O que dizer?

Por Ingo Ostrovsky

O que dizer do nosso maior número de desempregados da história, 14,5 milhões de pessoas, entre elas pelo menos dois milhões que desistiram de procurar trabalho?

Ingo Ostrovsky, 50emais

O que dizer da desigualdade que assola o Brasil, que só aumenta?

O que dizer da morte da jovem Kathlen, grávida assassinada no bairro do Lins, no Rio de Janeiro, por tiros mais do que conhecidos?

O que dizer do escândalo sexual/moral que abalou o futebol e abreviou a carreira de um cartola que se apresentava como “novo”, depois da faixa “Assédio Não!” que a seleção feminina levou a campo?

O que dizer do motoqueiro que quer abolir o uso de máscaras, enquanto morrem mais de duas mil pessoas todo dia, por causa da peste e pouco mais de 10% da população recebeu duas vacinas?

O que dizer dos números do desmatamento da Amazônia, depois das acusações ao ministro que devia defender a floresta?

O que dizer de uma inflação crescente que dá sinais de querer voltar para ficar, de acordo com os dados do pessoal do Guedes?

O que dizer do nosso maior número de desempregados da história, 14,5 milhões de pessoas, entre elas pelo menos 2 milhões que desistiram de procurar trabalho?

O que dizer de uma ajuda emergencial, que não chega a um terço do preço de uma cesta básica, daquelas bem basiquinhas?

O que dizer das mortes na favela do Jacarezinho, no Rio, depois das provas de que houve tiros antes das perguntas?

O que dizer da quantidade de mentiras que viraram meias-verdades em notas oficiais, notas de esclarecimento e redes de fake news?

O que dizer para provar que fake news e mentira é a mesma coisa?

O que dizer do gabinete do ódio? E do gabinete paralelo? E do Gabinete?

O que dizer dos médicos que apostam na morte, desconfiam da ciência e silenciam frente à ignorância?

O que dizer sobre os racistas e os racismos?

O que dizer aos alunos que não tem internet para acompanhar aulas on-line e perderam praticamente um ano letivo inteiro?

O que dizer aos encharcados pela maior cheia do Rio Negro em 119 anos?

O que dizer aos moradores de Rio das Pedras, a capital carioca das milícias, que acordam com estalos em seus prédios?

O que dizer a quem tem educação?

O que dizer aos poetas?

O que dizer no dia dos Namorados?

O que Dizer?

Leia também de Ingo Ostrovsky:

A Cara do Brasil

Big Brother Brasília

Pernas Curtas

Semana Intensa

Cadê os brasileiros que prestam?

Falta Bom Censo

O tédio nosso de cada dia

Procuremos uma borboleta

Medo

Ingo Ostrovsky: A falta que faz ouvir o outro

A matança das abelhas

Não dá para ignorar

Um caso de amor em plena pandemia

Uma estátua para Napoleão?

Três tons de cinza

O futebol gosta das mulheres?

Se ela fosse homem, seria dentisto? E ele? Deveria ser economisto?

Procrastinador: Não deixe para amanhã o que você pode faze dep


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4 Comentários

Maria Elisa Santana 13 de junho de 2021 - 15:14

Ando muda, caro Ingo, que nem pássaro na gaiola, presa a tantos desatinos. O que dizer?

Responder
Elzira 13 de junho de 2021 - 10:42

Não sei o que dizer, Ingo! Sei que não podemos nos calar. Sua crônica grita isso. Obrigada!
Elzira

Responder
ANA MARIA CAVALCANTI 13 de junho de 2021 - 10:39

boa!

Responder
Ana Helena Nogueira Ribeiro Gomes 13 de junho de 2021 - 09:51

O que dizer? Não perder a esperança. Hoje, dia de Santo Antônio, levantar e seguir adiante. Embora estejamos perplexos com toda a realidade que Ingo enumerou e que nos deixa atônitos.

Responder

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