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Vivi o tempo todo no presente, por Déa Januzzi

Por Maya Santana

 Aí, cheguei aos 58  – e entrei em crise

Aí, cheguei aos 58 – e entrei em crise

Nunca escondi a idade, porque nunca tive motivos. Vivi os 20, 30, 40, com tamanha intensidade que às vezes parecia exagerada. Confesso que hoje só bebo vinho, mas continuo cometendo excessos aos 50 ou mais. Tenho sede de poesia e da embriaguez dos sentidos, voo demais e por isso nunca me lembro das coisas objetivas. Confesso que quero parar de fumar. Todas as amigas da minha geração conseguiram. Eu não, mas continuo achando que ainda tenho tempo de planejar um futuro que nunca esteve nos meus planos.Vivi o tempo todo no presente, usufruindo o melhor dele, mas não lembrei de aprender um outro idioma, de comprar uma casa e de tirar carteira de motorista.

Aí, cheguei aos 58  – e entrei em crise. Fiquei doente ao descobrir que não tenho onde morar, um lugar para fechar a porta e transformá-lo em ninho para as minhas certezas e incertezas. Não sei falar inglês nem francês nem espanhol, imagine alemão e mandarim. Estou presa à língua pátria e sou dependente de um tradutor nas minhas viagens por outros mundos.

Meu filho, de 26 anos, diz que eu só sei escrever, nada mais. Mas é escrevendo que eu viajo, ando de carro e sou universal. Escrever para mim é libertar os meus fantasmas, é dedicar o melhor de mim aos leitores, é abrir as portas internas, mergulhar no oceano profundo das minhas emoções.

Decisão número 1: Fazer a inscrição na Aliança Francesa, onde duas vezes por semana tentarei recuperar o meu francês de escola. Podem me chamar de louca ou de desvairada, porque a língua oficial hoje é o inglês e os meus amigos que já dominam esse idioma que todos falam, já estão partindo para o mandarim ou alemão. E eu, lá, com saudades imensas do meu francês!

Mas voltando à crise dos 58 anos, confesso que passei boa parte das minhas férias tentando refazer o caminho e saber como viver o resto de tempo que ainda tenho. Mais 20? Minha mãe viveu até 91 e foi emborar apenas há dois, mas deixou umr ombo enorme na minha vida. Por isso tive que tomar algumas decisões objetivas aos 50 ou mais.

Decisão número 2: Quero ter mais tempo para mim mesma e acho que vou fazer como aquela música da Elis Regina: “Quero uma casa no campo, para levar meus amigos, meus discos e livros e nada mais. E, hoje, um notebook. Quem sabe eu viro uma escritora de verdade?

Decisão número 3: Lá em Caeté, em Minas Gerais, tem um projeto de vida que vou correr atrás: de morar numa ecovila autosustentável. Quero uma casa bem simples, mas ousada. Já descobri um arquiteto em Minas, o Flávio Duarte, que acaba de projetar e construir uma casa em forma de estrela lá em Rio Manso. Tudo dentro dos princípios ecológicos, com tijolos de adobe e materiais alternativos. A piscina é em forma de meia-lua. E sabe como é que ele começa os projetos? Pede para que a gente mande uma carta de intenções. Pode ser um poema ou um texto sobre a casa que quero morar.. Espero que ele seja o arquiteto dos meus sonhos. E também voe comigo. Você não acha que já é um bom começo para quem tem 50 anos ou mais?

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4 Comentários

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Dalma Esquifini 5 de julho de 2014 - 01:12

Não me canso de ler este texto….penso, tiro e queda a Déa recebe por telepatia e escreve.

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marilia santos 5 de julho de 2014 - 00:00

A vida começa e recomeça todos os dias…Tempo não existe,embora seja a matéria da qual a vida é feita.Uma casa é atalho para muitos afetos e um lugar para contar as nossas histórias e tudo o que nela tenhamos vivido.Sua casa será de sons,luzes,cores e poesia…E a arquiteta dos seus é vc mesma,o Flavio apenas dará forma a eles.Assim como vc passa para o papel(ou a tela de um PC)os nossos sentimentos .
Um grande abraço e que seu começo termine com um fim que lhe dê muitas alegrias!
Paz e luz para você.
Marilia

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Angela Maria Campelo França 2 de julho de 2014 - 01:16

Sempre gostei muito, muito mesmo de todas as suas crônicas no Estado de Minas, na verdade era o que eu não deixava de ler. Agora fico feliz por poder segui-la através do face book.
Sou de Sete Lagoas mas moro em Belo Horizonte há muitos anos e fiquei feliz quando minha rim me contou que a casa em que ela está morando foi construída pelo seu irmão Guará. Eu o conheci logo que ele foi para Sete Lagoas jogar no Democrata e também, como você freqüento Sertãozinho. Amo a Magui e o
Orestes falo pra Magui que quando estou lá entro na quinta dimensão.
Abraços de coração para coração
Ângela

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Dirce Saleh 1 de julho de 2014 - 18:50

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk te adoro Dea. Vc é uma pessoa que admiro, mas depois desta te adoro rsrsrsrsrsr. Incrivel vc ,mulher.
Vc acolhe e não lamenta . Precisa do que não tem sem sentir tanta falta. Vc é” exper”
Delicia pessoa assim No entanto tem os pés no chão e bem fincado, veja o caso da Língua ,rsrsrsrsr È isso sim, sempre faz o que quer pq não o francês.?
Vc me fascinou com seu conceito, é isso que me passa de seguro”Mas é escrevendo que eu viajo, ando de carro e sou universal. Escrever para mim é libertar os meus fantasmas, é dedicar o melhor de mim aos leitores, é abrir as portas internas, mergulhar no oceano profundo das minhas emoções.” Não precisa de mais nada kkkkkkkkk
Bem seu projeto de número 2 delicia,querida Se puder ajuntar com o 3 : Perfeito
Beleza de texto e de vida,continue e seja feliz Agente deve fazer o que quer no mais escolhe , se necessário O mundo exige muito por oferecer coisas demais Deixa o sonho nos levar!!! Bom isso!!!
Bjins Dirce Saléh

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