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Ouvir música faz bem para o coração

Dr. Roberto Kalil afirma que ajuda também a reduzir a pressão arterial

09/01/2023
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A música ajuda o corpo a coordenar os batimentos cardíacos e, assim, regula a pressão. Foto: Reprodução/Internet

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Um assunto da maior importância. Não só por nos dar uma dica maravilhosa sobre a música, mas porque o artigo foi escrito por um dos mais respeitados cardiologistas do Brasil, Dr. Roberto Kalil.

“A música ajuda a tratar condições que, indiretamente, afetam a saúde do coração. É o caso da ansiedade e da depressão”, diz ele.

Num momento conturbado como vivemos agora, com tanta violência e motivos de preocupação, precisamos ouvir música, deixar que a melodia nos envolva, nos tome por inteiro. 

É o que a gente deduz desse artigo do Dr. Roberto Kalil.

Leia:

Dizem que a boa música toca o coração. A julgar por descobertas científicas recentes, esse clichê tem um sentido bem mais literal do que imaginávamos, pois vários estudos indicam que ouvir música traz benefícios concretos para a saúde cardiovascular.

É razoavelmente conhecida a correlação entre música e saúde mental. O som favorece a liberação de substâncias associadas ao prazer e ao relaxamento, além de fazer bem às nossas faculdades cognitivas. Quem nunca ouviu falar nos supostos benefícios de ouvir música clássica durante a gestação, para estimular o desenvolvimento intelectual do bebê?

Há até um nome para isso: o “efeito Mozart”. O termo foi cunhado em 1993, após a publicação de um estudo na revista Nature que constatou os benefícios de expor estudantes a dez minutos diários de sonatas do compositor austríaco. Hoje sabemos que o “efeito Mozart” se aplica, na verdade, a qualquer música que nos agrada. Do samba ao heavy metal, do pop ao jazz, qualquer estilo tem o potencial de estimular a liberação de dopamina, hormônio associado, dentre outras coisas, ao bom humor e à sensação de prazer. Basta que gostemos da música.

O mais interessante, porém, é o fato de que uma lógica similar se aplica à saúde do coração. O processamento sonoro tem participação de áreas do tronco cerebral que também atuam na regulação de diversos processos cerebrais, entre eles o controle da frequência cardíaca e da pressão arterial.

Nosso corpo parece ter a capacidade de sincronizar os batimentos cardíacos com o ritmo que ouvimos. Assim, músicas com o andamento mais lento ajudam a reduzir nossa frequência cardíaca. Músicas mais agitadas têm o efeito contrário. Em ambos os casos, a presença de um ritmo externo bem demarcado aumenta a regularidade do ritmo cardíaco.

Um estudo muito interessante, publicado na revista National Library of Medicine, ilustra essa ideia. Os pesquisadores reuniram jogadores profissionais ou semiprofissionais de basquete. Um grupo treinou enquanto ouvia músicas com uma batida regular. Outro escutou músicas com ritmo irregular. E um terceiro grupo jogou sem trilha sonora. O primeiro grupo apresentou resultamos significativamente melhores em termos de frequência cardíaca e também em termos de percepção subjetiva de esforço (o quanto o atleta sente que cansou), medida chamada Escala de Borg. O que isso revela?

Em primeiro lugar, que a música ajuda o corpo a coordenar os batimentos cardíacos, bem como a reduzir a pressão arterial. Nesse sentido, o estudo com os jogadores de basquete corrobora pesquisas anteriores.

Em segundo,que a música ajuda a tratar condições que, indiretamente, afetam a saúde do coração. É o caso da ansiedade e da depressão. Um artigo recente do European Heart Journal revisou dezenas de estudos sobre o assunto, reafirmando, por exemplo, que a música ajuda a ativar o “sistema de recompensa” do cérebro, repleto de neurorreceptores de dopamina e fundamental, portanto, para evitar ou reverter um quadro depressivo.

Por fim, mesmo quando não afeta diretamente o sistema cardiovascular, a música nos ajuda a cuidar dessa área facilitando a manutenção de uma rotina de atividades físicas. Como visto no estudo com os jogadores de basquete (mas não somente lá), a música reduz a sensação de fadiga, além de dar motivação e amplificar a sensação de prazer. Dito de outro modo, ela nos “distrai” do cansaço, aumentando, com isso, nossa tolerância às atividades físicas.

Sou um pouco suspeito para falar sobre o assunto. Há sete anos, sem grandes pretensões, comecei a aprender a tocar saxofone. Acabei me apaixonando pelo instrumento, que tem sido um companheiro constante desde então. Tenho, portanto, uma conexão especial com a música e sinto na pele o efeito positivo que ela tem sobre minha saúde física e mental.

Seja por experiência própria, seja com base em estudos científicos, a música tem o poder de mexer, literalmente, com nosso coração.

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Iniciei minhas atividades como jornalista na década de 70. Trabalhei em alguns dos principais veículos nacionais, como O Estado de S. Paulo e Jornal de Brasil. Mas a maior parte da minha carreira foi construída no exterior, trabalhando para a emissora britânica BBC, em Londres, onde vivi durante mais de 16 anos. No retorno ao Brasil, criei um jornal, do qual fui editora até me voltar para a internet. O 50emais ganhou vida em agosto de 2010. Escolhi o Rio de Janeiro para viver esta terceira fase da existência.

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