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Zezé Motta: “Não temos que abolir o ‘nega’, ‘negona’…

Por Maya Santana

Aos 71, a atriz  que encarnou Xica da Silva está mais lúcida do que nunca

Aos 71, a atriz que encarnou Xica da Silva está mais lúcida do que nunca

Aos 71 anos, Zezé Motta ainda é relembrada e eternizada – “com muito prazer”, diz ela – pelo papel da sua vida: Xica da Silva, no filme de Cacá Diegues de 1976. Agora, ela foi convidada para dirigir o documentário ‘A Rainha das Américas: a Verdadeira História de Xica da Silva’, sobre a escrava que seduziu o milionário João Fernandes e se tornou uma dama na sociedade mineira século XVIII, com roteiro da escritora Rosi Young, brasileira radicada nos Estados Unidos.

“Será minha primeira direção ‘de verdade’ (Zezé dirigiu pocket shows e um documentário amador) e estou encantada com a ideia. Tenho muita intimidade com a Xica, porque a interpretei e fui mãe da personagem quando a Taís Araújo, protagonista da versão televisiva, em 1996, a interpretou. É caso para guiness book”, diz a veterana, bem humorada. Para o documentário, Zezé fará laboratório lendo livros sobre a escrava para captar uma versão da Xica mais politizada e sobre a questão racial no Brasil. “Não será um filme sobre uma negona assanhada”, avisa Zezé, militante das causas raciais. Aproveitando, a atriz comenta sobre a onda do politicamente correto e sobre a expressão afrodescendente. “Pinta um certo exagero e não acho que temos que abolir o ‘nega’, ‘negona’…claro que dependendo do tom. Meu namorado me chama de ‘negona’ e é carinhoso”, garante.

Por causa da produção na década de 70, Zezé alçou o status de ‘símbolo sexual’, feito inédito para a época, principalmente em se tratando de uma protagonista negra. “Foi complicado e fui parar na análise porque Xica permeou o imaginário masculino como a ‘mulher maravilha’ no quesito sexo. Era uma loucura o assédio de homens… e até mulheres. Me sentia na responsabilidade de não decepcionar os parceiros porque eles confundiam a personagem com a pessoa. Ficava só preocupada com a performance sem ter prazer”, afirma. Quanto às cenas de nudez, ela levou na boa. “Já tinha feito algumas participações em filmes em que aparecia de calcinha e fiz duas pornochanchadas. Nelsinho (Motta) dizia que eu fazia tanto filme nua que era só bater a claquete para eu ficar pelada. Tenho intimidade com essa coisa de nudez”, afirma. (Bruno Astuto – revista Época)

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