Eu viajava o tempo todo, não tinha dia nem hora pra nada, uma coisa louca, o cinegrafista e eu, uma  espécie de equipe Brancaleone fincando nossa bandeira mundo afora. Foi muito bom!

Apesar de já exibir  fios de cabelo branco, não me sinto discriminada pela idade, as pessoas tendem a me olhar com respeito.Tenho a impressão que, se alguém não se incomoda com a idade que tem, os outros percebem isso também. E quem se incomoda, o problema é deles e não meu. A pessoa fica velha mesmo quando não quer aprender mais nada.

Procuro manter a forma na academia. Ando a pé o máximo possível para fazer atividades rotineiras, como ir comprar pão, ir à farmácia ou à banca de jornal. Mas não sou fanática pelos exercícios físicos. Às vezes, não dá pra fazer por falta de tempo ou porque estou viajando, ou simplesmente porque estou sem vontade. A gente tem que ter prazer no que faz.

Adoro viajar e sou uma criatura itinerante desde a adolescência. Já estive em todos os continentes e conheço o Brasil de cabo a rabo. Uma das graças da viagem é voltar pra casa, pro meu canto. Viajar me aproxima de outras culturas, do que é diferente de mim. Ao mesmo tempo, sempre me faz valorizar o que é meu, ter saudade e querer voltar. Às vezes, a distância a gente se enxerga melhor.

Não sei se a idade necessariamente  melhora as pessoas. Tem gente que até piora… Basicamente, continuamos a ser o que sempre fomos. Mas, é claro que podemos aparar arestas, dentro das nossas limitações. O Tempo é o senhor da vida,  temos que nos entender com ele, senão, babau…

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2 Comentários

Maria José do Carmo Mámori 20 de maio de 2015 - 02:52

Lhe admiro. Muito Sandra!!!

Responder
MARINEZ MARAVALHAS 6 de maio de 2014 - 16:01

Muito bom!

Responder

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