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Xeque-Mate ou Quem não arrisca, não petisca

Por Maya Santana

Há sempre o receio de tomar a iniciativa e ele achá-la assanhada

Há sempre o receio de tomar a iniciativa e ele achá-la assanhada

Mirian Goldenberg

Muitas mulheres ainda acham que é melhor ‘ser difícil’ para se valorizar no mercado afetivo e sexual.

Apesar das inegáveis transformações dos papéis de gênero, um deles parece resistir à mudança. Muitas mulheres continuam acreditando que os homens devem tomar a iniciativa na aproximação amorosa. Aquelas que invertem a regra do jogo da sedução percebem-se e são percebidas como desviantes.

Uma atriz de 50 anos diz: “No último Réveillon decidi que iria transar de qualquer maneira. Estava havia mais de um ano na seca. Fui para uma festa e vi um cara interessante. Só que ele não me olhava de jeito nenhum. Cheguei nele e perguntei de onde eu o conhecia. Uma hora depois transamos. Nunca tinha feito uma loucura dessa”.

Uma professora de 68 anos conta: “Entrei para o Facebook e procurei por um grande amor da minha adolescência. Depois que o adicionei como amigo, passamos a conversar quase todos os dias. Agora estou viajando para visitá-lo. Estou me sentindo de novo uma adolescente, mas morrendo de medo de que ele me ache uma velha decrépita e assanhada”.

Uma jornalista de 47 anos diz: “Estava no avião ao lado de um cara muito mais jovem. Ele estava cochilando e fiz uma loucura, fui ao banheiro e esbarrei nele. Ele deu um sorriso lindo e conversamos a viagem inteira. Eu o convidei para jantar. Pensei que o máximo que poderia acontecer era eu receber um não”.

O medo da opinião masculina está presente entre aquelas mulheres que tomam uma iniciativa mais direta na aproximação. Será que ele vai me rejeitar? Será que vai perder o interesse por que pareço fácil demais?

Acostumadas a fazer outro tipo de jogo na sedução, com olhares, sorrisos ou formas indiretas de aproximação, elas não sabem como demonstrar interesse por um homem, mostrando preocupação em parecerem vulgares ou desesperadas.

A ideia de que é melhor “ser difícil” para se valorizar no mercado afetivo e sexual ainda está presente entre muitas, mesmo entre aquelas independentes economicamente e realizadas profissionalmente. É estranho pensar que as mulheres lutaram por igualdade em diferentes domínios, mas continuam aceitando a desigualdade no campo da sedução e da conquista amorosa.

Uma frase que ouvi no filme “Xeque-Mate” (2009) pode ser útil para ajudar a acabar com esse tipo de passividade e submissão feminina: “Quem arrisca pode até perder; quem não arrisca, perde sempre”. Ou, como no ditado popular, quem não arrisca, não petisca! (Fonte: Caderno Equilíbrio, Folha de São Paulo).

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