Vivendo a Morte

Por Maya Santana

O arquiteto está internado desde o dia 2 de novembro

Cláudia Collucci

Há pouco mais de uma semana, o arquiteto Oscar Niemeyer iniciou um tratamento com hemodiálise para reabilitar o funcionamento dos rins. Aos 104 anos, ele está internado desde o último dia 2 no Rio, após sofrer uma hemorragia digestiva.

A adoção de um tratamento invasivo em um paciente centenário tem sido bastante questionada e levanta, de novo, a seguinte discussão: quais os limites dos procedimentos médicos a serem adotados no fim da vida?

Ainda que se leve em conta o fato de Niemeyer ser considerado o nosso “highlander” e já ter sobrevivido a episódios piores aos que levaram à última internação, o início da hemodiálise provocou burburinho no meio médico. “É um tratamento fútil, que só vai adiar um pouco a morte”, disse, quase em coro, um grupo de médicos reunidos em um simpósio na semana passada.

O grande arquiteto de 104 anos está fazendo hemodiálise

Ninguém sabe ao certo o quão frágil está Niemeyer. Os boletins médicos dizem que ele se mantém lúcido. E se ele está lúcido, provavelmente tenha concordado com a hemodiálise. E se concordou, ponto final. A vontade do paciente deve prevalecer sempre, como já determinou o Conselho Federal de Medicina em recente resolução.

De qualquer forma, a discussão é pertinente e muito atual. Cresce no país um movimento contrário aos chamados tratamentos “fúteis”, que só aumentam e estendem o sofrimento, sem dar qualidade para a vida do paciente. São procedimentos como submeter alguém a uma cirurgia quando já não há chance de cura, ou ressuscitar quem está em estado terminal e teve parada cardíaca, ou ligar alguém a aparelhos quando tudo o que se conseguirá é uma existência vegetativa para a manutenção da vida, muitas vezes por meio de aparelhos e medicações.

O caso da apresentadora Hebe Camargo, morta em setembro após uma longa luta contra o câncer, é emblemático. Diante da piora do seu quadro de saúde, ela preferiu ficar em casa em vez de enfrentar uma nova internação e correr o risco de ser entubada caso sofresse uma parada cardíaca dentro do hospital. Leia mais em www.folha.com.br


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1 Comentários

Ravenstaff 16 de fevereiro de 2013 - 19:23

Em meio ao meu grande sonho de ser arteiquto e na curiosidade de conhecer a e1rea, me deparo com uma historia fascinante como a de Oscar Niemeyer, bom ainda ne3o conseguir entrar na faculdade mas meu

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