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Precisamos fazer a rebelião dos cabelos brancos

Por Maya Santana

Christine Lagarde, 59, diretora-gerente do FMI

Christine Lagarde, 59, diretora-gerente do FMI

Déa Januzzi

Acordei de madrugada com vontade de escrever uma carta a mão, com papel de linho e caneta tinteiro. Caprichei na caligrafia, afinal, tenho letra bonita, redonda, igual à de uma professora primária. Será que hoje é ensino fundamental? Não sei mais, mas vou desenhar as letras, bordar palavra por palavra, porque perdi a medida do tempo, confundi noite e dia. O sol ainda está longe de surgir e eu me lembro que tenho de pintar os cabelos. Já estão bem brancos. Mas será que tenho mesmo de continuar pintando os cabelos?

Teve um tempo que eu escrevia crônicas em guardanapo, em pedaços de papel de pão ou qualquer papel que estivesse ao meu alcance. As frases saíam soltas, limpas, como se a poesia nascesse do papel. No dia seguinte, ia para a redação do jornal onde trabalhava e as mais jovens riam dos meus pedaços de papel rabiscados. Elas se divertiam com a cronista que escrevia a mão em pedaços de papel. E só depois transcrevia para o computador.

Hoje, quando acordo de madrugada e lembro que tenho de pintar os cabelos urgentemente e que algumas amigas da mesma idade já assumiram o branco total, me pergunto: porque eu, que sempre fui rebelde, ousada, libertária ainda não consigo? Pintar os cabelos para esconder a idade? Lembro-me de um amigo jornalista que um dia deixou escapar: “Eu estou ficando com os cabelos brancos e as minhas amigas cada vez mais ruivas e loiras”. Bem colocado, amigo, ser mulher tem dessas coisas. Será que pintar os cabelos apaga as marcas do tempo? Pelo menos nós mulheres achamos que sim, que é desleixo deixar os cabelos brancos em desalinho, principalmente eu que tenho os cabelos anelados, rebeldes.

Penso que tive a mesma inquietação quando começaram a me chamar de senhora numa dessas lojas de roupas. Olhei para um lado e para o outro para ver quem era a senhora ali e não é que não tinha mais ninguém na loja? A senhora era eu mesma. Confesso que até hoje o senhora me dá medo de reconhecer a própria idade.

É por isso que amanhã bem cedo vou correr para o salão. Vou pintar os cabelos e quem sabe as sobrancelhas, para ver se me sinto mais jovem, se param de me chamar de senhora. Nessa carta que escrevo à mão, com papel de linho e caneta tinteiro que já revela a minha idade, vou falar assim: “Nós mulheres precisamos fazer a rebelião dos cabelos brancos, um protesto contra as tintas, um manifesto contra a juventude eterna. Será que não podemos envelhecer?”

Pior que não. Ontem mesmo decidi ir a uma reunião de trabalho importante com os cabelos rebelados e sem o meu boné-esconderijo de fios brancos, um boné que me foi presenteado por uma das maiores chapeleiras da cidade, Lenice Bismarcker. Ela já partiu, mas o boné-esconderijo continua comigo. O preto do boné está ficando amarelado, mas ele é o meu guia, a minha identidade quando não posso colorir os cabelos. O boné é parte do meu corpo, como eram as lentes de contato há tempos. Perdi as lentes, coloquei óculos, mas o boné continua como uma espécie de bandeira, de transgressão. Sinal de outros tempos. Será que alguém se lembra do eterno boné de Che Guevara? O meu boné é isso: uma espécie de símbolo da guerrilha. Apesar de saber que, hoje, preciso fazer outra revolução – a dos velhos, se quiser ocupar um lugar em um mundo que envelhece, envelhece e envelhece.

Confesso que a experiência da importante reunião com os cabelos destampados e brancos me deixou insegura, principalmente porque o encontro era com um empresário jovem, com 30 e poucos anos. Mas a minha amiga foi ao encontro com os cabelos brancos. Ela decidiu não pintar mais. Então, tomei coragem, deixei o boné em casa, tentei ficar em paz comigo mesma, mas não é que atrapalhou? Tive vontade de enfiar a mão na bolsa à procura do boné-identidade, mas ele tinha ficado em casa. E agora o que eu faço? É relaxar, mas fiquei incomodada, tentando esconder os cabelos brancos, vocês imaginam?

