Uma das maiores ativistas contra o tráfico humano

Por Maya Santana
Susana Trimarco, 58 anos, não sabe o paradeiro da filha

Susana Trimarco, 58 anos, procura pela filha, que sumiu em abril de 2002

Scott Johnson

Susana Trimarco tem muitas perguntas, mas todas acabam numa só: o que aconteceu com sua filha, María de los Ángeles Verón, mais conhecida na Argentina como Marita, desaparecida há uma década? Aos 58 anos, Susana fala rápido e em tom passional sobre a filha, que tinha 23 anos quando tudo ocorreu. Olha dentro dos olhos de sua neta, Sol Micaela, de 13 anos, e percebe a semelhança física com Marita – o cabelo escuro, os olhos oblíquos, as pálpebras pesadas, as bochechas rosadas típicas de uma adolescente. Para ela mesma e para quem quer que a ouça, Susana pergunta: “Onde está você, mi hija, mi vida? Vou vê-la de novo algum dia?”.

A Argentina tem uma herança amarga de 14 mil desaparecidos políticos durante a ditadura, segundo dados oficiais. Desde a redemocratização, em 1983, casos de desaparecimento eram encarados como problemas pessoais da família da vítima. O tráfico de pessoas ainda não era um crime na Argentina em abril de 2002, quando Marita sumiu a meio quarteirão da casa da mãe. A prostituição era – e ainda é – legalizada no país. Um raciocínio amplamente aceito era que uma pessoa envolvida no mercado do sexo o fazia por opção própria. E era disso que a maioria suspeitava em relação a Marita.

Susana com a filha pouco antes dela desaparecer

Susana com Marita, pouco antes da criança desaparecer, há 10 anos

Ao longo dos anos, essa percepção começou a mudar, muito porque Susana batalhou sem recuar um centímetro. “Quando o assunto é tráfico de pessoas na Argentina e em toda a América Latina, há um antes e depois do caso Marita”, diz Marcelo Colombo, procurador federal e diretor da agência argentina de combate a esse crime. “As conquistas de Susana nessa área são incalculáveis.” Seus esforços lhe renderam grande reconhecimento em seu país e no exterior. Em 2007, em Washington, a ex-secretária de Estado Condoleezza Rice a presenteou com o prêmio Mulheres de Bravura. Em outubro deste ano, a presidente Cristina Kirchner recebeu Susana e Micaela em sua casa. Em abril, uma entidade argentina de advogados defendeu seu nome para o Prêmio Nobel da Paz.

Graças à persistência de Susana, a Argentina transformou o tráfico de pessoas em crime federal, em 2008. De lá para cá, mais de 3 mil vítimas foram resgatadas em operações policiais. A própria Susana já resgatou mais de 150 jovens, algumas de até 12 anos, quase sempre com um risco de morte. “Não me importo se me matarem”, afirma. “Meu imenso amor por Marita é maior e mais forte que qualquer coisa que possam fazer contra mim.” Ela criou a Fundação María de los Ángeles para ajudar a encontrar sequestrados por redes do tráfico. As Nações Unidas estimam que o tráfico humano movimente mais de US$ 31 bilhões por ano. É o segundo mais lucrativo mercado ilícito na economia global, depois do comércio de drogas. Cerca de 2,5 milhões de pessoas são sequestradas todo ano. Metade são crianças. Continua em http://migre.me/cHHvi


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