
Miriam Moura
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Filósofo, ensaísta, crítico literário, tradutor e sociólogo, Walter Benjamin é um intelectual que marcou sua época de forma singular. Aprofundar o conhecimento sobre o pensamento desse autor está entre meus planos de estudos. Judeu alemão nascido em 1892, Benjamin suicidou-se em 1940 para escapar do nazismo. O mundo perdeu uma das mentes mais influentes do século XX.
Para uma profissional de comunicação, jornalista, curadora de conteúdo e amante da Arte em geral, a leitura de Walter Benjamin é um prazer, uma sucessão de descobertas e insights que ajudam a compreender um pouco mais a complexidade das turbulências atuais.
Benjamin é um pensador original da modernidade e sua obra continua impressionantemente atual, seja qual for sua área de interesse. Ao criticar as contradições do capitalismo moderno (há cerca de 90 anos) ele combinou o misticismo judaico, o marxismo e a crítica romântica. Foi uma espécie de grande intérprete da era moderna, muitas vezes incompreendido.
Um de seus ensaios mais importantes, escrito em 1935, é “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”. É uma fonte constante de consulta, geradora de sinapses em várias linhas de pesquisa. A área de influência de Benjamin é vasta, seja no campo dos Estudos Culturais, nos estudos sobre mídia, arquitetura e política.
No ensaio sobre arte ele argumenta que a obra mecanicamente reproduzida (como a fotografia ou o cinema) perde sua “aura”, ou seja, sua autenticidade, unicidade e mesmo o distanciamento sagrado que possuía antes. Esse texto é considerado um esforço do filósofo para fazer uma teoria materialista da arte.

Os trabalhos de Walter Benjamin oferecem possibilidades de interpretações conectadas com a realidade contemporânea. Seu estilo de escrever ao modo de teses nasceu de um sentimento de urgência, observa o organizador e autor do prefácio na edição da L&PM, Márcio Seligman-Silva. Na esteira dessas reflexões, gosto de imaginar o que diria hoje Walter Benjamin se fosse analisar a obra de arte na era da inteligência artificial (IA).
Em 1935, o filósofo fala, entre outras coisas, na perda do “aqui e agora” da arte com a possibilidade de ser reproduzida. Se a privação desse tempo de presença único ocorreu no século anterior, imaginem na realidade atual de onipresença da IA.
Meu objetivo é avaliar se não ocorre também hoje uma espécie similar de perda no ecossistema da comunicação digital da contemporaneidade. Não terão hoje também a narrativa, a escrita autoral, o trabalho manual e solitário do escritor contemporâneo perdido sua “aura” inconfundível?
Eu apostaria que, se fosse investigar agora com a expansão de IA, hiperconectividade, avalanche de informação), provavelmente Benjamin seria até mais incisivo. Pode-se dizer que estamos na pós-era da aura, de reprodutibilidade radical. No cenário atual, fica mais difícil a cada dia identificar se um texto, um post ou memes disseminados nas mídias digitais são de autoria humana.
“Em Benjamin, o estudo da estética confundia-se com uma análise social e uma crítica da cultura”, diz Márcio Seligman-Silva. Ele afirma que o projeto de Walter Benjamin no famoso texto sobre as “Passagens” de Paris (que não chegou a ser finalizado) visava uma espécie de elaboração do século XIX.
Como parte desse empreendimento, o filósofo queria estudar os novos meios de composição, reprodução e divulgação das artes. Passagens são as formações técnico-arquitetônicas em ferro do século XIX, “novos regimes de visualidade e de percepção do mundo, diretamente determinados pelas aceleradas mudanças técnicas”. Para Benjamin, a técnica sempre determina nossos modos de percepção.
No mundo pós-Walter Benjamin, de “Passagens” pós-reais, fica uma pergunta à espera de respostas:
Qual visão de mundo ditará a tecnologia pós-humana?
Conheça um pouco mais de Walter Benjamin:

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