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Ode a Maria Bethânia, homenagem de Jorge Mautner

Por Maya Santana

A um passo dos 70, Bethânia está no auge

A um passo dos 70, Bethânia mostra que continua por cima

Quero recomendar o livro “Contradições”, de João Ricardo Moderno, e também “Brasil em movimento”, livro organizado por João Paulo Reys e Maria Borba com reflexões sobre o Brasil de Gilberto Gil, Luiz Carlos Maciel, Maria Lúcia Montes, além de mim e de muitos outros e outras. Agora quero aproveitar para falar do sublime nesse poema que escrevi para minha e nossa querida Maria Bethânia de todos nós: O ser humano nasceu na África/ Daí se espalhou para todos os lugares/ E viva o rei Zumbi do Quilombo dos Palmares!!!! “Aonde foi que Jesus ensinou sua filosofia?/ Foi na Bahia, foi na Bahia!” — Noel Rosa.

Miriam em Aramaico é Maria./ Miriam de Migdal, Maria Madalena./ Aqui é Miriam Maria de Bethânia./ Ela vem do mais profundo início do teatro de Ésquilo onde as falas são cantadas./ Mas é mais atrás, é mais agonal/ vem da grande mitologia/ da literatura oral de Homero/ Hesíodo/ dos candomblés/ de Dom Sebastião que morreu em Alcácer Quibir/ de cânticos de luz de axé de flores amores que é/ Jesus de Nazaré e os tambores do Candomblé.

O perfeito equilíbrio simultâneo/ quando ela canta ela irradia/ entre o esplendor de todos os paganismos/ e o esplendor de todos os cristianismos/ humanismos democracia anarquismo socialismo pacifista/ da Amálgama,/ com a qual José Bonifácio nos definiu em 1823 dizendo: “Diferente dos outros povos e culturas, nós somos a Amálgama,/ esta Amálgama tão difícil de ser feita.”

Quando ela entra no palco/ ela transforma o palco em um altar / e ao mesmo tempo-espaço um terreiro./ O altar é de Palas Atena/ e o terreiro é de Iansã./ Sua presença é um incêndio de paixão que ressuscita o tempo todo/ o seu canto Nagô que é Banto e é o amor/ e que em sua voz tão bela e cheia de bem-querer/ é Benguela e Gegê,/ pra irradiar a instantaneidade da vibração da vida/ com todos os entrelaçamentos das dimensões da graça divina/ que começa lá na infância em sua família/ lá em Santo Amaro/ desta Bahia onde o Brasil começou/ e não é à tôa/ que foi seu irmão Caetano/ quem lhe deu o nome/ inspirado na música/ cantada por Nelson Gonçalves.

Ela é poetisa/ filósofa/ pensadora/ ativista social política/ pioneira dos feminismos/ irradiadora de um conhecimento absorvido/ em leituras incessantes/ de Fernando Pessoa/ dos filósofos/ e também não foi à toa/ que foi lançada pelo magnífico Vinicius de Moraes/ que a trouxe para o Rio de Janeiro.

Ela vive perto de Jorge de Lima/ da neurociência/ e o que é mais impressionante para mim/ é um constante mistério/ que ela irradia com seu talento/ que é ao mesmo tempo antiquíssimo/ e reflete todas as emoções e informações dos ancestrais/ e ao mesmo tempo, de novo a simultaneidade,/ traz sempre a novidade/ é o eternamente novo./ Na verdade são cânticos religiosos/ incluindo cânticos das religiões ateias/ mas todas anunciando a mensagem do presente/ que arrasta o passado/ em direção ao futuro/ e se eu fosse resumir/ em todas as miríades/ de interpretações e composições/ de Dorival Caymmi a outros tantos/ gênios da cultura brasileira e internacional/ eu acho que está no Evangelho de São João em que uma voz anuncia:/ “Uma criança nasceu entre nós.” Clique aqui para ler mais.

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1 Comentários

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Margarida de Souza Ferraz 8 de julho de 2015 - 17:07

Perfeito !

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