Velhice não é drama, se você não é fixada em beleza

Por Maya Santana
Envelhecer é a chance de se libertar das obrigações da vida adulta

Mirian Goldenberg: Chance de se libertar das obrigações da vida adulta

O conceito da bela velhice foi criado pela conhecida antropóloga e escritora paulista Mirian Goldenberg, uma estudiosa do envelhecimento. Mirian falou sobre o tema ao participar do programa Café Filosófico, da TV Cultura, e citou a escritora francesa Simone de Beauvoir, para quem “quem investe muito na aparência vai ter uma velhice complicada”. Segundo a antropóloga, só terá direito à bela velhice, quem investir na criatividade, quem tiver novos projetos e quem enxergar essa fase da vida como um tempo de oportunidades.

Leia o artigo:

A velhice não é um problema para quem não se preocupa apenas com beleza. para muitos, é a chance de se libertar das obrigações da vida adulta e dar início a projetos e atividades criativas, diz a antropóloga mirian goldenberg no café filosófico cpfl

quem investe muito na aparência vai ter uma velhice complicada, escreve simone de beauvoir no livro “a velhice”. para a escritora francesa, é inevitável que o corpo se transforme, mas muitas pessoas, sobretudo mulheres, se transformam em monstros para disfarçar as mudanças inerentes à velhice.

“e para quem a velhice não é complicada? para quem tem projetos de vida ou investiu em outros capitais. por exemplo, para quem trabalha com a criatividade, como professores e escritores. muitos descobriram na velhice a sua vocação”, afirma a antropóloga mirian goldenberg no café filosófico cpfl que a tv cultura levou ao ar em 03 de agosto.

no programa, goldenberg citou o exemplo de artistas como caetano veloso, gilberto gil, chico buarque, rita lee e marieta severo para lançar um desafio: “duvido que alguém consiga encontrar neles um retrato negativo de envelhecimento. são pessoas chamadas “sem idade”. fazem parte de uma geração que não aceitará o imperativo ‘seja velho’”.

para a antropóloga, o trabalho com criatividade e a condução de projetos pessoais fazem da velhice uma oportunidade para a construção de uma nova vida. “em meu trabalho, encontrei homens e mulheres que depois os 60 foram cantar em coral. mulheres que foram dançar. que vão para as academias e vão fazer ginastica, ou pilates, e adoram fazer. que curtem os netos, não por obrigação, mas porque curtem passear, viajar, levar os netos ao cinema. que fazem cursos, palestras, faculdades. e vão ao teatro.”

ela diz identificar, no entanto, diferenças nas formas de encarar a velhice no discurso entre homens e mulheres. “o projeto de vida para os homens é mais ligado a atividades profissionais, mesmo não remuneradas, e às famílias. eles sempre falam da família de modo positivo. para as mulheres, não. as mulheres mais velhas não falam tanto de trabalho. o significado de vida para elas tem mais a ver com liberdade de escolha e coisas que não poderiam fazer antes. para muitas delas o casamento foi uma espécie de prisão: elas tiveram de cuidar da casa, dos maridos e dos filhos durante muitos anos.

segundo goldenberg, a chegada dessas mulheres à “bela velhice”, nome de seu livro inspirado na obra de simone de beauvoir, coincide com a libertação das obrigações dentro de casa. a sensação de liberdade tem início a partir dos 50 anos e se intensifica aos 60. “aos 75 fica excelente.”

Veja o programa:


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17 Comentários

Mariléa 23 de março de 2018 - 17:16

Adorei adorei!
É exatamente assim que eu me sinto, cheia de vida pronta para ir. Sem medo sem frescura sem cobrança.
Nunca consegui me descrever como vc conseguiu sem aí quer nunca ter me visto!
Parabéns pelo seu belo trabalho.

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Maria Cristina dos Santos 7 de janeiro de 2018 - 10:58

Retornando para pontuar que na realidade de idosos em nosso País não existe uma política pública que inserta o idoso em tudo isso que foi pontuado.
Que tal nos juntarmos ir lá na periferia resgatar a vontade de viver sem idade de idosos que querem ir ao cinema, ao teatro, ao pilates?
Vamos dar as mãos e levar ao senado projetos criativos. Quer?vamos?
Começa assim.
Abraço.

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Maria Cristina dos Santos 7 de janeiro de 2018 - 10:49

Assistindo sua palestra você pontua que as mulheres reclamam na velhice, lembrei que em mim eu quero liberdade e quando ñ encontro naquele momento em que eu quero vem em mim tudo que desgaste,sinto assim.
Agora vc fala das novas amigas,esse ponto é certo. Divirto_me muito e elas tb.Marcamos café, buffet, etc.
Parabéns!

