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ONU premia mulheres que ajudam mulheres

Quatro brasileiras estão entre 32 mulheres do mundo todo que concorrem ao prêmio

25/10/2022
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Carmela Borst trilhou uma carreira de sucesso no mundo da tecnologia até perceber que poderia unir forças para procurar os talentos que faltam para esse mercado nas comunidades mais pobres do Brasil. Foto: Reprodução/Internet

 

Quatro brasileiras empenhadas em ajudar outras mulheres a sobressair ganham agora uma história com dimensão internacional. Carmela Borst,  Carolina Videira, Regina Markus e Marienne Coutinho, todas de São Paulo, concorrem, ao lado de três dezenas de outras mulheres dos mais diversos países, a um importante prêmio da Organização das Nações Unidas, ONU. 

A seleção das concorrentes em oito áreas de atuação é feita por votação popular. Se quiser votar ( clique aqui ), você tem até hoje, 25 de outubro, quando será encerrada a votação.  O resultado final será conhecido nesta quarta-feira(26).

Leia um pequeno perfil de cada uma publicado pela revista Forbes:

Quatro brasileiras estão entre as 32 indicadas ao prêmio Rise and Raise Others (“Uma Sobe e Puxa Outra”, em tradução livre), concedido pela ONU a mulheres que trabalham para empoderar outras mulheres em diversos setores. A escolha das premiadas leva em conta os 17 ODSs (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) estabelecidos pelas Nações Unidas.

A escolha é feita por júri e votação popular até o dia 25 de outubro de 2022, no site da ONU Mulheres. Além das brasileiras, há selecionadas da Alemanha, Bahrein, Estados Unidos, Hong Kong, Índia, Indonésia, Islândia, Myanmar, Nepal, Nigéria, Polônia e Reino Unido. “Erradicação da pobreza”, “Saúde e bem-estar”, “Educação de qualidade”, “Igualdade de gênero”, “Indústria, inovação e infraestrutura”, “Redução de desigualdades”, “Ação contra a mudança global do clima” e “Paz, justiça e instituições eficazes” são as categorias.

As quatro brasileiras

A empreendedora social Carmela Borst trilhou uma carreira de sucesso no mundo da tecnologia até perceber que poderia unir forças para procurar os talentos que faltam para esse mercado nas comunidades mais pobres do Brasil. Assim, há dois anos fundou a SoulCode, uma startup de impacto social. Usando apenas seus recursos pessoais e apoio das empresas e executivos de tecnologia em sua rede, Carmela formou mais de 1000 pessoas que puderam sair da linha da pobreza, já que 90% saem do curso empregadas. “Muitas são mulheres, mães de família que precisam sustentar os filhos e encontraram uma maneira para isso e entraram em um mercado que precisa de gente”, diz.

O curso de formação oferecido pela edtech é super intensivo – são 10h de aula por dia durante mais de dois meses. “As pessoas saem de lá como desenvolvedores e recebem formação também em outras questões, como soft skills”, diz Borst.

As empresas que procuram a SoulCode e precisam contratar esses desenvolvedores recebem as indicações de alunos e se responsabilizam pelo custeio de novas turmas, assim o ciclo se mantém.

Agora, a startup se prepara para receber investimentos e multiplicar seu alcance. “Estamos neste momento de reunir investidores pois o objetivo é formar 100 mil pessoas para fazer parte do crescente mercado de tecnologia.”

Carolina Videira, fundadora da Turma do Jiló, uma Ong que trabalha junto a escolas públicas para promover a inclusão, seja de raça, gênero, origem social.Foto: Reprodução/Internet

Quando se tornou mãe pela primeira vez, Carolina Videira viu sua vida de executiva mudar totalmente. Seu primeiro filho, João, nasceu com uma síndrome que traz várias limitações físicas e que o impedia de ter movimentos normais. Ela deixou a carreira corporativa para acompanhar seus tratamentos e cuidados. E ouviu de uma professora da pré-escola que seu filho não iria aprender e que só iria nas aulas para fazer amigos. “João não podia falar, mas se comunicava com o olhar e com seu riso”, diz.

