Velhice ficou fora dos debates de presidenciáveis

Por Maya Santana
Zuenir Ventura, 84, é um ícone do jornalismo carioca

Zuenir Ventura, 84, é um ícone do jornalismo carioca

Li esta crônica do jornalista Zuenir Ventura, 84, publicada em O Globo, e achei que deveria postá-la no 50emais. Zuenir é um dos jornalistas mais respeitados do Brasil. Aqui, ele fala de assuntos que interessam a todo mundo que já passou dos 50.

Confira:

A velhice não é um tema que mobilize os governos, a não ser para considerá-la um estorvo que custa aos cofres públicos não sei quanto e que, ainda por cima, não produz. Agora mesmo acho que nem chegou a ser citada nos debates dos presidenciáveis. Os dois talvez se julguem distantes dessa faixa etária, sendo muito jovens, quem sabe, para se preocuparem com o problema, preferem os ataques e as ofensas pessoais, o baixo nível (até quando vamos aguentar esse modelo de campanha?). Além do mais, para a cultura do consumo, a velhice não tem o glamour da juventude, embora o Brasil seja cada vez mais um país de cabelos brancos. Já são, ou melhor, somos, cerca de 26 milhões, e, em 2050, o número quase triplicará. Ou seja, temos futuro.

Como desforra ao descaso oficial, esta semana deixei de me interessar pela disputa eleitoral, trocando-a pelo IX Fórum de Longevidade Bradesco em SP, na proveitosa companhia de especialistas daqui e de fora, como o psicólogo americano John Gray, autor de “Homens são de Marte, mulheres são de Vênus”. Ali foram abordadas as diferenças do processo de envelhecimento entre homens e mulheres. Participei também no Rio (mas, aqui, depois de escrever esta coluna) não pelo saber, talvez como curiosidade. Acho que o gerontólogo Alexandre Kalache, curador do evento, queria mostrar como alguém na minha idade ainda conserva as funções vitais.

Nesse seminário em que as mulheres brilharam — as jovens coroas Mirian Goldenberg, Mary Del Priore e Cláudia Burlá foram as estrelas brasileiras —, a lição mais importante para mim foi aquela sintetizada por Mirian em “A bela velhice”, um livro que os velhos de hoje e os de amanhã deveriam ler. Desconstruindo preconceitos e estereótipos negativos, a antropóloga sugere os caminhos para tornar mais feliz a chamada terceira idade.

O primeiro deles é “não se aposentar de si mesmo ou mesma”, ou seja, ter um “projeto de vida”. É também fundamental valorizar a liberdade, buscar a felicidade, cultivar a amizade, aprender a dizer “não”, vencer os medos, aceitar a própria idade. Em suma, “viver intensamente o presente e dar muitas risadas”. Em outras palavras, eu acrescentaria a receita de Vinicius de Moraes, o poeta que mais entendia de vida: “A coisa mais divina/ Que há no mundo/ É viver cada segundo”.

L


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