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Procrastinador: Não deixe para amanhã o que você pode fazer depois de amanhã

Por Maya Santana

Estou convencido de que quem combate a procrastinação nada aprendeu com a pandemia

Ingo Ostrovsky, 50emais

“Não deixe para amanhã o que você pode fazer depois de amanhã”.

Já vi essa frase atribuída a inúmeros autores. O meu preferido é o poeta e diplomata Vinicius de Moraes. Não sei se é dele, mas quando eu lembro dessa bem-humorada tirada, cito o carioca e botafoguense Vinicius como seu criador. Isso nunca teve muita importância, mas nesses dias de pandemia a coisa mudou de figura. O adiamento das tarefas do dia-a-dia ganhou o pomposo nome de procrastinação, palavra antiga mas que estava em desuso até o virus trazê-la de volta às manchetes. Manchetes mesmo, sabe como é, títulos de página inteira em jornais e revistas.

Artigos e estudos acadêmicos sobre como combater a procrastinação hoje povoam algumas das mais sérias publicações, tanto aqui no Bananão (expressão criada pelo saudoso Ivan Lessa) como alhures, em sociedades mais organizadas e em adiantado estado de vacinação. Em linhas gerais são conselhos bem práticos sobre como manter o foco na produtividade e evitar atrasos na entrega dos produtos (ou demandas).

Em lugar nenhum, entretanto, vejo ou leio incentivos à procrastinação. Atribuo isso a uma conspiração para que as coisas fiquem como estão, uma revolução às avessas, destinada a perpetuar o assim chamado status quo.

Estou convencido de que quem combate a procrastinação nada aprendeu com a pandemia. Não podemos perder essa chance de mudar o mundo.

A epidemia do coronavirus deixou mais do que claro que será impossível viver naquela velocidade, desrespeitando regrinhas básicas de comportamento nas auto-estradas da vida e do conhecimento. Nem os carros elétricos planejados para o futuro das nossas cidades conseguirão correr como Lewis Hamilton e seus motores a gasolina. O mundo vai ter que andar mais devagar, vai ter que se acostumar com o ritmo do telegrafo usando megabytes 5G.

Laerte, a cartunista, disse em entrevista a Monica Bérgamo que depois da Covid “as coisas ficaram mais lentas”. Esse vírus estará conosco ainda um bom tempo, nada indica que vacinados estaremos livres dele, pelo contrário: a vacina vai nos ensinar a conviver com máscaras e distanciamento social pelos próximos anos. Sejamos criativos nessa direção. O chamado crescimento econômico, que sempre foi baliza da economia mundial, terá que ser domado para atender interesses outros do que os contemplados nos últimos 100, talvez 200 anos.

Procrastinar é a solução. O incentivo à procrastinação deveria ser ensinado em sala de aula quando as escolas voltarem a funcionar, assim que for possível uma professora (ou professor, claro!) dizer aos seus alunos “o dever de casa é para quando der”!

Procrastinadores do mundo, uni-vos!

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Se ela fosse homem, seria dentisto? E ele? Deveria ser economisto?

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1 Comentários

Elza Cataldo
Elza Cataldo 7 de fevereiro de 2021 - 20:52

Gostei do texto, Ingo, com toques de humor carioca e leveza, mesmo em tempos de pandemia!

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