Entre os 40 e 50, elas sofrem mais com a prisão que é viver no Brasil

Por Maya Santana

 

Mirian Goldenberg fala da importância da amizade entre as mulheres na luta contra a “velhofobia”

Há poucos dias,  gravei um podcast ( O que mais me aborrece no meu processo de envelhecimento é…) aqui no 50emais falando do que mais me incomoda no envelhecimento:  a displicência e pouco caso com que as pessoas de mais de 60 anos são tratadas. Hoje, encontrei uma palestra da socióloga Mirian Goldemberg, autora de uma grande pesquisa sobre envelhecimento no Brasil, confirmando muito do que eu disse na minha gravação. Para a socióloga, segundo artigo publicado pelo Uol, o Brasil é “velhofóbico”(tem aversão ao envelhecimento), já que impede que pessoas acima dos 40 anos sejam livres para fazerem o que bem entenderem.

“A sociedade diz que envelhecer é feio, que quando você envelhece não pode mais trabalhar, estudar, namorar, fazer escolhas, você não pode mais existir. É uma espécie de morte simbólica. O envelhecimento no Brasil é uma morte simbólica e nós envelhecemos muito cedo”, disse ela, no encerramento da primeira edição do Ageless talks (tudo no Brasil agora tem título em inglês), promovido pelo caderno Viva Bem, do Uol.

Leia também: “Velhofobia”, uma praga que veio junto com o novo coronavírus

 

Mesmo com os avanços que tem havido, a realidade continua dura para mulheres que buscam seguir as regras de uma sociedade machista e anti-idade. De acordo com Mirian Goldenberg, as mulheres que têm entre 40 e 50 anos são as que mais sofrem com essa espécie de prisão de padrões existente no Brasil. “Elas se sentem fracassadas por não corresponderem ao modelo de corpo jovem, magro, sensual e bonito”. Isso explicaria, segundo ela, as brasileiras serem as mulheres, em todo o mundo, que mais fazem cirurgia plástica, usam botox, pintam o cabelo, fazem preenchimento, tomam remédio para emagrecer, ansiolíticos, antidepressivos e remédios para dormir.”

A antropóloga comentou que muitas mulheres nessa faixa etária nem têm ainda a sensação de envelhecimento, mas de que se tornaram invisíveis, transparentes: “Só para vocês saberem, as brasileiras são as que mais deixam de trabalhar, de sair, de ir a festas, de ir à praia quando se sentem velhas”.

Entretanto, ela observou um aspecto positivo em suas pesquisas: “Quando a gente envelhece, muitos desses medos desaparecem, porque a gente descobre que o tempo é nossa principal riqueza, nosso principal capital. E o que as mulheres mais querem é a liberdade. Liberdade para serem elas mesmas, para fugirem dessa prisão e serem como quiserem”.

Veja também: Por que as mulheres brasileiras morrem de medo de envelhecer

Nesse processo de aceitação, Mirian Goldenberg fala da importância da amizade entre as mulheres na luta contra a “velhofobia”. “Nós precisamos combater a ‘velhofobia’ que existe dentro de nós mesmas. Não posso mais isso, não posso mais aquilo, estou velha, estou horrorosa, estou medonha, sou invisível. A gente enxerga a velhice de outras mulheres e julga com tanta crueldade”. Para a antropóloga, é justamente nessa fase da vida em que se está no auge da força, da potência, da energia.

Veja o vídeo com a palestra completa:

Veja também: Isabel Allende – Um novo mundo não terá esses machos brutos que dirigem tudo


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