fbpx

Um apelo para que a escrita a mão seja preservada

Por Maya Santana

O ato da escrita tradicional está cada vez mais escasso

O ato da escrita tradicional está cada vez mais escasso

Daniel Agrela

“Sou eu que vou seguir você / Do primeiro rabisco /Até o be-a-bá”. Assim diz o grande Toquinho na introdução de uma de suas mais belas composições, O Caderno. A cada estrofe, o músico ressalta de maneira poética a importância do caderno no desenvolvimento da criança e, por que não, dos adultos. Lançada em 1983, a canção foi, e ainda é, um grande sucesso. No entanto, a essência da letra, infelizmente, está perdendo seu sentido.

Se pararmos para observar o nosso próprio comportamento e das pessoas à nossa volta vamos perceber que o ato da escrita tradicional está cada vez mais escasso. Aquela, a mão, não se vê mais por aí. Não que o computador, antigamente fora a máquina de escrever, deva ser amaldiçoado. Não! Essas ferramentas são, basicamente, meios pelos quais usamos para formalizar uma ideia, um pensamento.

O caso é que muitas das pessoas que hoje escrevem em seus computadores, no passado, aprenderam as belezas do português em cadernos. A folha pautada com margem recebia redações, poemas, sínteses e cálculos. Se a letra não estivesse a contento, lá vinha a brochura especializada para treinar nossa caligrafia. Trabalho? Nada melhor do que o papel almaço. Apresentação? Cartolina. Nomes cada vez mais incomuns atualmente.

Para mim, o ato de escrever a mão sempre me ajudou a estudar. Não bastava apenas ler um texto. Antes de uma prova, copiava capítulos e mais capítulos dos livros do colégio no caderno, pois isso tinha um grande efeito de memorização e de entendimento da matéria. Outro detalhe: a preocupação de escrever corretamente, principalmente quando o uso da caneta era obrigatório, ajudava a assimilar a grafia correta das palavras. Hoje o cenário é outro.

Instrumento principal para a comunicação atualmente, o celular tem prestado um desserviço para a escrita. Dou um exemplo abaixo.

Ao escrever uma simples frase como “Olá, bom dia! Qual a sua programação para o fim de semana?” o aparelho, para facilitar a vida do usuário, oferece a solução de autocomplemento de texto. Ou seja, para formular a questão acima não é preciso digitar letra por letra. O aparelho, antecipadamente, entende o que você quer dizer e sugere rapidamente três opções de palavras. Com um toque na tela, escolhe-se a correta e voilà!

Pode parecer exagero, mas isso, aos poucos, nos afasta da forma clássica de relacionarmos com a língua. Por isso que, independente da evolução tecnológica, é fundamental que a escrita tradicional seja preservada na formação das crianças, dos jovens e também no dia a dia dos adultos. Nesse sentido, faço aqui um apelo em favor do caderno nas palavras de Toquinho: “Só peço, à você / Um favor, se puder / Não me esqueça /Num canto qualquer”.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário





7 Comentários

Ana Lúcia 22 de abril de 2015 - 23:30

Muito bem escrito seu texto. Penso da mesma forma. Uma vez escrita, com o movimento das mãos, dificilmente a grafia é esquecida. A letra é arte e diz muito de cada pessoa. Adquiri um curso do Instituto Universal, para pratica de caligrafia, muito bom. Fica a dica.

Responder
Christiane Ramalho 21 de abril de 2015 - 22:51

Excelente o texto!
Os nossos jovens, hoje,não sabem escrever um texto. É uma pena!
Caderno,lápis, caneta,folhas,largados em um canto qualquer.
Eu mesma,custei a aceitar a entrada do celular na minha vida.
Parabéns pelo texto!

Responder
Maria Aparecida Bassi 20 de abril de 2015 - 23:51

A tecnologia ajuda a comunicação, mas escrever a mão, traz para a mensagem a vibração do seu sentimento. É do coração para o papel.

Responder
Sandra Luiza Franchiose 17 de abril de 2015 - 20:12

Muito interessante o texto. Obervo em mim a questão de não usar com frequência a escrita manual, que tanto usei no meu tempo ativa. Após a aposentadoria, comprei vários cadernos com o objetivo de registrar pensamentos, ações, datas, etc. E acabo esquecendo-os, mas, vou retomar.

Responder
Jani 2 de abril de 2015 - 11:30

Seu tenho um caderno onde faço anotações sobre tudo, já enchi vários deles, gosto de escrever. Nunca usei o computador como agenda, sempre faço numa agenda de papel, onde anoto a lápis, se precisar mudar apago e,transfiro a informação. Escrever eh bom demais. Ali não há corretor de texto. Então precisamos estar atentos ao que escrevemos. Meu livro de reçeitas também eh num caderno. Enfim, uso o computador para me comunicar com as pessoas mas comigo mesma me comunico através da escrita em um caderno.

Responder
sandra 1 de abril de 2015 - 12:40

Parabéns pelo texto. Concordo com tudo que foi escrito. A tecnologia infelizmente nos afasta do raciocínio e nos torna preguiçosos.

Responder
Márcio 1 de abril de 2015 - 11:51

Pura verdade…
Quase não é mais praticada a escrita à mão.
Está sendo perdida, a assim, a capacidade de organizar as ideias e expressa-las de outra forma, que nãos a informática.
O que, de fato, poderia ser feito para remediar, se ele não puder ser corrigido de forma mais efetiva, este comportamento tão predominante de alguns anos para cá?

Responder

Utilizamos cookies essenciais de acordo com a nossa Política de Privacidade e ao continuar navegando, você concorda com estas condições. Aceitar Leia mais