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Um tipo de clínica de repouso nos EUA pode revolucionar a velhice

Por Maya Santana

Nas Green Houses, os residentes têm mais independência e as instalações são menos institucionais –uma grande melhoria em relação à maioria dos lares de idosos

Maya Santana, 50emais

Há poucos dias, visitei um asilo para velhos. E fiquei desolada. Na verdade, fui ao asilo doar roupas e talheres. Logo que cheguei, percebi que, à parte um aparelho de TV – ligado, mas sem som -,os velhos não têm qualquer outro tipo de diversão. Ficam ali dispersos, olhando para o tempo, esperando a morte chegar. Ainda estou me perguntando o que eu poderia fazer para ajudar aquele asilo simples a tornar um pouco mais rica, menos tediosa, a vida de homens e mulheres na etapa final de suas existências. Com isso na cabeça, recebo da minha querida amiga Elza Cataldo a sugestão para postar no 50emais esta matéria, traduzida do The New York Times e publicada no Uol. Fala de um tipo de clínica criada nos Estados Unidos que dá ênfase à privacidade e à independência de seus residentes, com uma rotina muito diferente dos asilos tradicionais. No projeto chamado”Green House”, ou Casa Verde, o esforço é para tornar o lugar o mais parecido com a casa da pessoa.

Leia:

Muitas coisas parecem diferentes quando se entra em uma pequena clínica de repouso da Green House.

O claro refeitório e a área de convivência, cheios de enfeites natalinos nesta época do ano. A cozinha aberta adjacente, onde a equipe prepara o almoço. Os quartos e banheiros privativos. A ausência de longos corredores desolados, carrinhos de medicação e outros lembretes de alas hospitalares.

Eu estava visitando a Green House Homes em Green Hill, centro de assistência médica contínua em West Orange, Nova Jersey, Estados Unidos. Dorothy Bagli, 91 anos, me mostrou seu quarto, com vista para o jardim e cheio de obras de arte de casa e fotos dos netos; seu filho é repórter do New York Times.

“Pude conhecer a maioria das pessoas que mora aqui”, diz ela -tarefa mais fácil quando existem apenas dez residentes.

O convívio com outros residentes é fundamental

“É bem íntimo. Lembra muito uma casa”, concorda Eleanor Leonardis, que não quis revelar a idade e está se recuperando de um tombo feio.

Contudo, o que mais me chamou a atenção foi um homem sentado sozinho à mesa comunitária, tomando o mingau de aveia matinal –ao meio-dia. A equipe sabe que ele não gosta de comer logo pela manhã.

Em casas de repouso tradicionais, os funcionários têm de correr para tirar os moradores da cama, ajudar a se vestir, acompanhá-los à sala de jantar quando o café for servido e, talvez, conduzi-los à fisioterapia. Lugares assim sofrem para garantir um mínimo de autonomia pessoal.

Aqui, fisioterapeutas vêm às casas da Green House. Caso um morador ainda esteja dormindo, voltam mais tarde.

O Green House Project, que, em 2003, abriu sua primeira pequena clínica geriátrica em Tupelo, Mississippi, conta com apenas 242 casas licenciadas em 32 estados até agora, com mais 150 em diversos estágios de planejamento ou construção; a seguir: Bartlett, Tennessee, Lima, Ohio, e Little Rock, Arkansas. Isso é uma gota de água entre as mais de 15 mil clínicas de repouso dos EUA. Porém, poucos aspectos do envelhecimento geram tanto horror antecipado quanto os asilos e, assim, as Green Houses atraíram atenção desproporcional, incluindo cobertura da imprensa.

Elas pareciam personificar a mudança. “Os números ainda são modestos, mas é verdadeiramente um modelo diferente de assistência”, afirma Sheryl Zimmerman, gerontologista e pesquisadora de serviços de saúde da Universidade da Carolina do Norte, campus de Chapel Hill.

Profissionais, amigos e familiares cantam canções de Natal para moradores em uma Green House

Isso ainda não estava claro, até que Zimmerman e uma equipe de pesquisadores realizaram o levantamento mais abrangente até agora sobre o formato e sobre como os novatos estavam se saindo. “O modelo funciona?”, ela questiona. “É sustentável e pode ser reproduzido?”

O estudo de quase cem Green Houses comparadas com casas de repouso comuns, financiado com US$ 2 milhões da Fundação Robert Wood Johnson e publicado em “Health Services Research”, mostrou que os recém-chegados não cumprem todas as suas metas e promessas.

Embora o “controle dos ritmos do dia” represente um pilar da vida na Green House, como afirma um de seus folhetos, os pesquisadores descobriram que quase um terço das casas não permitia que os moradores decidissem a hora de acordar e a maioria restringia a hora em que poderiam tomar banho. Na comparação com clínicas de repouso tradicionais, a Green House apresenta uma probabilidade muito menor de oferecer atividades normais.

Contudo, no geral, o estudo, que engloba nove anos de dados, termina com uma nota positiva. “Comparadas às clínicas tradicionais, sem dúvida, é um modelo preferível de atendimento”, afirma Zimmerman.

– A Green House designa os mesmos funcionários para os mesmos residentes. “As pessoas conhecem você. Sabem do que gosta ou não. Existe maior confiança e familiaridade. As relações se formam”, diz Zimmerman. Clique aqui para ler mais.

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1 Comentários

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Marcia 2 de janeiro de 2018 - 15:37

É abdusda e devastadora constatar a diferença q existe aqui no Brasil e lá fora! Mais q triste, absurda msm! Será q o custo é tão diferente? É óbvio q precisa investimento, mas mto mais q isso! Uma mudança de visão de pensamento, de ação! Me pergunto será q é tão difícil? Quem sabe ações nesse sentido, levadas ao próprio governo, e a iniciativas privadas já tendo os modelos e exemplos não fariam toda a diferença? Temos q tentar, uma andorinha sozinha não faz verão. Que bom seria conseguir mudar e alcançar isso!

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