Agora às cinco da manhã, quando escrevo com papel de linho e caneta tinteiro, tenho que confessar. O mundo ainda não está preparado para assumir os seus cabelos brancos, apesar da verdade demográfica do envelhecimento populacional. As mulheres não podem deixar os cabelos sem pintar, porque se tornam invisíveis mais do que já são depois dos 60 anos. Pego um táxi em silêncio mortal com a minha insegurança. Chego em casa, pago o taxista que me agradece: “Obrigada, senhora!”.

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56 Comentários

Maria Cristina 2 de outubro de 2016 - 23:01

Parei de pintar meus cabelos aos 48 anos. Estavam ralinhos é muito finos. Descolori bastante e acolhi os brancos de coração aberto. Interessante é que sempre perguntam se eu pinto de platinado. Uma vez por semana uso um matizador para não amarelar. Gostei tanto que assumi e não acho que fiquei envelhecida.

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edna lima 12 de agosto de 2016 - 11:35

Raspei minha cabeça e nunca mais pintei meus cabelos, adorei veio uma cor maravilhosa de grisalhos bonito, me admiro por isso, fiquei linda e abandonei de vez a tinta que prejudica muito o couro cabeludo, aceitem de vez o grisalho vocês mulheres vão arrasar!!!!!

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Heliana 9 de outubro de 2015 - 09:09

Bom Dia Déa, amei seu texto! Me sentia como vc mesma se descreveu. Na verdade eu estava escrava da tintura no cabelo. Antes de qualquer programação lá ia eu procurar ver se precisava ou não ir ao salão … até que um belo dia fui mordida pelo bicho liberdade e consegui sair desta prisão. Você não pode imaginar como é bom se sentir livre da escravidão que nós mesmas nos impomos. Como diz uma querida amiga minha (Suely Mello) ” você é uma senhorinha, amiga”! Sim sou uma senhorinha … E os cabelos tintos ou não, não me tiram dessa situação e eu mesma nem quero sair dela. Aos 65, indo para os 66 daqui a uns dias, me dei este direito de ser quem sou … de não precisar estar como a maioria, mas de já pertencer ao clube das senhorinhas de cabelo branco. Algumas dores começaram, alguns cuidados devem ser tomados, novas consultas médicas agendadas, mas minha lista de amigas aumenta a cada dia, minhas atividades com as netas e netos (ainda pequenos) são de extrema liberdade e alegria, meus compromissos sociais com meu marido continuam, os cuidados com meu corpo e minha alma são de extrema importância. Quero ser util a cada dia que passa e penso que isso é tudo o que importa!

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Jorge 9 de setembro de 2015 - 12:46

Me perdoem, mas vocês já se libertaram de tantas coisas, das consequências da sexualidade, do sutiã, da dependência masculina e ainda não se libertaram deste hormônio que é o Koleston?

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Marli 7 de setembro de 2015 - 22:43

Decidi este ano que vou assumir os brancos apartir de agora não vou mais pintar os meus cabelos, mesmo os amigos dizendo para pintar não pintarei.

Responder
Zilda 12 de agosto de 2015 - 23:13

Se ficasse branco de uma vez,deixaria,mas nem branco nem preto não dá…Acho horrível e não escondo minha idade,nem faço pelos outros,faço por mim mesmo,por achar feio.Lindo qdo tá todo Branquinho,mas daí chegar lá…

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Iara Barros 12 de agosto de 2015 - 13:36

Tenho cabelos brancos desde muito nova. Pintei a 8 anos atrás e me arrependi. Resolvi deixar de pintar e estou super bem. O importante é fazermos o que gostamos e não viver de acordo com a opinião dos outros. Por quê ninguém se espanta com um cabelo pintado de vermelho, rosa e critica o branco? Acho lindo e estou feliz, isto me basta.

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Norma 12 de agosto de 2015 - 12:40

Seu texto é muito bom, principalmente por trazer uma decisão que vem do seu íntimo. O envelhecimento traz consigo a invisibilidade, difícil de ser aceita por nós mulheres. Creio que o tempo necessário para a tinta desaparecer me dificulta, pois associo a me sentir relaxada. Abços

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Lais Milan Dania 11 de agosto de 2015 - 22:21

Adoro meus grisalhos!

