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Zezé Motta é a estrela de especial do Dia da Mulher Negra Afro-Latina-Americana

Por Maya Santana

Aos 77 anos, dona de uma carreira de sucesso de mais de cinco décadas, Zezé se recupera de perdas familiares — incluindo a mãe de 95 anos que faleceu de Covid-19

‘Hoje não sofro discriminação, mas aproveito o espaço para denunciar’. Afirma Zezé Motta, a grande atriz e cantora que aproveitou o isolamento social imposto pela Covid-19 para aderir, com enorme sucesso, àinternet, vencendo assim a resistência digital. Estrela de especial pelo Dia da Mulher Negra Afro-Latina-Americana e Caribenha, neste domingo, 25 de julho, ela perdeu mãe, irmão e dois primos de Covid-19. Apesar da pandemia, Zezé vive uma boa fase profissional.

Leia mais na reportagem de Priscilla Aguiar Litwak para O Globo:

“Atriz, cantora e militante. Prazer, eu sou Zezé Motta”. Assim a artista se apresenta em suas redes sociais, que, aliás, não por acaso, triplicaram de seguidores durante a pandemia. Moradora do Leme, aos 77 anos recém-completados e dona de uma carreira de sucesso de mais de cinco décadas, Zezé se recupera de perdas familiares — incluindo a mãe de 95 anos que faleceu de Covid-19 — se jogando de cabeça no mundo das artes e da internet. Em boa fase profissional, ela se divide entre a realização e a divulgação de diferentes trabalhos na TV, nas telonas, nos palcos e na web. Entre eles está o especial “Zezé Motta — Mulher negra”, gravado no Hotel Chez Georges, em Santa Teresa, que será exibido domingo (25), Dia da Mulher Negra Afro-Latina-Americana e Caribenha, às 17h, na TV canal L!ke e também no YouTube do Teatro Bradesco.

Com roteiro e direção de Yasmin Thayná, o especial vai contar com um pocket show comandado por Zezé e com depoimento de mulheres como as atrizes Cris Vianna, Elisa Lucinda, Indira Nascimento, a cantora Iza, a escritora Conceição Evaristo, a filósofa Djamila Ribeiro e a ex-BBB Camilla de Lucas. Para celebrar as mulheres negras, uma das grandes homenageadas é a líder quilombola Tereza de Benguela.

Na apresentação da atriz-cantora estão canções consagradas como “Magrelinha”, de Luiz Melodia, e “Tigresa”, de Caetano Veloso. A artista estará acompanhada da maestrina Claudia Elizeu e vai contar com a participação especial da jovem cantora Malía, que foi uma das atrações do Rock in Rio.

Veja Zezé aqui, cantando Magrelinha:

— As chefes das equipes de direção, roteiro, direção de fotografia, direção de arte e montagem são todas mulheres negras. Acho que por essa razão esse evento já é uma grande conquista. Ele de fato mostra a nossa potência. Vejo este especial como uma grande homenagem. Elas são importantes porque significam o reconhecimento de uma batalha para construir uma carreira. Começar uma trajetória profissional no Brasil não é fácil, mantê-la também não, para qualquer pessoa, e para a mulher negra é ainda mais difícil. Hoje não sofro com a discriminação racial, mas aproveito o espaço da mídia para denunciar, combater. E vejo isso como uma missão. Venho tentando virar esse jogo há mais de 50 anos. Por isso, quando me pedem um conselho, sempre digo: não desista do seu sonho, é duro, mas vale a pena — reflete a “cantriz”, como diz se enxergar. — Fico em estado de graça cantando e atuando. Sou as duas numa só. Não saberia escolher uma delas. Mas se você me colocar contra a parede, acho que fico com a música. Isso porque empresto a atriz para a cantora.

Garota-propaganda e influencer
De origem humilde, durante a infância Zezé morava nos fins de semana no Morro do Cantagalo, em Copacabana, com os pais, e durante a semana no Leblon, com um tio que era porteiro de um prédio no bairro. Influenciada pelo pai, foi lá que fez amizades e deu seus primeiros passos no mundo da arte. Já artista, morou 40 anos em diferentes endereços em Ipanema e há dez anos vive em um apartamento no Leme que foi de Clarice Lispector, com placa que faz referência à escritora no hall de entrada, como ressalta Zezé.

Por telefone, ela conta que segue à risca o isolamento social imposto pela pandemia e por isso abriu mão de prazeres como ir a restaurantes da região, caminhar na orla e receber em casa os amigos — e até equipes de reportagem. Mas frisa que não se sente sozinha. Na decoração feita por ela, os amigos e familiares estão por toda parte. Os mais íntimos ganharam porta-retratos no piano de cauda, seu xodó e que voltou a ser usado com frequência, já que Zezé aproveitou a fase para retomar as aulas de piano.

Também na sala, há uma parede completa com imagens de personagens marcantes de sua carreira, como a histórica Xica da Silva, que completa 45 anos, além de um vitral e de objetivos que valorizam a cultura africana.

— Como gosto muito de receber pessoas queridas, escolhi esse apartamento por ser amplo. Não sabia que era da Clarice. Foi uma grata surpresa quando soube. Ele faz alguns ruídos, como toda construção, e dizemos brincando que é a presença dela. Alguns amigos pedem para quando ela aparecer eu não esquecer de chamá-los para um café. — diverte-se. — Um amigo decorador perguntou se eu não estava enjoada da minha decoração. Respondi que, após dez anos, confesso que estou um pouco. Ele disse que assim que possível vai me dar um nova de presente. Mas já falei que não abro mão das minhas fotos. Também gosto muito de plantas, e ele prometeu que vai colocar ainda mais.

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