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Revolução das mulheres que não querem ter filhos

Por Maya Santana

A atriz britânica Helen Miren, 69, é uma delas

A atriz britânica Helen Mirren, 69, é uma delas

Mulheres famosas e anônimas articulam-se num movimento, que já está sendo chamado de “revolução”, para defender sua decisão, assumida sem timidez, de não ter filhos. Em inglês, elas são chamadas pela sigla “NoMo” – No Mothers. Quando chegar ao Brasil, vamos ver quem vai aderir.

Leia o artigo escrito por Iñaki Laguardia para o jornal El País:

Depois das PANKS (mulheres solteiras e com dinheiro) e os YUMMIES(jovens urbanas com poder aquisitivo), é hora de dar as boas-vindas à mais recente incorporação ao glossário de siglas que acabará nos deixando loucos. Os especialistas em marketing, em conivência mal intencionada com os sociólogos da modernidade, deixaram aflorar uma palavra que engloba as mulheres que não têm filhos. Com uma carga infinitamente menos comercial que os nomes que mencionamos a princípio, o que a Geração NoMo (Not Mothers) reivindica é “o respeito de uma sociedade fundamentada na absurda crença de que uma mulher tem de dar à luz pelo menos uma vez na vida”. Assim argumenta a associação britânica Gateway Women, paladina da causa e responsável por sua popularização.

Outra adepta do movimento é Cameroz Diaz,42

Outra adepta do movimento é Cameroz Diaz,42

O livro Rocking the Life Unexpected é a bíblia das mulheres que formam a Geração NoMo. Jody Day, autora da obra e cofundadora da Gateway Women, alcançou no ano passado os primeiros lugares na lista de títulos mais vendidos da plataforma Amazon. A obra, uma salada de “tom autobiográfico, sociológico e de autoajuda”, se dirige ao 47% de mulheres entre 15 e 44 anos que não têm filhos, segundo estatísticas oficiais dos EUA. Day oferece um retrato pormenorizado da realidade à que se expõe quem não tem descendência: “O que ocorre na vida dessas mulheres é muito mais complexo do que parece, pois nem sempre se trata de uma decisão própria ou uma questão biológica. Há muito mais”.

A autora se baseia na própria experiência. Quando completou 40 anos se deu conta de que nunca seria mãe, o que lhe trouxe não poucas dores de cabeça. “A vida que eu sempre tinha esperado não existia, mas pouco a pouco me dei conta de que não estava só”, afirma. No livro ela propõe ações para desdramatizar uma situação que, segundo ela, em algumas ocasiões pode se tornar complicada. “Quando deixei de me importar com a ideia arquetípica da família com a casa e o cachorro, fui em frente”, diz. Seu objetivo de ajudar outras mulheres se sustenta em uma história pessoal de insatisfação e desesperança, mas nem todas as representantes da Geração NoMo procedem de uma odisseia emocional como a de Day. Na realidade, as iniciativas da associação Gateway Women não só se concentram em oferecer assistência psicológica a essas mulheres, mas também tentam destacar a alegria de viver se ajustando a essa situação.

Muitas famosas de Hollywood confessaram recentemente seu desejo de não serem mães. E o fizeram sem complexos. Assim se expressaram atrizes como Helen Mirren, Zooey Deschanel e Audrey Tatou. Cameron Diaz foi muito clara quando uma ocasião lhe perguntaram a respeito. “Tenho uma vida genial em muitos sentidos precisamente por não ter filhos. É só uma opção”, declarou. Eva Mendes, agora grávida, endossou suas palavras. “As crianças são muito fofas, gosto muito delas, mas não as quero para mim porque adoro dormir”. Em nosso país, Maribel Verdú afirmou em uma entrevista que não queria ser mãe “nem num futuro próximo nem no longo prazo”. Clique aqui para ler mais.

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1 Comentários

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lisa santana 2 de setembro de 2014 - 10:40

Maya, adoro toda atitude que se fundamenta no desejo de respeito. Tenho uma filha por opção e quis tê-la mais velha, e no dia em que ela nasceu pensei comigo mesma: Poque não tive duas de uma vez? De tanto amor que senti. Mas compreendo perfeitamente quem não quer ter. Por várias razões, e como tudo dual, ter filhos é lindo e feio ao mesmo tempo. E não só por ele, porque junto com o filho é preciso pensar bem quem será o pai? Quem vai ajudar a criar a criança? Estas pra mim, são perguntas fundamentais. Afinal filho, pelo tempo que for, não é só da mãe, não é?
Que bom que estamos em um tempo em que nós mulheres, donas de nós mesmas, já podemos escolher e nos fazer respeitar.

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