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Cida Sardinha 11 de agosto de 2015 - 21:56

Adorei o texto e me encontrei nele em muitos momentos. Tenho 59 anos,uma boa história de vida e comecei a pintar os cabelos depois dos 40.Observando os comentários, percebi que a queda de cabelos parece atingir a todas assim como os brancos. Estou nesta fase,com uma queda muito acentuada e muita vontade de não pintar mais…mas,preciso de coragem poissserá uma ou mais uma,revolução….

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Rosita Medeiros 11 de agosto de 2015 - 21:07

Nunca quis esconder a idade. No início pintava porque achava feio pessoas com cabelos brancos. Achava mesmo que era desleixo. Hoje, aos 58 anos, estou criando paciência pra deixar a tinta cair sem ter que corta-los. Essa bobagem de achar que é desleixo , acho que era coisa da idade. A cabeça não aceitava cabelos brancos aos 30.

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Arethuza Gonçalves 11 de agosto de 2015 - 20:29

Queridas,
Decidi não pintar mais meus cabelos, desde 0s 18 anos tenho feito isso regularmente, a cada dez dias, a cada quinze dias, isso já faz quase 30 anos, cansei, esta na hora da aposentadoria dos fios pintados (afinal já faz 30 anos) rsrsrrsr, sei que não vai ser fácil, mas também é o que quero para mim no momento e isso é o que vale, não posso permitir em fazer algo que me é imposto porque as pessoas acham isso ou aquilo, o que conta sou eu, como disse não será fácil, mas vou ser persistente, o importante sou eu, e o meu eu no momento é amadurecimento, é liberdade. Luz e Paz à todas. Abraços

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Cristina 11 de agosto de 2015 - 19:44

Resolvi não pintar mais o cabelo já faz mais de um ano, sofri muita pressao de amigas e até da família, apoio do marido e filhos. Tinha tinta ainda então estava muito feio mesmo, aí cortei curtinho, saiu toda a tinta, ficou legal, meu cabelo e preto, portanto estou grisalha. Meu cabelo está lindo, mnha filha se formou sábado, fui no salão fiz uma big escova e no sábado lá estava eu cabelos cheios de fios de prata, só recebi elogios. O que me incomoda, é que agora olham pra mim e dizem – que legal, agora é moda -, ta bom depois do que sofri se é moda fui que lancei hehehe. Mas digo pra vcs, precisa coragem, não pelos brancos, mas pela pressão, mas vale a pena. Tenho 58 anos e me sinto cada vez mais.livre, inclusive pra assumir os meus brancos.

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Inez Cunha 11 de agosto de 2015 - 18:32

Tenho 54 anos e pintava os cabelos há 30 anos.
Cansei da ditadura!
Cansei da escravidão!
Tem 6 meses que não pinto e penso: porque não parei antes?
É muito libertador!
Vivo um detox capilar e a natureza agradece por enviar menos química pra ela.
É só ter atitude e não se importar com os outros.
Uma dica: cabelos curtos e bem cortados e andar sempre arrumadinha pra ninguém ter motivo pra falar que vc é desleixada.
É mtooo bom ter atitude!

Responder
Mirian Silva 11 de agosto de 2015 - 18:07

A mais de três anos decidi que não mais pintaria os cabelos, estava então com 56 anos, no início foi difícil pois custou bastante para sair o restinho de tinta, fui cortando e me desfazendo do louro cinza claro. Hoje estou muito satisfeita com meus grisalhos, inclusive já recebi diversos elogios pela cor que eles ficaram, até as adolescentes da escola me perguntaram que tinta linda que eu estava usando. Estou feliz assim e não me preocupo mais com as raízes, inclusive meu cabelo ficou mais macio e sedoso.

