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Uma homenagem do 50emais a todos os poetas

Por Maya Santana

A encarnação do outono existencial

Me olho no espelho e não vejo quem desejo, estou a me desmanchar

Hoje, 20 de outubro, é o Dia do Poeta. De todos os dias do ano dedicados às profissões, este talvez seja o mais bonito. O que seria de nós sem os poetas? Para homenageá-los, um dos poemas que mais gosto no livro “Os Peixes do Meu Pano de Prato”, que Elisa Santana acaba de lançar. Ganhou o título de “Tempos Depois”:

Me olho no espelho
E não vejo quem desejo
Estou a me desmanchar.
Não são os mesmos
O contorno dos meus olhos
Da minha boca
Dos meus braços
Dos meus seios
Do meu corpo
Me horrorizo.
Meu grito mudo
Estilhaça o espelho
Em mil pedaços
Quase desesperada
Penso
Ainda não é meia-noite
E já estou perdendo meu encanto?
Quero parar o tempo.
Recuperar o meu rosto
O meu corpo de ontem
Tento me inventar outra
E me vejo a praguejar
Tempo infinito
Tempo Maldito
Porque insiste em
Me fazer passar?
Porque passo pela dor de mudar?
Respiro
Aos poucos me serenizo.
E o trem para em outra estação
Que não é exatamente a do Verão
Mas que me faz concluir
Que o que senti há pouco
É quase uma bobagem
Como posso impedir o tempo
De caminhar?
Se eternizo o meu corpo
Perco o lugar onde guardar
As histórias que tenho pra contar.
E são elas
Minhas riquezas
Meu ouro
Concluo
Entre chateada e encantada
Que é da lei
Da vida
Do tempo
Tudo estar em movimento.
E que tudo é circular.
Se eles levam parte de mim agora
Paciência
Num outro tempo
De outra forma
Talvez em outro lugar
O Cosmo dará um jeito
E de novo
E inteira
Eu volto a brotar.

Lisa Santana é Professora de Artes Cênicas na PUC de Minas e Poeta.

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4 Comentários

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Antonio f reis 20 de outubro de 2014 - 23:18

Viva os poetas ,viva Lisa e seu novo e primeiro livro , e aguardarmos o proximo ,i just love it. Parabens…………………

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lisa santana 20 de outubro de 2014 - 21:25

Ei Carmem, sou atriz. Na realidade, todas as experiências nas artes valem. Acredito que tenho muitas aptidões e tenho ouvido todas elas.Tudo é fruto de muito trabalho. Neste momento estou escrevendo e daqui a pouco lançando um CD de músicas compostas por mim que espero, com prazer, que você venha a escutar. E concordo com você quanto à semiótica, pois sou graduada em letras e tive o prazer de ler o mundo através dela. Como o mundo se amplia com ela, não? A minha poesia nasce de todas as minhas experiências vividas e lidas. Te agradeço as boas palavras. E pena, não tenho facebook para conversarmos mais. seria um prazer. grande abraço.

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lisa santana 20 de outubro de 2014 - 12:38

Maya, obrigada sempre pela delicadeza da homenagem e mais ainda por ter escolhido um poema meu. Beijos.

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carmen lucia cruz lima gerlach 20 de outubro de 2014 - 11:29

Tive o prazer de apreciar muito sua poesia de hoje, “desmanchamos mas temos muitas histórias para contar”, “ainda não é meia-noite e já estou perdendo meu encanto”? em sentido inverso fica conclusivo. Assim invertido parece estar lidando com seus fetiches.
Marinez medisse seres bailarina e cantora também. Que sorte não é? Tantos talentos.
Pensei agora na semiótica de todos esses sinais, eu que só sou tradutora fiquei mais rica quando estudei semiótica mas concordo, o que vale mesmo é a poesia. Parabéns. Meu facebook é Carmen Cruz Lima e sou de Floripa. Viva nossos mares…

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