Crônica

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“Não está morto quem peleia”

Escorreguei na dúvida que sempre atravessa meu caminho em momentos traumáticos, como o que estamos vivendo. Se eu fosse amish, aquele povo religioso que vive isolado nos Estados Unidos e no Canadá, sem rádio nem notícia das terras civilizadas, eu teria menos angústia?

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Balada da Velhice

Tirando minha mãe Que não tem mais como fugir do óbvio Ninguém que eu conheço Se reconhece velho. Mesmo os de bengala Os de voz já alterada Os que perderam pedaços Fizeram transplantes Sofreram infarto, Não pronunciam a palavra Que soa repugnante.

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Carta à minha mãe

Ei mãe! Você me viu na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, no dia 18? Fui à missa, como a senhora pediu. Oito meses já se passaram. As missas, agora, substituem as ligações que eu fazia para a senhora, quando sentia saudade.

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Um surto de fascite plantar?

Está muito comum entre maiores de 50 uma tal de Fascite Plantar. Parece um surto, de tanta gente se queixando e se tratando. Quatro dos meus irmãos, de hábitos e pesos diferentes, mas nenhum obeso, estão com a doenca, caracterizada por inflamação na membrana que encobre a planta dos pés. E mais três amigos.

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‘Gentileza gera gentileza’, assim disse o profeta

Suas frases não são mais vistas nos viadutos do Rio, que passou por varias reformas urbanas desde que o projeto da Gentileza morreu, em 1995. Um ou outro pedaço de suas mensagens, escritas com rigor tipográfico, ainda restam junto à rodoviária. Mas, o que ele pregou, morreu com ele.

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A joia cujo valor Minas ainda não percebeu

Conheci uma cidade onde a população bebe água mineral de graça. Águas carbogasosas, ricas em ferro, magnésio, lítio, entre outras propriedades, que as tornam curativas. Todas as manhãs a gente de Caxambu, município mineiro do Circuito das Águas, enche garrafas nas inúmeras fontes, de onde elas emergem do centro da terra, escolhendo de acordo com as propriedades de cada uma.

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O abandono de uma mãe

A velha e a visitante sorveram devagar o vinho branco, na frescura perfumada do jardinzinho suburbano. Armaram a mesa do lado de fora, para contemplarem o pôr do sol enquanto punham a conversa em dia. À meia noite ainda tagarelavam. Havia meses que a velha não ouvia a própria voz. Morava só, na casa decorada com suas lembranças, seus cacarecos empoeirados nas paredes, que imploravam por uma demão de tinta. O filho não achava necessário.

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O macho vai ficando cada vez mais emparedado

Em pleno dia Internacional dos direitos da mulher (a palavra direitos foi suprimida da data, que se tornou comercial, festiva e de desagravo a tudo que as mulheres vêm sofrendo ao longo de séculos), recebi um vídeo que me impactou bastante.

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Aos 65, brasileiro se aventura no berço da cultura islâmica

Viajar é mergulhar no desconhecido e quebrar preconceitos, diz o jornalista Eduardo Campos, há três meses no barril de pólvora que é o Oriente Médio. Não está a trabalho. Foi a passeio, num feriado sabático de um ano, que começou e vai terminar em Portugal.