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Uma forma polêmica de tentar evitar o estupro

Por Maya Santana

Short promete ser resistente à cortes. Além disso, travas impedem que ele seja arrancado por puxões

Short promete ser resistente à cortes – travas impedem que ele seja arrancado por puxões

Sempre que me deparo com uma notícia sobre estupro no Brasil leio. É um tema que me intriga porque, embora sejamos o sétimo país do mundo em violência contra a mulher, não há um debate no país sobre essa verdadeira praga. Só no ano passado, mais de 50 mil mulheres foram estupradas aqui – quase 140 por dia.  O que fomenta, senão a impunidade, esta indústria que mutila psiquicamente suas vítimas e deixa marcas para sempre? Quantos dos estupradores foram punidos? Eu fico me perguntando quando homens e mulheres vão se conscientizar e dar um basta num problema que se torna mais grave a cada ano. Agora, uma empresa dos Estados Unidos criou um short, prometendo  ser uma barreira que estuprador algum conseguirá transpor.  Minha opinião é que esse short pode ser uma armadilha: na hora que o cara não conseguir removê-lo, pode ficar ainda mais violento.

Leia o artigo publicado pelo portal Uai:

A discussão sobre o estupro é polêmica em todos os âmbitos – inclusive no que diz respeito às formas de evitá-lo. A mais recente delas é um short antiestupro desenvolvido por uma empresa norte-americana, que promete criar uma barreira intransponível contra agressores. Mas há como evitar o estupro sem ferir as diferentes formas de liberdade da mulher? A responsável pela Delegacia Especializada de Atendimentos à Mulher de Belo Horizonte, Margaret de Freitas Assis Rocha, acredita que, por mais que algumas situações possam ajudar a prevenir que o crime aconteça, nada justifica a mulher ser cerceada de seus direitos.

No entanto, mais de um século após o sufrágio universal, em uma era em que mulheres governam países e chefiam empresas multinacionais, a delegada ressalta que ainda é necessário encontrar “uma maneira para que as mulheres possam andar em liberdade”. “Nossa sociedade ainda é machista e patriarcal e não possibilita isso. A mulher é desenhada como um objeto de posse. O ideal é que possamos andar com liberdade e isso inclui escolher com quem manter relações sexuais”, ressalta.

Mas o ideal parece longe de ser realidade. No Brasil, os estupros ainda são um problema de segurança grave. Na última edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que contém dados sobre todas os boletins de ocorrência registrados em 2012, o número desses crimes no país superou os de homicídios dolosos (aqueles em que não há a intenção de matar). No ano, foram registrados 50.617 casos de estupro, o que equivale a 26,1 estupros por grupo de 100 mil habitantes. A marca representa um aumento de 18,17% em relação a 2011, quando a taxa foi de 22,1 por grupo de 100 mil.

Em meio a um mar de opiniões, uma empresa norte-americana criou um short antiestupro como alternativa para inibir o crime. De outubro a meados de novembro de 2013 ela tentou arrecadar fundos, por meio de um site de crowd funding, para colocar o projeto em prática. E a ideia deu certo. Onze dias antes do fim da campanha, a AR Wear já tinha ultrapassado sua marca pré-estabelecida de doações arrecadando mais de US$ 51 mil. A um dia do fim das arrecadações, data em que essa matéria foi publicada, a empresa conseguiu mais de US$ 54.539 mil. A aposta dos investidores mostra que, mesmo provocando revolta em muitos grupos e sendo o centro de uma polêmica internacional sobre a prevenção do crime, a iniciativa tem muitos apoiadores.

Apesar de dar espaço para dúvidas sobre sua real capacidade de impedir um agressor armado de concretizar o ato, a vestimenta se apresenta como uma possibilidade viável para evitar assédios após o consumo excessivo de álcool ou até em casos em que a vítima for drogada. Se a proposta dará certo ou não, ainda não é possível dizer. “Acredito que isso irá depender do contexto. Se o agressor tiver tempo para tentar, pode ser que ele faça o possível para ultrapassar esse obstáculo”, comenta a delegada. “Se isso vai inibi-lo ou não, não dá para dizer. Outra questão é se isso pode deixar a pessoa mais enfurecida. É uma possibilidade”, pontua. Clique aqui para ler mais.

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