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Envelhecer no Brasil não é fácil para ninguém, porque o país está se tornando velho sem ter ficado rico, como o Japão, os europeus e os Estados Unidos.
Isso significa que o Brasil não tem a infraestrutura necessária para oferecer à sua população mais velha boas condições de vida.
E, claro, quem mais sofre com essa situação são os mais pobres, os mais vulneráveis, como moradores idosos de comunidades e os trans.
O Rio de Janeiro, por exemplo, tem 790 favelas cadastradas, onde vivem quase 300 mil idosos, muitos deles em condições precárias.
Leia o artigo de Mariza Tavares, do blog Longevidade: Modo de Usar, publicado por O Globo:
Não há nada mais equivocado do que imaginar que a velhice abrange um grupo homogêneo. Entre os 60 e os 110 anos (a partir daí, são os supercentenários), há velhos de todo tipo: dos que continuam trabalhando aos que convivem com doenças incapacitantes, dos atléticos aos com problemas de mobilidade e declínio cognitivo.
A diversidade dentro do envelhecimento também ganhou destaque no GeriatRio 2024 e é o tema da quarta e última coluna sobre o evento. Coube à geriatra Livia Coelho falar sobre o que é envelhecer numa favela:
“O Rio de Janeiro tem 790 favelas cadastradas, onde vivem mais de 280 mil idosos. Com frequência, a única renda garantida da família é a aposentadoria do idoso. O cenário de fome, pobreza e abusos financeiros tem várias camadas de violências: física, psíquica, urbana e institucional”, afirmou.
Não há nada mais equivocado do que imaginar que a velhice abrange um grupo homogêneo. Entre os 60 e os 110 anos (a partir daí, são os supercentenários), há velhos de todo tipo: dos que continuam trabalhando aos que convivem com doenças incapacitantes, dos atléticos aos com problemas de mobilidade e declínio cognitivo. A diversidade dentro do envelhecimento também ganhou destaque no GeriatRio 2024 e é o tema da quarta e última coluna sobre o evento. Coube à geriatra Livia Coelho falar sobre o que é envelhecer numa favela:
Leia também: “Brasil vai envelhecer antes de ter dado certo”
Ela utilizou depoimentos de moradores da Favela do Vidigal para ilustrar a negligência institucional em relação a quem vive nessas áreas – são frases como: “a ambulância do SAMU não chega aqui”; ou “se um paciente morre, a gente coloca ele nas costas e desce até o asfalto”. A comunidade local se torna essencial para garantir o cuidado a quem está à margem do sistema, explicou.
Ana Paula Procópio da Silva, diretora da Faculdade de Serviço Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, foi incisiva ao falar sobre o racismo, que produz iniquidade e vulnerabilidade na saúde das pessoas negras: “acima dos 64 anos, o percentual de pardos e pretos na sociedade decai absurdamente. Considerando os dados do IBGE, 55.6% dos brasileiros são negros, mas somente 48% da população idosa é negra. O Brasil é negro, mas o envelhecimento é branco”.
O ponto alto da apresentação coube à travesti Sarah Wagner York, educadora, pesquisadora, especialista em gênero e sexualidades e uma das principais vozes pelos direitos da população LGBTQIAP+. Sua trajetória é um retrato do preconceito e dos abusos cometidos contra as pessoas trans: antes de ser expulsa de casa, aos 12 anos, era regularmente queimada com a ponta do cigarro pela mãe, “para aprender a ser homem”, contou.