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Telma Côrtes 11 de agosto de 2015 - 17:22

Geeeeente! Lí tudo, na esperança de que encontraria algum (a) profissional assegurando que descoloriria toda tinta acumulada e me daria a oportunidade de exibir lindos cabelos naturalmente grisalhos…

Responder
rachel vaccari Vassão 11 de agosto de 2015 - 18:42

Telma, se queres assumir uma cabeleira grisalha, a meu ver, o ideal é ter a coragem de cortar tudo, como fiz. Aos poucos a gente se acostuma, fica livre, leve e solta. Há bastante tempo cortei meus cabelos pois estavam sempre presos e , porque pintava, cada vez de um jeito, desde os 18 anos, não sabia como eles eram realmente. Fiquei muito surpresa quando percebi que estavam grisalhos. Fui tão radical, que passei máquina 2 e muitas pessoas chegaram a petguntar se tinha feito quimioterapia. Kkkkk Desde esse tempo, tentei tinta umas 2 ou 3 vezes. Desisti. Agora, quando ficam muito rebeldes, ainda aplico hena e deixo sair naturalmente. Ficam tratados e, por muito meses sou novsmente livre.

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cleide 11 de agosto de 2015 - 16:12

Fiquei inspirada a aceitar os meus brancos, que ainda insisto em pintar, mas estou criando coragem para isso, já com 63 anos. Seu belo texto me encoraja mais a assumir a verdade da vida…

Responder
maria cristina silva dias 11 de agosto de 2015 - 15:49

Deixei de pintar e usar produtos para modificar o meu cabelo há pouco. Estou felicíssima, sentindo-me linda. Libertei-me das opiniões alheias e da pressão das multinacionais para sermos eternas consumidoras de tintas e tantos outros produtos químicos, que não fazem nenhum bem à saúde.
Ah… o que vou deixar de gastar em um ano dá para eu fazer uma ótima viagem e me divertir bastante. (Tudo somado na ponta do lápis). Sou mais eu. Abraços.

Responder
graça Ferreira Borges 11 de agosto de 2015 - 14:48

Estou tão feliz com os meus cabelos brancos, já estou há oito anos assim, depois de ficar totalmente careca! Não pretendo nunca mais usar tinturas. (Cada um com o que lhe cai bem) !

Responder
Fernanda Gonçalves 11 de agosto de 2015 - 14:42

Eu deixei de pintar os cabelos já faz alguns anos e foi uma decisão difícil, ainda hoje me chamam até de relaxada, mas eu nem ligo, eu gosto muito dos meus cabelos brancos e que me chamem de senhora, é sinal que ainda existe respeito.

Responder
Edna 11 de agosto de 2015 - 14:34

Somos escravos de uma sociedade preconceituosa , acho que isso acontece só aqui no Brasil, talvez em outros países ocorram, mas não como aqui.Envelhecer é um processo natural, mas difícil.somos cobradas, nos tornamos invisíveis, as vezes somos trocadas por nossos maridos, Pq simplesmente envelhecemos e eles podem envelhecer a não envelhecer com uma velha.sao tantas as cobranças que sofremos que só um grito de liberdade , uma auta e boa estima e um amadurecimento é quem podem nos livrarmos de tanta carga desnecessaria.

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EUCELIA 11 de agosto de 2015 - 14:24

Cabelos brancos, loas, canas… são muito bonitos e “visíveis”‘. Todos notamos mulheres e homens de cabelos brancos. Nos homens, um chame especial! Nas mulheres, um charme! Nos dois casos, chamam a atenção para o belo, desde que estejam com um bom corte ou, no mínimo, arrumados. Com todo o respeito, na minha opinião, um cabelo branco ou com fios brancos aliados a uma sobrancelha com excessos, passam a sensação de falta até de banho “tcheco”. Não deixávamos a nossa falecida mãe sem arrumar os cabelos, seja na época em que pintava, seja depois quando não se importava mais, e também não deixo minha sogra sem esses cuidados! Os meus brancos estão aparecendo muito timidamente, mas espero não deixá-los tomar conta de minha figura como um estigma: “ah, aquela senhorinha de cabelos brancos ali…”

Responder
Maria do Carmo 11 de agosto de 2015 - 14:09

Tenho os cabelos brancos desde cedo. Começaram a embranquecer eu era muito jovem, então resolvi assumi-los desta forma. Nunca pintei e não é agora que estou velha que pintarei. Sim, velha fisicamente, mas espiritualmente jovem, cheia de energias e muita disposição. Minhas amiga sempre me dizem que devo pintá-los para rejuvenecer, mas não são os cabelos brancos que me fazem jovem, sim meu espírito que é alegre, juvenil e bem disposto. Sou feliz como sou.