Determinada a encontrar maneiras de educá-lo como qualquer criança, tornou-se uma ativista e educadora. Fundou então a Turma do Jiló, uma Ong que trabalha junto a escolas públicas para promover a inclusão, seja de raça, gênero, origem social. Durante um ano inteiro, o trabalho da Turma dentro de cada escola é conscientizar professores e educadores e prepara a comunidade escolar para acolher a diversidade em qualquer aspecto.

“À medida que eu experimentava a dor da exclusão, passei a conhecer outras mães que sentiam o mesmo mas não tinham recursos para educar ou oferecer tratamento adequado a seus filhos”, diz Videira. O trabalho inclui, entre outras ações, formar as famílias para que possam abrir um negócio ou saber onde buscar apoio jurídico, por exemplo. “Percebi que a mãe também é excluída e queria diminuir esse problema tão sério”, diz. João morreu no ano passado, mas no meio do luto Videira continuou seu projeto e hoje se prepara para expandi-lo para mais regiões brasileiras. “Percebi que a mãe também é excluída e queria diminuir esse problema tão sério.”

Regina Markus: que estão abrindo um caminho para que surjam novos tratamentos para doenças neurológicas e inflamatórias, como artrite, além de câncer e Alzheimer. Foto: Reprodução/Internet

“A ciência brasileira precisa de lideranças e quero apoiar a formação dessas pessoas”, diz Regina Markus, pesquisadora que há pouco recebeu o título de Professora Emérita do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de São Paulo, a mais importante do país. O reconhecimento veio por conta de experimentos que avaliam o tempo biológico e que estão abrindo um caminho para que surjam novos tratamentos para doenças neurológicas e inflamatórias, como artrite, além de câncer e Alzheimer. Os estudos devem influenciar ainda a maneira como se faz o transplante de medula óssea hoje.

Hoje, Markus usa esse currículo e prestígio também para abrir espaço para que jovens cientistas brasileiros possam completar seus estudos e pesquisas  no Weizmann Research Institute em Israel, onde atua como vice-presidente. “A ciência precisa do poder desses jovens que, depois de Israel, podem ganhar o mundo. Tem muitos alunos que hoje estão brilhando e mostrando a importância da ciência.”

Marienne Coutinho: iniciativa pioneira em impulsionar lideranças femininas.
Foto: Reprodução/Internet

Sócia em uma das principais consultorias de gestão do mundo, a KPMG, a advogada Marienne Coutinho é responsável por iniciativas que estão levando a diversidade de gênero e de raça aos conselhos das maiores empresas brasileiras. Há 15 anos, foi uma das fundadoras do KNOW (KPMG Networking of Women) iniciativa pioneira em impulsionar lideranças femininas. Não havia sites ou mailing lists falando sobre essas mulheres. “Na época, a gente ficava olhando as movimentações no jornal para descobrir quem eram as mulheres que estavam nas lideranças para colocar numa planilha de Excel.”.

Ao perceber que o fardo era maior para negras, ajudou a fundar o Conselheira 101, que trabalha para promover a diversidade racial nos conselhos e já colocou 30% das mulheres que passaram pelo programa em algum board. “Essa vem sendo a minha carreira paralela nos últimos 15 anos”, diz. O trabalho da executiva não consiste apenas em preparar essas mulheres, mas mostrar ao mundo que elas existem e que estão preparadas. “Temos que mostrar para o mercado que os conselhos precisam da diversidade para que a empresa se desenvolva.”

As premiadas pela ONU Mulheres serão anunciadas no dia 26 (quarta), durante a conferência Makers 2022 focada em empoderamento. A conferência acontece no hotel Waldorf Astoria Monarch Beach Resort, em Dana Point, na Califórnia, e haverá transmissão ao vivo da premiação pelo site do evento. A Makers é uma marca focada em mídia e comunidades criada há cerca de dez anos para acelerar a equidade de gênero no mercado de trabalho e fora dele.

 

 

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Iniciei minhas atividades como jornalista na década de 70. Trabalhei em alguns dos principais veículos nacionais, como O Estado de S. Paulo e Jornal de Brasil. Mas a maior parte da minha carreira foi construída no exterior, trabalhando para a emissora britânica BBC, em Londres, onde vivi durante mais de 16 anos. No retorno ao Brasil, criei um jornal, do qual fui editora até me voltar para a internet. O 50emais ganhou vida em agosto de 2010. Escolhi o Rio de Janeiro para viver esta terceira fase da existência.

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