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O grande Yamandu Costa, nosso Paco de Lucia

Por Maya Santana

Violonista gaúcho, 33 anos,  é reconhecido internacionalmente

Violonista gaúcho, 33 anos, é reconhecido internacionalmente

Yamandu Costa tem cinco dedos em cada mão. Sentado do outro lado da mesa, o  repórter constatou o fenômeno ao vê-lo tratar com enérgica delicadeza uma  bisteca à fiorentina no CT Boucherie, o restaurante de carnes de Claude  Troisgros, no Rio. Fotos de Léo Pinheiro comprovam: os dez dedos com que maneja  garfo e faca no naco de carne que os sofisticados chamam de “T-bone steak” são  os que se multiplicam, quadruplicam, quando Yamandu acaricia madeira e nylon (ou  aço) do violão de sete cordas com que percorre o Brasil e o mundo.

Aplaudem-no no Clube do Choro em Brasília quando executa, de sua autoria, “El  Negro del Blanco”, que imortalizou em disco na companhia do inesquecível  paulista Paulo Moura e sua clarineta de fibra transparente; aplaudem-no em Passo  Fundo (RS), onde nasceu, ao dedilhar “Noites Sergipanas”, do pernambucano  Dominguinhos; no Recife, com “Felicidade”, do gaúcho Lupicínio Rodrigues; no  Municipal do Rio, ao apresentar-se com a Orquestra Sinfônica Brasileira e  regência do paulista Roberto Minczuk em homenagem aos 150 anos do carioca  Ernesto Nazareth (1863-1934). Ou em Paris com “Suíte para Violão de Sete Cordas  e Orquestra”, do carioca Maurício Carrilho, acompanhado pela Orquestra Nacional  da França dirigida pelo alemão Kurt Masur. O sucesso é o mesmo na Austrália, nos  Estados Unidos, na Alemanha, no Canadá, na Itália, no México, em Cuba.

Com os maestros Roberto Minczuk e Kurt Masur

Com os maestros Roberto Minczuk e Kurt Masur

Suas apresentações terminam sempre em arrebatadores “bravos”, como ficou  demonstrado ainda na semana passada na respeitável Sala Pleyel de Paris, onde,  com a Orquestra da Cidade, foi a figura central do “Concerto Nazareth”, e de uma  composição sua, a suíte “Passeios”, para violão, acordeão e orquestra de cordas.  “Algo bem universal e bem gaúcho, tem até uma milonga. Namoro essa linguagem, a  mistura; adoro essa coisa de orquestra”, diz. Kurt Masur, em 2007, comparou  Yamandu ao violinista italiano Niccolò Paganini. Para as plateias é o novo Paco de Lucia, o mago da guitarra andaluz.

Ao contrário de Astor Piazzolla, que, ao bandoneon, criou um tango novo  e, por causa da heresia, só foi totalmente aceito pelos argentinos quase no fim  da vida, Yamandu, ao violão, deu ares novos à música de sua aldeia – um  território que passa por coxilhas e pampas e chega aos cumes gelados da Bolívia.  E o povo do Sul não deixou de admirá-lo desde sempre e o trata como um irmão que  não fugiu às origens ou fronteiras, apenas as ampliou e as tornou mais sinuosas  e líricas.

O violonista não mais se apresenta com lenço vermelho no pescoço, poncho,  bombacha e alpargatas, mas mantém as velhas amizades e sempre que pode vai ao  palco com músicos gaúchos. É uma lista interminável de conterrâneos. Yamandu  cita todos eles; o repórter é que os omite por economia de espaço. A lista  começa com Renato Borghetti, acordeonista exímio de Porto Alegre que prefere  permanecer abaixo do rio Pelotas, e chega a Guto Virti, um contrabaixista  acústico de Frederico Westphalen, que atua no Rio. Com mais dois gaúchos e um  goiano, Yamandu foi ao Louvre apresentar uma suíte sua para quarteto de cordas  em homenagem ao maestro também gaúcho Radamés Gnattali (1906-1988). “Gravo um CD  com um cara bastante conhecido, como Dominguinhos, e convido depois um cara que  não tem tanto nome, mas é muito bom. Vou produzindo coisas com gente de alto  nível. Isso me dá prazer.”  Leia mais em valor.com.br

 

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