Responder
Maria Christina 13 de maio de 2015 - 15:44

Am ei seu texto,principalmente quando voçe fala que tornamos invisiveis.Omtem fui a um velorio da mae de uma amiga de minha filha. Elas conversavam,conversavam e,quando eu opinava era como se eu nao existisse ali,era invisivel.Parei de falar ,opinar e,nada aconteceu. Nao me perguntaram se eu queria ir embora ,tomar um cafe ou outra coisa.O mundo nao esta preparado par lidar com seres humanos apos 60 anos.Os cabelos podem ser brancos,loiros, pretos ou vermelhos.
Um abraço.

Responder
José Porto 13 de maio de 2015 - 14:43

Cabelos brancos! Tenho-os, mas não gosto. Em mulheres é mais feio ainda.
Mais chato que pintar os cabelos duas vezes ao mês é fazer a barba todos os dias.
Mulheres, uni-vos: abaixo os cabelos grisalhos!

Responder
ELADIR MOTA DE SOUZA 28 de abril de 2015 - 22:50

ADORO MEUS CABELOS GRISALHOS E BRANCOS! ASSUMI DE VEZ Á 8 ANOS QUE Ñ PINTO!!!!!!!!

Responder
magdala ferreira guede 28 de abril de 2015 - 21:42

Querida Déa que texto lindo.
Emocionou-me.
Poético,profundo e fala e escangara o nosso lugar nesta sociedade que ainda nao viu a beleza,a leveza em envelhecer.
Muitas perdas e ganhos incomparaveis.
Ahô amiga!

Responder
Déa Januzzi 28 de abril de 2015 - 16:02

oi, Lili, confundi o detalhe Che Guevara, porque também tenho boinas e adoro. Obrigada por me lembrar

Responder
Déa Januzzi 28 de abril de 2015 - 16:01

oi, Lili, confundi o detalhe Che Guevara, porque também tenho boinas e adora. Obrigada por me lembrar

Responder
Waldija 28 de abril de 2015 - 11:06

Eu também me libertei dessa escravidão. Meus cabelos , quase totalmente brancos, agradecem-me todos os dias. rs rs rs

Responder
Lili Santos 28 de abril de 2015 - 00:16

O que não pode na verdade, é a Mente dá um Branco.Qunto aos cabelos, a cor é só um detalhe opcional. Agora, o Che Guevara não usava Boné, e sim Boina.

Responder
Delta Regina Catraia Goulart 27 de abril de 2015 - 21:30

Deixei de pintar os cabelos em de 2014.
Tenho 63 anos de vida bem vividos e o maior orgulho dos meus cabelos brancos. Parecem algodão.
Nada contra que pinta, mas os meus vou conservá-los assim: Bem branquinhos.

Obs. Minhas sobrancelhas são bem escuras e ainda não tenho rugas.

Responder
Marilya Fisio 27 de abril de 2015 - 18:15

Teoria na prática nem sempre é a mesma coisa. O que se prega para as pessoas nem sempre pode ser aplicado para ambos os sexos, e a mulher sempre sofre muitos tipos de discriminação quando tenta “a luta pioneira em prol de alguma causa”.
Fazer o que ? O cabelo, o rosto do ser humano é seu cartão de visitas, e nem sempre somos aceitas com a “nossa realidade” tão evidente, então disfarçamos com tinturas, cha´´eus e outros artifícios

Responder
Rita lima 27 de abril de 2015 - 08:44

há cinco anos, assumi todos os sinais com que a idade vem me marcando,inclusive cabelos brancos. Não houve dramas nem demonstração de rejeição .Ao contrário, tenho recebido muitos elogios. Noto qua algumas mulheres da minha faixa etária me olham com ar de admiração pela minha coragem. Sinto-me bem, confortável, em paz e isso é o que importa.

