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Vontade de ser ativista como Julia Butterfly Hill

Por Maya Santana

Julia Butterfly Hill viveu durante dois anos em cima de uma árvore para impedir que fosse cortada

Julia Butterfly viveu 2 anos numa árvore para impedir que fosse cortada

Este artigo de Déa Januzzi foi publicado na revista Ecológico com o título “De volta para casa”.

Leia:

Não nasci em uma cidade de interior, com praça, igreja, cartório no entorno das casas com quintais e seus segredos, com árvores e frutas à mão. Nasci em Belo Horizonte e sempre fui considerada uma pessoa urbana. Aprendi com Amélia, minha mãe, a ter tempo para observar os ipês, os flamboaiãs, os bouganvilles que não respeitam nem os muros vizinhos, porque se esparramam em tons de vinho e roubam a cena. Gosto de flores e quando vou à feira do Colégio Arnaldo volto com braçadas de margaridas para enfeitar a casa. Mas foi com a erveira Magdala Ferreira Guedes, a Magui, minha irmã cósmica, que aprendi a ouvir o coração da Terra – que hoje está mais descompassado do que nunca. E, às vezes, precisa de marca-passo para sobreviver aos atentados.

Certa vez, quando eu morava no alto do bairro Serra, em BH, acordei com o barulho de motosserras depenando as paineiras de um terreno ao lado. Do meu apartamento, eu as via em flor colorindo a paisagem. Era um amanhecer cor-de-rosa.-

Fui ver o que estava acontecendo e me surpreendi. Uma construtora estava “limpando” o terreno pra construir dois prédios de 20 andares cada. Presenciei o assassinato das árvores – e sangrei com elas. Ninguém ouviu os pedidos de socorro delas nem seus gritos de dor. Conectada com a agonia daquelas árvores, entendi o porquê das enchentes na cidade grande, dos desmoronamentos, da queda de prédios que pareciam sólidos, do aquecimento global e de tantas outras insanidades contra a natureza.

Tive vontade de ser uma ativista ferrenha, como a norte-americana Julia Butterfly Hill, que em 10 de dezembro de 1997, aos 23 anos, decidiu impedir o que parecia inevitável: a derrubada de uma das sequoias milenares do bosque da cidade de Stanford, na Califórnia(EUA). No final daquele ano, a madeireira Pacific Lumber Company irrompeu o bosque de 60 mil hectares para iniciar o desmatamento de um dos ecossistemas mais importantes do local.

Mas, em seu caminho, encontrou Julia, uma obstinada e jovem borboleta, que teve de passar por uma metamorfose. Ela subiu na árvore e impediu o corte. Deu o nome à sequoia de Lua. Passou 738 dias entre seus ramos, e sem pôr um só pé em terra, obrigou a companhia madeireira, após duríssimas negociações, a indultar a árvore e todas as outras próximas.

Ela teve o seu tempo de crisálida, pois a vida na árvore foi muito dura e mudou Julia por completo. A ideia era ficar duas semanas até o revezamento de um colega, o que nunca aconteceu. Uma pequena equipe fornecia-lhe cordas e víveres necessários, incluindo pequenos painéis solares para carregar o celular com o qual organizava as entrevistas, captava adeptos para a causa ou falava ao vivo com o senado norte-americano.

Seu pequeno lar, a 50 metros de altura, consistia em uma plataforma de três metros quadrados coberta por uma lona impermeável, um pequeno fogareiro, uma caixa com uma bolsa hermética para fazer suas necessidades e uma esponja com a qual recolhia a água de chuva ou neve para se lavar. “A Pacific Lumber começou então a devastar árvores ao meu redor. Apareceram helicópteros que jogavam jatos de água em mim. Queimaram os bosques durante seis dias, a fumaça destroçou meus olhos e minha garganta, e fiquei cheia de bolhas. Depois montaram guarda dia e noite para que não pudessem me fornecer comida. Fiquei amargurada, gritando, dando cabeçadas, à beira da loucura. Para consolar-me pensava nas famílias de Stanford que, por causa da devastação do bosque, ficaram sem casa devido à inundação”, conta Julia. Clique aqui para ler mais.

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