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Yara Tupynambá celebra 70 anos de carreira com exposição de seu rico trabalho

Por Maya Santana

A artista plástica vai completar 89 anos em abril e continua trabalhando incessantemente

É lamentável que tenham escolhido esse período, marcado pelo agravamento da pandemia, para realizar uma ampla exposição da obra da celebrada artista plástica mineira Yara Tupinambá. A mostra, no CCBB de Belo Horizonte, comemora os 70 anos de carreira da artista e, segundo o curador José Theobaldo Júnior, “deixa um alerta de preservação e conservação ambiental”. Perto de completar 89 anos (em 02 de abril), ela continua trabalhando incessantemente. Yara tem uma obra memorável. Já ganhou muitos prêmios. Seu trabalho merece ser visto pelo maior número possível de pessoas, mas a pandemia, infelizmente, não deve permitir. A mostra vai até maio, de segunda à quarta-feira, das 10h da manhã às 10h da noite. Mas há todo um esquema para entrar.

Leia o artigo do site SouBH:

Em comemoração das sete décadas de carreira de Yara Tupynambá, 74 obras da artista plástica mineira, algumas delas inéditas, integram a mostra “Yara Tupynambá – 70 anos de carreira”, que estreia nesta quarta-feira (24), no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Belo Horizonte.

Com obras de diferentes fases da carreira da artista e voltadas para o meio ambiente, a exposição fica em cartaz até o dia 20 de maio, sempre de segunda a quarta-feira, das 10h às 22h. No atual contexto de pandemia, não haverá bilheteria e as visitas presenciais deverão ser agendadas. O acesso ao prédio do CCBB será mediante retirada de ingresso gratuito no bb.com.br/cultura e apresentação na entrada, por meio do QR Code no celular. Já o tour virtual, terá livre acesso pelo site www.yaratupynamba.org.

A menina com balões é uma das obras da artista que estará na exposição

“É preciso ter uma vontade férrea para continuar. Ao longo desses 70 anos de trabalho, as adversidades no meio da arte e da cultura nunca me tocaram. Pela pintura, me sinto gente com capacidade de ver o mundo, ela me deixa tranquila. A pandemia não alterou em nada para mim. Fico praticamente o dia todo no ateliê. Sempre fui muito organizada e metódica. Quando posso mergulhar fundo eu vou. Em vez de dois quadros sobre Jequitinhonha, faço 30”, diz Yara Tupynambá que faz 89 anos, no dia 2 de abril.

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Painéis importantes

A mostra conta com quadros e gravuras de alguns de seus mais importantes painéis, além de uma série inédita sobre o Parque Municipal e os jardins da casa da artista, com as plantas e flores por ela cuidadas, assim como sua visão da casa e dos jardins de Claude Monet, em Giverny, na França dos anos 80. “Meus jardins são meu privado, íntimo e pessoal, é aquilo que sinto. A arte do artista está naquilo que ele vive. É a vivência que faz com que você trabalhe. Tantas cidades, tantos lugares, tantos objetos absolutamente mineiros que posso trabalhar sobre, que posso fazer evocações. Mas não posso trabalhar sobre o Ceará, por exemplo, pois não vivi essa realidade”, explica.

José Theobaldo Júnior, que assina a curadoria da exposição, diz que “o registro dos próprios jardins convida todos a preservarem o meio ambiente e de certa forma também se tornarem artistas, com criações cotidianas no jardim de seus lares. Já a tela, com releitura dos Jardins de Monet, valoriza a necessidade universal de cuidados com a natureza”. Para o curador, telas e obras da exposição, como um todo, “deixam um alerta de preservação e conservação ambiental”.

Floresta e Pássaros é um atestado do amor da artista pela natureza

Espécies raras
O percurso da exposição começa com obras das matas e florestas densas de Minas Gerais – o Vale do Rio Doce e o Vale do Tripuí, resquícios de Mata Atlântica, bioma da costa leste do Brasil, representando a universalidade ambiental. O Cerrado Mineiro é outro importante bioma retratado na exposição, destacado em flores e espécies raras existentes no Parque Nacional da Serra do Cipó.

Os Jardins do Inhotim, o maior centro de arte contemporânea a céu aberto do planeta, são também retratados por Yara, que valoriza a natureza reinventada pelo homem. Rio Doce e Tripuí, os vales e as florestas, os recantos e recortes de Mata Atlântica são representados com paixão e refinamento. A Serra do Cipó e o cerrado se refletem em obras marcadas pela delicadeza e riqueza de detalhes.

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As imersões artísticas de Yara, inspiradas nos parques de BH, completam o ciclo da natureza iniciado quando a artista tinha 17 anos e recebeu as icônicas aulas do mestre Guignard. Dessa época vêm os primeiros registros do Parque Municipal, ao qual Yara retorna agora, 60 anos depois, para oferecer novos olhares e reavivar sua íntima relação com a natureza. “A arte é um documento de seu tempo. Ela tem uma função social. Faço o que faço pois estou em 2021. Em 1960 fiz outras coisas. Cada época focalizei um período da minha história e do meu povo. Quando falo do gado, falo do meu povo. Quem não vê um documento em Guignard?”. E, acrescenta: “sou uma ecologista, meu trabalho está voltado para a natureza, mais do que muita gente de gabinete” (risos).

Cena do Parque Municipal de Belo Horizonte

Quem é Yara Tupynambá

Natural de Montes Claros, Minais Gerais, fez estudos artísticos com Alberto da Veiga Guignard e Oswald Goeldi; foi bolsista do Pratt Institute, em New York. Participante dos Salões de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Brasília, Paraná, Porto Alegre, Campinas, Ouro Preto e Pernambuco. Participante das Bienais de São Paulo e de Salvador.

Artista selecionada para numerosas mostras nacionais e internacionais. Incluída em numerosos livros sobre arte brasileira, como o Dicionário das Artes Plásticas do Brasil. Entre seus prêmios se destacam: II Prêmio de Escultura no Salão de Belo Horizonte; I Prêmio Gravura Salão de Belo Horizonte; I Prêmio de Desenho TV Itacolomi entre artistas mineiros, dentre outros. Recebeu como reconhecimento público a Medalha Ordem do Mérito Legislativo concedida pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais; Comenda da Inconfidência Mineira concedida pelo Governo de Minas Gerais; Palma de Ouro concedida pela Fundação Clóvis Salgado; Grande Medalha de Ouro Santos Dumont, Governo de Minas e Medalha Professora Lílian Câmara concedida pela agremiação Amigas da Cultura de Montes Claros.

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Recebeu o título de Artista do Ano concedido pela Associação Brasileira de Críticos de Arte em 2011. Tem 104 painéis e murais espalhados por numerosas cidades brasileiras, sendo que destes, 07 são tombados pelo Patrimônio Histórico Cultural de Belo Horizonte

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