Responder
Déa Januzzi 27 de abril de 2015 - 07:51

Nossa é tão bom ouvir histórias de mulheres e homens interessantes e inteligentes. eu que, sempre quis o poder. O poder de fazer o que quiser. O poder de ser livre e transgressora, o pode de escrever com o coração. O poder de ter amigos e leitores como vocês. O poder de me expressar, de me expor, de questionar, agradeço a cada um que entrou e escreveu no https://www.50emais.com.br

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Adriane Eunápio 26 de abril de 2015 - 23:35

Prezada Dea, você já fez uma matéria sobre cabelos brancos há vários anos atrás, e apesar de não nos conhecermos pessoalmente, fui entrevistada por você e a matéria ficou maravilhosa.
O que tenho a te dizer, quase 6 anos após, é que nos tornamos muito mais visíveis após retirar a tinta, e isto pode a princípio parecer amedrontador, mas a liberdade de não ter o que esconder compensa qualquer medo inicial!!!
Te desejo boa sorte na sua viagem!
Grande abraço!
Adriane Eunápio

Responder
Maria Neves Pacheco Finotti 26 de abril de 2015 - 22:31

Sabe Déa, nunca tingi os cabelos por ser preguiçosa, fazia luzes e disfarçava bem os fios brancos que teimavam em aparecer, até que, um câncer me atingiu e com a quimio para combate-lo fiquei sem os lindos fios. Aí pensei se fiquei tanto tempo sem cabelo, agora que já tenho novamente uma cabeleira razoável, mesmo grisalha está ótimo, e não é que várias pessoas já perguntaram a minha cabeleireira que química uso, dizem que é tão bonito, uma cor incrível. Dá para entender?
Conclusão: Não gasto dinheiro e nem me obrigo a fazer nada para não parecer mais velha, tenho a idade que tenho e tudo bem, alguns acham que tenho menos, mas nunca ninguém me deu mais idade do que tenho, pelo menos não diretamente.
Um abraço

Responder
Glicia 11 de agosto de 2015 - 14:24

Muito legal seu comentário!
Pintar os cabelos para parecer mais nova é cultivar uma ilusão. Cultivar ilusões nos enfraquece, e temos que que estar preparadas para momentos tão delicados que podem acontecer em nossas vidas, como é o caso de ter que enfrentar um tratamento contra o cancer.
Além disso, pensando muito além de padrões sociais, a quem estamos sastifazendo ao pintar os cabelos brancos? À poderosa indústria cosmética, que explora a nossa submissão aos ditames do patriarcalismo que colocam a mulher como objeto de desejo do homem. Tô fora, mesmo sendo hetero!

Responder
Lisa Santana 26 de abril de 2015 - 21:45

Déa, querida, o primeiro ” senhora” ninguém esquece, creio…rs. Acredito que os primeiros cabelos brancos também não. Pintá – los ou não deveria ser uma opção, pois nada é pior que as obrigações. Mas em um país em que a juventude tende a ser eterna, e homens podem e devem ( mesmo se não quiserem) ter cabelos brancos, Somos todos escravos. Sem dúvida, nós mais do que os homens que ainda por cima vigiamos as que querem deixá – los como deveriam ser: naturais. Triste prisão.

Responder
Denise D Bruno 26 de abril de 2015 - 21:33

Deixar de pintar os cabelos foi meu presente para mim mesma quando fiz 50 anos.
Estou com 55 (quase 56) e me sinto muito mais segura e charmosa do que aos 40.
Mas, respeito quem pinta os cabelos, quer seja aos 50, 60, ou mesmo aos 90.
E, deixar de pintar não quer dizer deixar de cuidar da aparência, pois os cabelos brancos exigem outro tipo de cuidado, por serem mais secos.
A aparência como um todo também, para não se ficar com um rosto apagado.
Outra coisa: para deixar de pintar, depois de 20 anos (fiquei grisalha aos 30), não foi simplesmente para de retocar a raiz. Foi um processo de mudança de tonalidade através do qual nunca apareceu uma raiz branca.

Responder
Déa Januzzi 26 de abril de 2015 - 20:07

Parabéns, Márcio, é tão bom ouvir um depoimento sensível de um homem. Obrigada por seu testemunho e repito com você: “Abaixo a Ditadura dos Cabelos Tintos”!

