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Viva intensamente a aventura de ser maduro

Por Maya Santana

Longe de ser o fim,  velhice deve ser encarada como mais uma etapa da vida

Longe de ser o fim, velhice deve ser encarada como mais uma etapa da vida

De uma feita que a velhice é considerada a última etapa da vida, torna-se mais freqüente o pensar sobre a morte e sobretudo sobre o que vem depois da morte. Esta questão mereceria uma reflexão à parte. Não podemos esgotá-la nos limites deste trabalho.

Se a morte parecia uma questão longínqua, pouco pensada, não apenas as limitações pessoais progressivas, como as mortes circundantes tornando-se mais freqüentes: dos pais, dos parentes e amigos. Forçosamente pensa-se no assunto.
Costuma-se dizer que o idoso terá sua velhice como conseqüência do que foi sua vida até ali. A personalidade é uma construção. Ninguém é o que é por acaso. É fruto da maneira como viveu cada uma das etapas da vida, dos objetos e desejos que cultivou durante a vida. A velhice deve ser compreendida não como uma involução, retrocesso, mas como uma evolução. Alguma coisa que se inscreve no processo de avançar.

Mira y Lopez (sociólogo e psiquiatra espanhol) em A Arte de Envelhecer assinala quatro maneiras igualmente ineficazes de viver a maturidade: agarrar-se ao passado, Negar a velhice, Isolamento e adotar uma atitude místico-religiosa.

Roger Gentis (psicanalista francês) acrescentaria a esta lista outros elementos, centrando, sobretudo na angústia desencadeada pelo comprometimento da imagem de si mesmo “o egoísmo, a voracidade oral (comer em demasia), o charme exibicionista de algumas idosas, a hipocondria de outros que passam o tempo a procurar dor ou doença para correr ao médico. E, mais ao fim da lista, a regressão profunda do demente senil que se refugia em comportamento infantilizado – “voltou a ser menino”, como diz o homem da rua…”

É indispensável desenvolver com os idosos todo um projeto de Ecologia de Vida, fazendo-os descobrir que, longe de ser o fim, a velhice deve ser encarada como mais uma etapa da vida, que pode e deve ser vivida plenamente. A confiança e a segurança são fatores decisivos no equilíbrio psíquico do idoso. Que ele possa sentir-se parte integrante de um grupo social sólido e solidário, percebendo-se útil e amado. Uma segurança consolidada num apoio econômico significativo e na liberdade de viver intensamente a aventura de ser maduro.

Texto de: Dr. Antonio Mourão Cavalcante.Professor Titular de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, autor do livro “Casal, como viver um bom desentendimento”(Ed. Record / Rosa dos Tempos – Rio de Janeiro)

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1 Comentários

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Tereza Cabral 14 de junho de 2015 - 18:51

Este comentário é bastante pertinente e interessante.
Há uma tendência a infantilizar o idoso, como se de fato ele voltasse a ser criança, e isso não é a sua realidade.
É fundamental que este olhar seja dirigido a alguém que já viveu muito e leva consigo a experiência de uma longa vida, qualquer que tenha sido a forma de vivê-la; que possa resgatar sua capacidade de viver dentro das limitações que fazem parte desta fase da vida, e que isso possa ser otimizado da forma que lhe for possível.

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