Ziraldo e Veríssimo fazem musical sobre velhice

Por Maya Santana
Aos 81, Ziraldo também tem a parceria de Zuenir Ventura nesta empreitada

Aos 81, Ziraldo também tem a parceria de Zuenir Ventura nesta empreitada

“O mundo envelheceu”, alguém já disse. Os sinais desse envelhecimento estão por toda parte. Hoje, o número de pessoas no planeta com mais de 60 anos já superou os 600 milhões e as projeções são de que vai triplicar até 2050. No Brasil, de acordo com dados divulgados no ano passado pelo IBGE, os que passaram de 60 já somam 23,5 milhões, mais de 10% da população como um todo. Os meios de comunicação e as empresas começam a atentar para isso. Os reflexos desse novo mundo que vai surgindo aparecem no cinema – são inúmeros os filmes feitos nos últimos tempos sobre o envelhecer – “Amor”, “The Marigold Hotel”, “O Quarteto”, “E Se Vivêssemos Todos Juntos?”, entre vários outros. E o teatro não fica atrás. Naum Alves de Souza estreou há pouco em São Paulo a peça “Almoço de Ação de Graças” e outras peças também vêm abordando o tema. Agora, surge a notícia de que três dos nossos mais queridos idosos, Ziraldo, Luis Fernando Veríssimo e Zuenir Ventura estão trabalhando juntos no projeto de um musical tratando exatamente do envelhecimento. Fiquei curiosa. Leia os detalhes nesta conversa de Bruno Astuto, da revista Época, com Ziraldo:

“Prestes a completar 81 anos, Ziraldo está escrevendo um musical sobre a velhice ao lado dos amigos Luis Fernando Verissimo (76) e Zuenir Ventura (82).”Nenhum velho tem a noção do que é a velhice”, diz o pai do personagem Menino Maluquinho. “Conversamos muito e chegamos à conclusão de que não nos sentimos velhos”. Hiperativo, Ziraldo será o grande homenageado da 16ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro, que acontece entre 29 de agosto e 8 de setembro, e lança nada menos do que sete livros, entre os quais Maluquinho de Família (Ed. Globo) e uma reedição de A História dos Dois Amores, que fez com Carlos Drummond de Andrade há mais de 30 anos.

ÉPOCA – Como vai ser o musical?

Ziraldo – Ainda estamos na fase de pesquisas. Mas nós três já concluímos que não temos a menor ideia do que é ser velho. Idade não passa pela nossa cabeça. Acho que vou durar mais uns dois anos ainda. Li uma pesquisa que somente 10% dos caras que fazem 80 anos dificilmente chegam aos 90, mas está ótimo.

ÉPOCA – O que muda com a idade?

Ziraldo – Não dá mais para descer e subir escadas correndo. Outro dia, morri de inveja de um garçom que fez isso com uma bandeja na mão. Isso me frustra muito, fiquei arrasado. Tirando isso, não mudei em nada. Continuo sentado na mesma prancheta, trabalhando do mesmo jeito com minhas tintas e pincéis de 40 anos atrás.

ÉPOCA – Existe vida sexual depois dos 80?

Ziraldo – Metade dos meus amigos está absolutamente descansada com esse assunto. As propagandas de remédios estimulantes sexuais ganhariam muito mais dinheiro se criassem uma receita para libido e não para ereção. Mulher é a coisa mais linda que Deus colocou no mundo: odeio filme de sacanagem e revista de mulher pelada. Não admito que uma coisa linda daquelas tire a roupa para todo mundo.

 


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1 Comentários

Déa Januzzi 25 de agosto de 2013 - 23:23

Adorei! E que venha o musical, a literatura, o cinema para nos acolher na velhicce.

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