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Wanda helena 26 de abril de 2015 - 20:07

Tenho 66 anos e deixei de pintar meus cabelos há muito tempo decidi porque achei que usar o cabelo branco não iria me deixar mais velha e uma questão de atitude se vcs usar u corte moderno usar maquiagem e se vestir com bom gosto vcs sempre vai ser uma linda mulher

Responder
JOSETT MIRIAN TEIXEIRA 26 de abril de 2015 - 19:44

Tenho 60 anos. Me considero um tanto esclarecida. Sou de estatura baixa, magra, cabelos escuros, tingidos é claro e caindo muito. A dermatologista me disse: “com a idade a tendência é diminuir a estrutura dos fios, a quantidade..” e nesse momento quase fui às lágrimas. – “A senhora tem familiares com calvície?”. Nesse momento lembrei de meu avô e meu irmão e quase num ato de desatino dou um grito de dor. Sempre tive muito cabelo, além de forte era muito fácil de lidar. E agora? além da idade, tintura constante , ficando com o cabelo mais ralos e metade dos cabelos brancos. Deixei de tingir por um tempo e todas as pessoas me cobraram o aspecto envelhecido de minha imagem. O que nos deixa mais inseguros no envelhecimento? A velhice nos alcança devagar e se manifesta em nossos quesitos pessoais que nos davam algum destaque como a beleza dos cabelos, a tez, os dentes, as mãos , as curvas do corpo, o andar, os gestos. Engraçado como somos mais cobrados, até por nós mesmos, pelos aspectos físicos e de aparência do que a forma como nos relacionamos com a vida e as pessoas, a serenidade que adquirimos, a maturidade emocional que aprendemos, o projeto de vida que realizamos e o legado que deixamos.

Responder
Waldete Maria Alves Viana 26 de abril de 2015 - 17:06

Tenho 58 anos e resolvi assumir os cabelos brancos porque não suporto cheiro de tinta e a espera inevitável no salão. Consigo ficar em paz comigo, os outros nem sempre…

Responder
Márcio 26 de abril de 2015 - 15:41

Eu penso que seria necessário que as mulheres se libertassem da ”Ditadura dos Cabelos Tintos”.
Aquelas, muito poucas, que o conseguem ficam com o rosto natural da idade, sem o contraste evidente com as marcas naturais do envelhecimento da pele do rosto.
Sou da opinião de que todos nós, mulheres e homens, precisamos, temos que aceitar, para conviver bem com e sermos mais felizes, as marcas do envelhecimento, por que é assim, é natural, não está errado, não é feio, não é vergonhoso, não é humilhante, não rebaixa a pessoa etc. etc. etc…
Vejam os belos exemplos de Vanessa Redgrave, Vera Holtz, Meg Smith, Helen Mirren, Nathália Timberg e tantas outras mulheres em evidência. Todas elas com a beleza natural da idade que têm – por que, sim, nós podemos todos, homens e mulheres, ser belos aos 50, 60, 70, 80 anos…!
Essa questão é bastante mais fácil para os homens, que em geral deixam os cabelos embranquecerem naturalmente, mas continua extremamente difícil, penso, para as mulheres. Acho entretanto muito feio também, e que envelhece mais ainda, homens de cabelos tintos. E aqueles que também tingem a barba e o bigode? Ou só a barba? Ou só o bigode…?
Minha ex-mulher resolveu, cerca de 3 anos atrás, por volta dos 57 anos, parar de pintar os cabelos. O ano inicial foi bastante difícil para ela – tanto para o vivenciar dela própria, quanto em relação ao olhar crítico e condenatório dos(as) outros(as).
Quando ela ficou com os cabelos totalmente naturais, sem nenhum traço de tintura e que eles resplandeceram na qualidade dos fios, na suavidade ao toque, na cor vívida dos fios brancos e pretos, no brilho e na naturalidade dos cabelos como um todo…, o seu rosto iluminou em consequência e ela rejuvenesceu! Ela ficou mais bonita ainda!
Os seus cabelos sempre foram bonitos, mas estavam oprimidos, cabisbaixos, esmaecidos, sem vida, quase completamente mortos enfim, pelas mais de duas décadas de tintura.
Mulheres, homens, meus colegas de idade, abaixo a Ditadura dos Cabelos Tintos!

Responder
Lúcia Oliveira 26 de abril de 2015 - 12:25

Já me libertei e não me arrependo!