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Maria Teresa Do Valle 7 de janeiro de 2018 - 10:09

Tenho 72 anos, frequento oficinas literárias e ganho algum troco fazendo revisões textuais. Acho legal o que a Miriam Goldenberg fala, mas falta tempo e dinheiro para fazer tudo aquilo. Os afazeres domésticos ainda ocupam o meu tempo e há um descompasso muito grande entre meu marido e eu. Como diz a Maria das Graças, “eu ainda tenho sede de vida”, mas
ele não. Também fecho com a Sueli Dias e Alice Bueno: exigir respeito e condições dignas para os idosos como no Japão.

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Maria das Graças Garcia Martins 2 de dezembro de 2017 - 10:11

Amei.
Tenho 67 e estou bem saber p onde ir. Perdida entre o cronológico que é jovem e o real já envelhecida.
Nunca fiz nenhum procedimrnto, mas confesso medo do espelho.
A depressão se instala devagar. Marido nem anda mais e eu tenho sede de vida. Obrigada.

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Rosa 6 de outubro de 2016 - 13:49

Fui precoce nessa liberdade…rs…
Ainda não desfrutando da Bela Velhice, mas com a certeza de saber traçar novas metas.

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Sueli 9 de agosto de 2015 - 22:53

Bem, a gente não tem tantas obrigações domésticas, como fazer almoço e jantar todo dia, levar e trazer filhos da escola, lavar e passar uma montanha de roupas…A rotina fica um poucos mais leve. Mas a casa não para. Tem que manter tudo no lugar, faxinar, limpar os banheiros, lavar roupas. A idade não nos liberta desses afazeres dos quais o companheiro muitas vezes, se recusa a colaborar, alegando que está velho e cansado. Com a renda menor não se pode ter empregados. Mas a mulher, ah!!! Tem que dar conta até o fim.

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Suely Dias 2 de dezembro de 2017 - 08:39

Verdade essa historia de liberdade depois do 60 depende tem muito aposentado trabalhando para se sustentar e obrigado a dar duro para comprar comida remedio é preciso enxergar dados reais o idoso no Brasil ainda precisa trabalhar para se sustentar é bom claro mas essa história de comparar caetano Veloso etc … Outra realidade sou microempresária e dou duro todos os dias nao tiro férias o imposto nao permite poderia largar tudo viajar fazer outras cousas…mas como me sustentar se a aposentadoria nao comporta e agora o governo pode ate dar calote em aposentado? Gosto do que faço mas esta enchendo demais essas histórias de melhor idade …envelhecencia… Conceitos fora da realidade somente para promover quem os inventa. Vamos respeitar o idoso como no Japão dar condições dignas.

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alicenBueno dos santos 5 de dezembro de 2017 - 18:30

vc Suely Dias escreveu muito bem ! Os Caetanos e Ritas não podem ser exemplos para mulheres com 60 anos ou mais, aposentadas e com ordenado que num dá sequer para pagar um bom pilates ou ter uma ajudante nos serviços diários da casa como cozinhar, lavar limpar etc!! Dá uma olhada na realidade senhora Miriam para depois falar em projetos como viagens, passeios, teatro e mesmo cinema!!! Também acho que é só promoção de quem inventa!! Respeito e condições dignas para o idoso!! Nenhuma politica para isto !!

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Eneida 9 de agosto de 2015 - 20:32

Interessante, mas percebi que todas as pessoas que ela citou estão mto bem física e profissionalmente!!!

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Fátima Borges 26 de novembro de 2014 - 16:38

Tenho 56 anos e achei muito oportuno o texto. Serviu-me de alerta para algo importante como ter um projeto de vida para a velhice. Não tenho ainda, mas percebo que não é tarde demais para criar um.

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Hosana Reis Caetano de Azevedo dias 2 de setembro de 2014 - 21:30

Uma antropóloga que acertou em cheio, pensando em tema tão importante para muitos que desejam a eterna juventude do corpo, impossível, e quem sabe não aprendem os valores reais da pessoa? Certamente não está na beleza do corpo, efêmero, senão nas conquistas como ser humano, de cujos valores é preciso conquistar e não se deprimir com o envelhecimento inexorável do corpo biológico. Somos mais que isso, somos uma consciência em evolução.

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Edith Muller dos Santos 31 de agosto de 2014 - 22:53

Parabéns.Obrigada por enaltecer a Verdadeira Velhice,como viver ,sem neuras mas com alegrias…Missão que buscamos depois de termos cumpridas tantas outras. Edith.67 anos ….

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Soraia 14 de agosto de 2014 - 20:22

Texto excelente.

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MARIA HELENA JORGE BITTAR 14 de agosto de 2014 - 15:46

Eu não a conhecia. Quando assistir ao programa Café Filosófico me apaixonei por suas idéias . Eu sou da geração do Chico, Caetano etc. Não consigo me sentir c/ os meus 68 anos e sou daquela q/ mente a idade. Mas confesso q/ amei as suas idéias e tenho pensado muito nelas .
Vamos q/ vamos

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nenezrick 13 de agosto de 2014 - 22:31

Muito bom!

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m.Clara Oliveira 10 de agosto de 2015 - 16:35

Tb estou de acordo com a litratura que acabei de ler merci

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