Vik Muniz, o artista que vai além do retrato

Por Maya Santana
Vik, 51 anos, retratado por ele mesmo

Vik, 51 anos, retratado por ele mesmo

Adriana Abujamra

As críticas são várias, de que ele não se preocupa com a superexposição, de  que sua produção é “volumosa”, de que não tem pudores em criar lenços de seda  para grifes, de participar de campanha publicitária de shopping center ou de  fazer a abertura da novela “Passione”. Muniz lembra que canaliza o dinheiro de  patrocinadores, como Louis Vuitton, L’Oréal e Globo, para melhorar a vida de  quem participa de sua obra e afirma que só vive mesmo da venda de fotografias e  de palestras.

Elizabeth Taylor, feita com centenas de pequenos diamantes

Elizabeth Taylor, feita com centenas de pequenos diamantes

“Produzo um monte de coisa, sim, sou uma pessoa criativa. Isso é coisa do  pessoal conservador e provinciano que se beneficia com o fato de a arte ser para  poucos. Acham que tem que ter uma única imagem, aquele tipo de colecionador que  deseja a sua morte, sabe? Meu medo é esse negócio de arte se transformar numa  coisa de butique, em mera ferramenta de exclusão.”

Trabalhadora do grande lixão de Gramacho

Trabalhadora do grande lixão de Gramacho

O cachê ganho com a abertura da telenovela, ele diz, foi todo doado para a  ONG Spetaculu, que promove cursos de arte em comunidades carentes no Rio.  “Coloca aí no seu artigo”, e continua, agora escandindo as palavras: “Eu nunca  ganho dinheiro fazendo abertura de novela, ganho dinheiro com as vendas de  galeria. Arte é assim, ‘two for the heart, one for the money'”.

Morador do Jardim Gramacho retratado com lixo reciclado

Morador do Jardim Gramacho retratado com lixo reciclado

Vik Muniz vive e trabalha entre Nova York e Rio. Suas obras integram acervos  dos mais importantes museus de arte contemporânea do mundo – como o George  Pompidou, em Paris, o Guggenheim, em Nova York, o Reina Sofía, em Madri, e o  Inhotim, em Brumadinho (MG). Para criar suas imagens, que depois são ampliadas e  fotografadas, o artista costuma utilizar materiais inusitados. Há a Mona Lisa  feita em geleia e amendoim, o retrato de Elizabeth Taylor elaborado com centenas  de pequenos diamantes ou a Medusa de macarrão e molho marinara.

No filme “Lixo Extraordinário” (“Waste Land”), indicado para o Oscar de  documentário em 2011, é possível ver o trabalho de Muniz no aterro sanitário de  Jardim Gramacho, um dos maiores do mundo, que foi fechado no ano passado. Vik  Muniz arrecadou US$ 300 mil vendendo suas obras feitas com lixo em um leilão.  Todo o dinheiro foi doado para a Associação dos Catadores do Aterro.

Seu trabalho mais recente, “Espelhos de Papel” – em exposição até o dia 11 na  Galeria Nara Roesler, em São Paulo -, é uma série de obras em que o artista  revisita clássicos da história da arte em montagens visuais que fez a partir de  recortes de revista. Cada foto tem 12 tiragens – 6 em grande formato e 6  menores. Os preços variam de US$ 39 mil a US$ 59 mil. A tiragem pequena da  colagem que faz do “Female Model Standing Before a Mirror”, baseada na tela do  dinamarquês Eckersberg, por exemplo, já estava toda vendida antes mesmo do  início da exposição.  Leia mais em valor.com.br:

 


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1 Comentários

Toninho Reis 30 de abril de 2013 - 14:00

Grande artista, curto de montao o trabalho dele.

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