Responder
Andréa 26 de abril de 2015 - 11:12

A questão nem é envelhecer. Meu cabelo começou a ficar branco eu tinha 18 anos ( e já se passou um bom tempo ). E desde sempre, eu pintando. Parei de pintar há uns seis anos. Não gosto de pintar. Ponto. Estou no meu direito. Ninguém pode me coagir a isso. Minha identidade. Mas é triste aguentar as críticas das pessoas, mesmo dentro de casa. E geralmente, quando chamam de ” senhora “, usam um tom pejorativo. Que só mulheres MUITO velhas assumem cabelos brancos. Velhas, destituídas de vaidade, desleixadas, não mais preocupadas em seduzir ou serem as melhores ou mais bonitas. Outro sinal da educação e da mentalidade reprimida e competidora ( no sentido negativo ) na qual as mulheres são educadas: cabelo é sedução, é a joia da mulher. E o pior é que tem muitas que se aproximam de mim e dizem: _ Eu queria ter coragem…. Coragem de que? De assumir as próprias vontades? Ou elas acham que eu me exponho ao ridículo? Coragem de olhar no espelho e aceitar a si mesma? Eu não me escondo. Aliás, a beleza é mesmo uma ditadura, e não uma expressão natural do Ser Humano como individualidade. Ela diz que o boné é sua forma de guerrilha. A minha é ter cabelos curtos e brancos. Aliás, ter cabelos curtos é uma libertação.

Responder
claudia 30 de dezembro de 2015 - 15:18

Parabéns, por ser você mesma.

Responder
Déa Januzzi 26 de abril de 2015 - 09:03

Adorei a ideia do Clube das Jovens Mulheres de Cabelos Brancos, com encontros, saídas e um vinhozinho para celebrar!!!

Responder
ELIANE CALIL VAZ 11 de agosto de 2015 - 16:02

Olá!
Também entrei nessa onda! Faz um ano e meio que parei de pintar mas ainda tenho a parte de baixo com a tinta.
Precisei fazer um tratamento dermatológico por mais de um ano. O cabelo quebrou demais e teve uma queda considerável. Bom que tenho muito, senão tinha ficado careca. Comecei a ter cabelos brancos aos 16 anos mas nunca me incomodaram. Só comecei a pintar depois dos 45 anos e como me arrependo!!! Agora é cortar os cabelos e assumir meus branquinhos!
Beijos!
Eliane

Responder
ELIANE CALIL VAZ 11 de agosto de 2015 - 16:05

Esqueci de dizer que tenho 62 anos,

Responder
M.Juscelina 26 de abril de 2015 - 07:08

É uma ditadura da moda essa nossa necessidade de esconder os cabelos brancos! O meu está todo branco nas raízes da parte da frente e o resto ainda escuro, o que dá um certo ar de desleixo…E agora, como enfrentar o espelho e mesmo as pessoas que nos chamam de velha, sobretudo aquelas na faixa dos 40…Não quero mais ser loira nem ruiva, as cores prediletas de quem tem cabelos brancos a esconder…Mas que é difícil acostumar com isto, ah, isto é!
Nessa dúvida enorme já me ocorreu voltar a ser loira…Mas, e a coragem, depois de tanto tempo sem tinta? É preciso ter disposição, coragem e autoestima alta para não se deixar vencer pelas aparências! Podíamos fazer um clube das “jovens mulheres de cabelos brancos “.

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Lúcia Soares 25 de abril de 2015 - 22:32

Déa, eu aderi aos brancos, há quase 1 ano. O processo todo para deixar a tinta sair é que é a parte difícil. Mas a gente tem mesmo que querer, estar disposta, a não pintar mais. Eu estava me sentindo prisioneira do salão e da tinta, detestava o dia de pintar.
Não acho que envelheci nem um mês.
Velhice está na cabeça. rs
Beijo.

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vera signorini 7 de setembro de 2015 - 19:57

Aderi aos cabelos brancos há uns oito meses, mais ou menos… Só posso dizer que me sinto bem melhor assim… 🙂

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Carmen Netto Victória 25 de abril de 2015 - 21:36

Sempre que vou pintar o cabelo decido: é a úlima vez No próximo mês estou pintando de novo. Não estou preparada ainda para essa decisão..

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