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Oscar 2015: O despertar da consciência feminista

Por Maya Santana

Patricia Arquette, 46: Melhor Atriz Coadjuvante pela atuação em "Boyhood"

Patricia Arquette, 46: Melhor Atriz Coadjuvante pela atuação em “Boyhood”

Maynara Fanucci, Brasil Post

Eu não ia escrever sobre isso, mas não podia deixar passar a oportunidade depois do que aconteceu. Patricia Arquette, com seu discurso no Oscar 2015, após ter sido premiada na categoria Melhor Atriz Coadjuvante pela atuação em “Boyhood”, me empoderou – e eu sei que fez isso com milhares de mulheres ao redor do mundo também. Depois de já ter falado anteriormente sobre o machismo em Hollywood e na indústria cinematográfica e sobre o sexismo que tende a refletir a objetificação das mulheres e o julgamento delas apenas pela aparência em outras esferas da sociedade, eu ontem vibrei e chorei ao ver o emocionante discurso de Arquette.

Ela, coincidentemente ou não, viveu uma mãe solteira no cinema, criando os filhos sozinha e com dificuldades. Um papel feminista no meio dos momentos machistas do filme, um respiro pra quem não aguenta mais conviver com esse sistema opressor e fica enjoada de ver a exaltação de um sistema que faz vítimas todos os dias. Qualquer semelhança da personagem com a história de mulheres reais, não é mera coincidência. A mulher que luta e batalha para criar seus filhos e conseguir uma vida melhor para eles poderia ser eu, poderia ser você, sua irmã, a sua colega de trabalho ou aquela mulher que pega o ônibus com você todos os dias. Pode inclusive ter sido a sua mãe – e talvez, tenha mesmo.

Veja a atriz em Boyhood

Ontem, ao subir no palco para receber o prêmio, ela dedicou sua vitória a “todas as mulheres que já deram a luz”, dizendo que “é a vez de nós termos igualdade salarial e direitos iguais para todas as mulheres nos Estados Unidos da América”. A atriz foi ovacionada pela plateia e pelas colegas Meryl Streep e Jennifer Lopez, que já viraram meme na internet com suas reações. Ela foi aplaudida e está sendo ovacionada também nas redes sociais, onde só se vê mulheres replicando o seu maravilhoso discurso, porque elas se sentiram empoderadas e representadas com ele.

Eu poderia falar mais uma vez o quanto representatividade é importante, que faltam mulheres em espaços importantes como o Oscar e na sociedade como um todo. Talvez para um homem, essa importância nunca fique suficientemente clara e eles nunca entendam o peso de um discurso desses em uma cerimônia transmitida ao vivo, principalmente quando o mundo tem seus olhos voltados para uma premiação tão importante como esta.

Mas eu queria falar especificamente do que eu vi acontecer nessa cerimônia. Não só por este maravilhoso momento que foi o discurso de Arquette, mas por também outros acontecimentos, posso dizer que esta edição do Oscar, apesar das reclamações e da falta de representatividade, teve alguns momentos feministas fundamentais e bem pontuados. No meio das entrevistas do tapete vermelho, atrizes levantaram suas vozes contra demonstrações de machismo. Cate Blanchett, Julianne Moore e Emma Stone se recusaram a exibir apenas seus caros vestidos, alegando que seus colegas homens recebem perguntas relacionadas à carreira e papeis no filmes, enquanto elas se limitam a responder perguntas machistas sobre aparência, cabelos, vestidos e dietas. A campanha encabeçada pelo grupo Representation Project lançou a hashtag #AskHerMore (Pergunte mais a ela) para pressionar a mídia a fazer perguntas menos machistas e mais inteligentes às mulheres das premiações. Clique aqui para ler mais.

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