
O Brasil vive uma grande contradição: as mulheres são maioria do eleitorado, 52%, mas continuam sub-representadas nos espaços de poder. E um dos grandes motivos para isso é a violência política, que afasta mulheres da vida pública, desestimula novas candidaturas e transforma a disputa eleitoral em um ambiente muitas vezes hostil.
Essa violência não se resume a agressões físicas. Ela aparece em ataques sexistas, ameaças, humilhações, desqualificação da capacidade intelectual, comentários sobre aparência, vida pessoal e família, além de campanhas de difamação e disseminação de informações falsas. Nas redes sociais, o problema ganha uma dimensão ainda maior.
O próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reconhece que ataques contra mulheres frequentemente assumem caráter sexista e podem atingir filhos, companheiros e familiares. A Corte também alerta que a violência política de gênero é um obstáculo à participação feminina.
Lei precisa funcionar
A legislação brasileira já reconhece a violência política de gênero como crime. O Código Eleitoral prevê punição para quem assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar uma candidata ou detentora de mandato com a finalidade de impedir ou dificultar sua campanha ou o exercício de suas funções.
Mas ter uma lei não basta. É preciso fazê-la funcionar. O primeiro passo para aumentar o número de mulheres candidatas é garantir que elas possam entrar na política sem pagar um preço pessoal desproporcional. Partidos precisam criar ambientes seguros, oferecer formação, apoio jurídico e comunicação profissional, além de combater internamente qualquer forma de assédio ou intimidação.
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Também é fundamental assegurar que os recursos destinados às candidaturas femininas sejam efetivamente utilizados para fortalecê-las. Fraudes às cotas e candidaturas fictícias não apenas desrespeitam a lei: ocupam espaço que deveria ser destinado a mulheres dispostas a disputar eleições de verdade.
Horror nas redes sociais
Outra medida indispensável é enfrentar a violência nas redes sociais. Plataformas, partidos, Justiça Eleitoral e autoridades policiais precisam agir rapidamente diante de ameaças, perseguições e campanhas coordenadas de ódio. A internet não pode ser tratada como lugar onde tudo é permitido.
A Justiça Eleitoral já vem ampliando ações de orientação e proteção. Em 2026, o TSE promoveu curso voltado a mulheres interessadas em disputar as eleições e incluiu a violência política de gênero entre os temas abordados.
É igualmente importante preparar as próprias candidatas. Conhecer seus direitos, saber como denunciar agressões, proteger contas digitais, documentar ameaças e contar com redes de apoio pode fazer diferença para que uma mulher não abandone a disputa diante da violência.
Necesário mudança profunda
Mas existe uma mudança ainda mais profunda a ser feita: mudar a cultura política. Mulheres não precisam ser mais agressivas, mais duras ou mais parecidas com os homens para serem respeitadas. Precisam ter o direito de participar da política sem que sua aparência, idade, maternidade, casamento ou vida pessoal sejam usados como armas contra elas.
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A sociedade também precisa entender que crítica política é legítima. Violência, ameaça e discriminação não são. O debate democrático deve permitir divergências, mas não pode aceitar que o fato de uma pessoa ser mulher seja utilizado para tentar silenciá-la.
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Ter mais mulheres candidatas depende, portanto, de uma combinação de medidas: fiscalização das regras eleitorais, punição efetiva dos crimes, financiamento transparente, proteção digital, apoio dos partidos, formação política e mudança cultural.
Artigo elaborado com a ajuda de ferramentas de IA.





