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Vida financeira: Aposentadoria consumirá 46% do PIB

Por Maya Santana

O Brasil está envelhecendo mais rapidamente do que o previsto

O Brasil está envelhecendo em ritmo mais acelerado do que o previsto. Isto acontece por causa da intensa queda da fecundidade e do aumento da expectativa de vida. Se nada for feito para preparar o país para este novo cenário, com cada vez mais idosos e menos crianças e população em idade ativa, uma pesquisa do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (Iess) estima que de 46% a 57% do PIB (a variação depende do crescimento da economia) estarão comprometidos apenas com a Previdência em 2030. Hoje, esta proporção é de 19%. A mesma pesquisa prevê também que o envelhecimento populacional trará impactos nos gastos com saúde pública, que crescerão 150% no mesmo período.

Além de preparar o país para garantir qualidade de vida à população idosa sem sacrificar crianças e jovens no futuro, as mudanças impõem também outro desafio: melhorar a produtividade da mão de obra. Haverá menos trabalhadores na ativa, e os que estarão ainda enfrentarão problemas como a baixa qualificação. A transição demográfica, no entanto, oferece também oportunidades para amenizar esses problemas. Com menos crianças na população, fica mais fácil aumentar o investimento per capita na infância.

Os autores do estudo do Iess defendem que as mudanças necessárias à preparação do país para este novo cenário não sejam mais adiadas.

O drama dos aposentados será ainda maior nos próximos anos

— A projeção que aponta que o país terá que gastar com a Previdência 46% do PIB daqui a 18 anos serve para deixar claro que um ajuste é necessário. Se começar agora é menos doloroso; quanto mais for postergado, pior fica. É hora de a sociedade ficar atenta, ou a próxima geração vai pagar — diz Luiz Augusto Carneiro, superintendente-executivo do Iess e professor da USP.

— Gastar mais de 40% do PIB com aposentadoria é levar o país a um colapso. Para evitar isso, imaginando que não mude a regra que cola o salário-mínimo ao benefício mínimo, a solução passa por um conjunto de medidas que pode, por exemplo, acabar com os diferentes tempos de contribuição para homens e mulheres — acrescenta Kaizô Beltrão, professor da FGV e um dos autores do estudo do Iess.

Outro estudo, coordenado pela pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Ana Amélia Camarano, projeta que a população do país começará a encolher, como reflexo dessa transição demográfica, antes do que se previa. A última projeção feita pelo IBGE, divulgada em 2008, apontava que esta queda começaria a acontecer a partir de 2040. Nas contas mais atualizadas feitas por Ana Amelia com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2011, a virada acontecerá em 2030. Leia mais em www.oglobo.com.br

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