
Miriam Moura
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Assinei por alguns anos uma coluna sobre gastronomia no site Congresso em Foco. É sempre agradável para mim escrever sobre o tema, falar sobre chefs criativos, enologia, tipos de culinárias e todos os assuntos que trazem leveza e alegria de viver e proporcionam momentos de lazer e refinamento do paladar.
Há alguns dias, lendo a despedida do colunista Tim Hayward, que durante 13 anos escreveu resenhas de restaurantes para o jornal britânico Financial Times, refleti sobre o hábito de se ir a restaurantes hoje e a profissão de crítico de gastronomia.
Existem muitas boas razões para almoçar ou jantar fora, como network (corporativo e social), degustar um bom prato e conviver com amigos junto a uma boa mesa. Mas há também motivos para desistirmos de frequentar alguns estabelecimentos comerciais: o alto custo de uma refeição regada a um bom vinho e preços exorbitantes que nos assustam frequentemente em restaurantes.
A questão que gostaria de abordar é: o que influencia hoje a reputação de um restaurante? Um ambiente sofisticado, moderno, com gente bonita, boa carta de vinhos, cardápio com assinatura de algum doublé de chef e influencer de programas culinários? Cozinha contemporânea ou culinária étnica? Ou, simplesmente uma comida honesta a preço justo? Este último quesito é fundamental e importante, mas não é o único fator a influenciar a imagem de endereços culinários. Em tempos instagramáveis, não é incomum ir a restaurantes/bares para ver e ser visto, pelos drinks autorais, para brilhar nas redes sociais.

É papel do bom crítico de restaurante de uma publicação jornalística séria orientar sobre casas comerciais com boa comida e bom custo-benefício, além de todo o entorno do ambiente: decoração, iluminação, bom atendimento de uma equipe profissional.
Gostei da definição de Tim Hayward sobre seus anos de crítica no Financial Times. Diz ele: “Sair para comer é uma troca de hospitalidade enquadrada em uma transação comercial. As pessoas fazem comida que você vai gostar e tomam cuidado para servi-la de uma forma agradável. Você come e tem prazer na experiência”.
O ex-crítico do FT faz uma observação muito útil sobre a experiência de refeições fora de casa. “Não confunda hospitalidade com serviço”. Uma casa pode treinar uma equipe até deixar o serviço impecável e mesmo assim “não ter alma”, lembrou. Concordo inteiramente. Muitas vezes, a gente percebe mesmo em ambientes elegantes e refinados uma amabilidade forçada, um sorriso fora de lugar, uma vontade de agradar fora de medida.
O ponto central aqui é não perdermos de vista que a experiência em torno da mesa tem a ver com conexão e convivência agradável regada a pratos saborosos e boa bebida. Tem que estar relacionada a momentos harmoniosos. Como ensinou o escritor Brillat-Savarin no livro “A fisiologia do gosto”, o maior clássico de gastronomia, escrito na França do Século XVIII: “O prazer da mesa pertence a todas as épocas, todas as condições, todos países e todos os dias”.
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