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Velhas amigas e suas lições de sexualidade

Por Maya Santana

Lembranças

São amigas. Visitam-se sempre. Rezam quando precisam. Riem quando pode

Juliana Doretto

Têm entre 60 e 80 anos. Casadas, viúvas, divorciadas. São amigas. Visitam-se sempre. Rezam quando precisam. Riem quando pode. Choram quando não conseguem segurar. Trocam xícaras de café: um dia, o cheirinho da bebida quente sai da casa de uma; outro dia, da casa de outra. Falam de tudo. Tudo mesmo. E um dia acompanhei um dos assuntos menos debatidos, mas mais divertidos: sexo.

As que viveram na zona rural descreviam as aventuras embaixo de pés de café, em cima de carrapicho, ao lado de pés de mamão. E as formigas não atrapalham?, aticei. “Minha filha, nessa hora, a gente fazia tanta bagunça que elas morriam todas!”. E os espinhos?, continuei. “Até ajuda!”. E fartaram-se de rir.

Uma delas, viúva, lembra com saudade do marido. “Ele era tão bom…” E ela não estava falando do caráter do companheiro, apesar de elogiá-lo nesse quesito também. Pelas minhas contas, fizeram sexo até os 70 e muitos anos: apenas a grave doença que o atingiu os fez parar com as atividades amorosas… “A senhora só teve ele?”, perguntei, já esperando a confirmação – que veio, mas sem nenhum sinal de arrependimento.  Amaram-se muito…

Ela ainda brinca que agora quer um mais moço, que domine bem o “tcheco-tcheco” (ou alguma coisa parecida, mas foi tanta risada que a memória desta que voz fala não conseguiu reter a expressão…). “De 30?”, perguntei. “Não, 18!”

As amigas discutiram sobre o tamanho do órgão sexual masculino – por experiência, destruíram o mito sobre os homens orientais. Contaram sobre as paqueras de um velhinho viúvo, que leva folhetos de missa para uma delas, como desculpa para vê-la. Narraram as ocasiões em que os filhos foram “produzidos”: “Meu marido me perguntou: ‘Quais as chances de você engravidar?’. E eu disse: ‘Todas!’”.

“E você não tem vergonha de falar sobre essas coisas?”, perguntou-me uma delas. “Não, é muito natural”, sorri, tranquilizando-a. Não, não estava escandalizada ou acanhada. Estava muito feliz. Porque estava aprendendo uma nova lição com aquelas mulheres.

Sim, o sexo – ainda hoje um certo tabu – era assunto proibido na época delas. Elas pouco sabiam sobre sexualidade e não falavam sobre o assunto abertamente com quase ninguém, mas descobriram, cada uma como pôde, como conseguir prazer. Não parecem ter tentado aprender mil e uma posições nem conseguem comparar as performances dos maridos às de outros homens. São felizes, sexualmente falando, sem ter lido nenhum manual ou livro de autoajuda. Desvendaram o sexo com naturalidade e dele falam com alegria. (Fonte: Blog da Ruth, revista Época)

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1 Comentários

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lisa santana 3 de outubro de 2013 - 12:53

Que delícia! Adorei!

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