Doente terminal escolhe quando e como vai partir

Por Maya Santana
Brittany Maynard, 29, sofre de câncer em estágio teminal e fez opção pela morte assistida

Brittany Maynard, 29, com câncer teminal: morte assistida

Mais de sete milhões de pessoas já assistiram ao vídeo em que a psicóloga americana Brittany Maynard, sofrendo de um câncer terminal, explica porque tomou a decisão de por fim à vida no dia primeiro de novembro. Ela conseguiu a permissão para recorrer ao suicídio assistido e lançou uma campanha para defender o direito das vítimas de doenças terminais de escolher quando e como querem partir.

Leia o artigo de Isabella Carreira para a revista Época:

A psicóloga americana Brittany Maynard começou a ter enxaquecas fortes e recorrentes no final de 2013, pouco tempo depois de se casar com Dan Diaz e em meio à tentativa de engravidar. Em janeiro deste ano ela foi diagnosticada, aos 29 anos, com um dos tipos mais graves de tumor cerebral maligno, chamado glioblastoma. Brittany logo foi submetida a duas cirurgias, que contiveram o câncer e renderam-lhe um prognóstico de mais dez anos de vida. Em abril, porém, os médicos constataram que o tumor voltou maior e mais agressivo. O prognóstico de vida mudou para só seis meses.

A psicóloga com o marido

A psicóloga com o marido, Dan Diaz

Pesquisando as opções de tratamento, ela percebeu que a única alternativa para o seu caso era a radiação do cérebro, cujos efeitos colaterais incluíam perda de cabelo, queimaduras na pele e uma limitação drástica da qualidade de vida da qual ela desfrutava até então. Mesmo assim, as chances de ela ser curada eram quase nulas. “Eu provavelmente sofreria em um hospício por semanas ou até meses. E minha família teria de assistir a isso”, disse.

Foi então que Britanny tomou a decisão de recorrer ao suicídio assistido, prática médica que permite, em termos legais, o paciente com câncer terminal a tirar a própria vida no momento em que desejar. O procedimento é permitido por lei em cinco estados americanos: Montana, Novo México, Vermont, Washington e Oregon. Outros sete distritos estão estudando projetos similares. No começo do ano, ela se mudou junto à família da Califórnia, onde morava, para a cidade de Portland, em Oregon. Lá, poderia viajar a lugares que sempre quis conhecer e passar seus últimos dias em paz ao lado de quem gosta.

Em um artigo que escreveu para o site da emissora CNN, ela disse: “Depois de meses de pesquisas, minha família e eu chegamos a uma conclusão dolorosa: não existe um tratamento que possa salvar minha vida, e os tratamentos que me foram recomendados destruiriam o tempo que me resta”. Em seguida, afirmou: “Decidi que a morte com dignidade era a melhor opção para mim e minha família.”

Esta semana, Brittany definiu o dia 1º de novembro como a data em que pretende morrer, caso seu estado não melhore de um jeito significativo até lá. Ela também afirmou que deseja se despedir da mãe, padastro, marido e melhor amiga, que estão acompanhando a moça, deitada em sua própria cama. Segundo ela, as dores, perdas de memória e articulação da fala estão cada vez piores. Mesmo assim, Britanny gostaria de esperar pelo aniversário do marido, dia 26 de outubro. “Acho que demorou um pouco para a minha família entender que isso tudo fazia sentido porque ninguém quer ouvir que sua filha vai morrer”, disse a americana, hoje apoiada por seus familiares. “Como o resto do meu corpo é jovem e saudável, pode ser que eu aguente fisicamente por um bom tempo enquanto o câncer vai corroendo a minha mente”.

A história ficou famosa quando um vídeo (abaixo), no qual ela explica sua escolha, passou a ser compartilhado nas redes sociais (7 milhões de visualizações), levantando um debate polêmico sobre até que ponto a decisão de morrer deve caber inteiramente à pessoa doente. Maynard também vem trabalhando como voluntária do Compassion & Choices e criou a Brittany Maynard Fund, ambas organizações defensoras do direito à eutanásia e à morte com dignidade. Clique aqui para ler mais.


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1 Comentários

Fernanda Santana 16 de outubro de 2014 - 11:29

Uma decisão muito difícil mas coerente! Outras vidas virão para Brittany, essa vida que ela tem agora é apenas uma etapa de muitas que virão.

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